Comecemos esta estória, que somente eu saberei que se é baseada em fatos, identificando os personagens.
A nossa heroína é a Mulher Paranóia. Assim como a Clair Bennet de Heroes tem o poder de regenerar, curando qualquer ferida de seu corpo instantaneamente, nossa heroína tem o poder de estar sempre desconfiada; se um lampejo de tranqüilidade se faz presente na alma da Mulher Paranóia, imediatamente a inquietação e a desconfiança se regeneram, a ponto de deixá-la quase doida. Quase, é claro, porque o autocontrole intenso é outro de seus superpoderes. Como sói, nossa protagonista tem uma identidade secreta de cidadã comum, uma simples escriturária que trabalha de uniforme o dia inteiro em uma financeira, e discute com os colegas as implicações éticas de revender ou não produtos Herbalife.
Nossa heroína é casada com um também super-herói, cuja identidade secreta é de baterista numa banda de crente gospel. O que ninguém sabe é que ele é um super-herói esquizofrênico: ora ele encarna o Ultra Desmanchaprazer, ora ele encarna o Mega Tonto.
O episódio de hoje começa com a Mulher Paranóia medindo forças com o Mega Tonto. Estão diante da tevê assistindo ao Pânico, e discutem porque ela quer gastar os últimos cinco reais de crédito do celular pré-pago para participar da promoção que vai dar uma Mercedes de 120 mil Reais e uma viagem para Paris para quem der o menor lance único para o leilão.
Mostrando quem é que manda, nossa heroína decide pegar o celular e enviar um lance para a promoção. E fica durante 24 horas se perguntando se a oferta teria sido registrada ou não, porque ela não recebera a mensagem de confirmação. No final das 24h de tortura interna, nossa heroína resolve pegar o telefone do já enfraquecido Mega Tonto e repetir a oferta anterior. Nesse exato momento o celular da heroína recebe uma mensagem dizendo “parabéns, o seu é o menor lance único até agora”, e o do marido recebe a mensagem “que pena, alguém já deu um lance igual a esse antes”.
Mas a Mulher Paranóia também tem seus dias de Dona Flor, e a personalidade de Mega Tonto resolve ceder espaço para a do Ultra Desmanchaprazer, muito menos freqüente mas sempre decisivo. Ele usa dos poderes magnéticos de suas ultraluvas e atrai o (agora) ultracelular para suas ultramãos e sentencia: “do meu ultracelular ninguém mais gasta ultracréditos”.
No dia seguinte, o resultado do concurso: a pessoa que ganha é vencedora com uma oferta única bem superior à da Mulher Paranóia, que durante 24 horas teve um prêmio vultoso nas mãos, e o estragou simplesmente por fazer questão de receber uma porcaria de um SMS de confirmação.
Engana-se quem pensa que nossos heróis tenham sido derrotados nesse episódio: seus poderes se multiplicaram ao nível máximo permitido para mutantes da sua linhagem.
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Esta é apenas uma peça de ficção, uma parábola. Mas quem tiver olhos para ver que veja.



Cara muito bom teu texto! Muito fiel à realidade e muito, mas muito engraçado! Todo mundo conhece uma mulher ou um homem assim… Parabéns.
Pobrezinhos… como os heróis sofrem…