09 May 2007

Selva de Pedra

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No fim de semana passado fui a São Paulo resolver umas questões pessoais, e aproveitei para conhecer pessoas e lugares. Foi uma viagem de praticamente quatro dias, durante os quais fiquei sem acesso à Internet e por isso mesmo não atualizei nenhum de meus blogs.

Longe de ter sido ruim, embora cansativa, a viagem me permitiu fazer muitas observações acerca das pessoas e seus comportamentos na maior cidade do país, que em resumo é igual a Porto Alegre (porque tem os mesmos problemas, as mesmas qualidades) mas que parece diferente porque aqui tenho minha vida, minha casa, meus amigos.

Claro que não sou nenhum idiota de não perceber as diferenças gritantes. Por exemplo, pousar no aeroporto de Congonhas é algo deveras radical, muito diferente de pousar no Salgado Filho. Em Porto Alegre não existe nada parecido à Galeria do Rock, aonde fui para fazer uma tatuagem. E aqui eu nunca vi uma programação cultural que durasse 24 horas, com dezenas de espetáculos simultâneos nos mais diversos pontos da cidade.

Mas certamente o que mais me chamou atenção foram as pessoas. Em Porto Alegre é possível ser anônimo, mas nada se compara a São Paulo. Um de meus amigos de lá sempre diz: “aqui você pode fazer o que quiser, contanto que não atrapalhe o trânsito”.

Talvez pela minha natureza, talvez por causa das pessoas que já conhecia lá e me apresentaram a outras, ou sei lá por quê, todo mundo com quem conversei ou em algum nível me relacionei em São Paulo eram independentes e moravam sozinhas (ou com marido, ou esposa, ou namorado, ou cacho, ou sei lá). Talvez por isso eu tenha presenciado muitos relacionamentos descartáveis, “paixões” arrasadoras que duraram uma noite apenas, com direito a cena de ciúmes e tudo, mas no dia seguinte as pessoas passavam uma pela outra sem nem se cumprimentarem.

Aliás, nunca distribuí tanto cartão de visita para gente que queria meu telefone, nunca levei tanto guardanapo com anotação para casa, e também nunca fiquei tanto tempo sem receber um telefonema (da mãe não conta). Aliás, a única troca de telefones que frutificou nem foi com alguém de São Paulo, e sim do Rio de Janeiro!

Contudo, São Paulo é linda, efervescente, e acolhedora. Se eu não tivesse onde ficar estes dias todos, tampouco precisaria gastar dinheiro com hotel, pois a cada noite poderia ter aceitado um convite diferente. A impessoalidade das relações de que falo acima por outro lado faculta que ninguém se sinta sozinho por lá, e com um pouco de entrega é possível encontrar corações abertos ansiosos por amizade verdadeira, ou até algo mais íntimo — como um relacionamento.

Como as selvas de árvores, a de pedra também tem seus encantos, seus perigos, suas feras escondidas. Cabe a cada um explorá-la da melhor maneira possível. Acho que fui feliz na minha exploração. Bem feliz!

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4 Respostas para “Selva de Pedra”

  1. Noapheratt on 09 May 2007 at 12:54 pm

    Tatuagem, hein? E a localização geográfica, os detalhes íntimos, as fotos comprometedoras, onde estão? Você não pode largar um teaser desses e sonegar informação de suma importância!!! :D

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  2. Bender on 09 May 2007 at 12:58 pm

    PQP! Eu tb acho São Paulo bem legal.

    Nunca tinha parado para pensar nessa impessoalidade, mas acho que faz sentido.

    [Reply]

  3. Norberto Kawakami on 09 May 2007 at 2:08 pm

    Eu nasci em Sampa e tenho no sangue esta impessoalidade. E é difícil conseguir superá-la. Mas quando acontece, ela é digna de comemoração…

    [Reply]

  4. celsojunior on 09 May 2007 at 4:30 pm

    Estou pensando em fazer minha 4ª tatuagem. Diz aí o que você tatuou, cara-pálida! E em relação a SP, já morei lá e detestei a cidade em si. Cada um com seu cada qual, não é mesmo?! hehe!

    Abraço.

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