Se não pode com o inimigo, una-se a ele


Essa história quem ma contou foi meu irmão, e a fim de preservar identidades vou omitir nomes.

Reza a lenda que estava prevista a inauguração de uma obra pública com a presença da prefeita numa comunidade de periferia. Como sempre, havia quem gostasse da administração que ela vinha fazendo, quem não gostasse, e os arruaceiros profissionais, do tipo que se enfiam onde puderem só para badernar.

Um grupo de mulheres se organizou, então, para interromper o discurso da prefeita, e armar uma arruaça “for the lulz”. Contaram aos respectivos maridos que trataram de aliciar platéia para a balbúrdia, e no dia do evento havia um público imenso nem aí para a inauguração da obra, faminto por confusão.

Eis que alguém comentou com um integrante da comitiva oficial, um ou dois minutos antes do discurso, do motivo pelo qual havia tanta gente ali naquele dia. A prefeita foi então avisada e teria de contornar a situação muito urgentemente.

Assim, ao subir no púlpito, ela agiu em favor da ordem.

— Antes de começar gostaria de convidar a me acompanharem neste momento tão importante para a comunidade a fulana, e beltrana, a cicrana… — e nomeou a quadrilha inteira.

E assim, o povo teve uma lição de como se faz política e do que significa aliar-se ao inimigo, bem como que o improviso inteligente pode ser muito mais poderoso que a mobilização burra.