São Paulo Pentacampeão
Com vitória de 3×0 sobre o Vitória-RN o São Paulo sagrou-se na noite de ontem Pentacampeão Brasileiro de futebol. Como é que eu sei? É só o assunto que se ouve em Porto Alegre hoje, como “eles” armaram para que “nós” nos ferrássemos. Eles e nós, nesse caso, são qualquer time de futebol, e o Grêmio e/ou o Internacional. É incrível como os homens — pelo menos os portoalegrenses — conseguem até mesmo parar de pensar nas fotos da Sheila Mello para dedicarem-se a falar de futebol como se suas vidas fossem mudar por causa deste ou daquele resultado. Foda-se se o São Paulo é penta.
Esse papo de liberdade de expressão é muito bonito, mas tem um preço bem alto para quem vê as amebas se expressarem. Afinal, poucas coisas são mais ridículas do que dois ou mais barbados coçando o saco numa esquina qualquer e discutindo ardorosamente sobre o assunto mais besta da face da Terra.
Se eu fosse o ditador supremo deste país, a primeira coisa que eu faria seria colocar um exército de fiscais e censores nas ruas, para coibir qualquer conversa sobre futebol e novela em lugares públicos. Os faltosos seriam condenados a prestar serviços “voluntários” (eufemismo para “de graça”) de alfabetização de adultos . Os reincidentes apanhariam e depois iriam fazer o serviço de alfabetização de adultos. E caso o desgraçado do meliante fosse analfabeto, ele iria para a alfabetização na condição de aluno, e apanharia todo dia até ser capaz de ler e entender A Divina Comédia ou qualquer outro clássico da literatura. E os reincidentes seriam condenados à forca em praça pública, para que os pais pudessem dizer aos filhinhos preguiçosos: “viu, é isso que acontece com quem não estuda e só quer saber de futebol”.
Pensando melhor, esse papo de reabilitar os faltosos daria muita despesa para o Estado. Melhor seria dar uma coça na primeira vez que o cara fosse flagrado falando merda discutindo futebol, e mandar para a forca direto na reincidência. Em seis meses repetiríamos um milagre econômico para militar nenhum cantar de galo, dizendo que na época deles é que era bom.
Okay, punir a imbecilidade com a morte seria tão imbecil quanto. Mas pelo menos por alguns minutos eu pude imaginar como seria boa uma sociedade isenta da coisa mais chata que já inventaram: os campeonatos de futebol.
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