Religião pra quê?
O título deste é “emprestado” do encerramento de uma série de nove posts de autoria do Marcus (Grande Abóbora). Desde que ele escreveu o primeiro que eu venho ensaiando escrever algumas linhas acerca deste assunto, não como “resposta” ao Marcus mas sim como exercício de expressar livre e abertamente minhas próprias crenças e certezas.
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North Conway, New Hampshire
Imagem via Wikipedia
De fato, não tem coisa que me torre mais o saco do que crentes ignorantes que acham que qualquer um que não pense com a cabeça de seu pastor vai para o “inferno” (como se este plano de existência, mergulhado no medo e suas derivações, não pudesse ser ele o próprio inferno), ou ateus imbecis que querem reduzir toda a existência a silogismos simplistas, tão simplistas quanto sua própria prepotência. Ambos os casos são muito bem ilustrados pelo Marcus no artigo Resposta a uma crente.
Aliás, peguemos o exemplo dos dois moços do vídeo que ilustra o artigo do Marcus. Eles tiram o maior sarro do cara que tolamente queria convencê-los de que Deus existe ao perguntar se ele acredita em unicórnios; ante a negativa perguntam por quê, e o sujeito diz que é porque unicórnios são fruto da imaginação das pessoas, invenções; e então os dois se regozijam e dizem “é isso aí”.
Acontece que a própria evolução é algo tão complexo que a mente humana é incapaz de compreendê-la. Aliás, a própria mente é incapaz de compreender-se, dada sua complexidade. Precisaríamos de um hardware bem mais complexo do que o que temos para compreender o hardware atual, para usar de uma metáfora, e este novo hardware requereria um outro ainda mais avançado para decifrá-lo, e assim sucessivamente.
Isso posto, fica fácil de entender que não é pela mente que compreenderemos ou entenderemos Deus. Só pode ser, naturalmente, pelo Coração.
Não estou dissociando Coração e mente, isso seria negar a própria essência humana, que como tudo que emana de Deus (ou seja, absolutamente tudo) eu só posso respeitar e admirar, mesmo que às vezes eu esqueça disso — como quando eu critico as vacas de presépio ou os ateus prepotentes. Estou dizendo, repito, é que a mente sozinha é insuficiente para compreender algo que é simplesmente maior e mais complexo do que a complexidade da mente humana possa conceber!
Eu sei que deveria falar mais sobre minhas crenças no meu blog pessoal, e investigando um pouco o que me leva a “sonegar” a meus leitores isso que faz parte de mim, chego ao asco de ser confundido com um “crente”.
Não que eu não seja crente. Todo mundo que crê, é crente.
Refiro-me, isso sim, aos neo-evangélicos, aqueles que dizem pautar suas vidas pelos ensinamentos do Cristo, mas vivem — ou melhor, discursam — segundo preceitos do Velho Testamento. Há dois anos já disse nos comentários de um dos posts que mais sucesso fazem aqui, respondendo a um destes crentes xaropes, o seguinte (com uma pequena correção que no outro texto me custou um comentário extra).
Falando em Bíblia, uma das minhas passagens favoritas é Êxodo 21,7-8 por exemplo, onde são dadas orientações sobre a maneira de vender a própria filha como escrava. Quanto está valendo a sua, a propósito?
E em Levítico 25,44, explica-se que os escravos devem ser comprados nas nações vizinhas. Quanto será que está a cotação de uma escravinha tipo a sua filha no Paraguai?
Mas a que eu mais gosto é Êxodo 35,2, que diz que o sábado é para descansar e quem trabalhar neste dia DEVE SER MORTO. Já mandei vir lá da terra onde vendem escravas baratas (o Paraguai, é claro) um AR-15 e uma Beretta. No primeiro sábado depois que as armas chegarem quero fazer um limpa nessa cidade, a começar pelos feirantes que desrespeitam essa lei divina, e ficam vendendo legumes e verduras no sábado de descanso e adoração!
Não dá, sério mesmo, sequer pra considerar a opinião de gente que acha que qualquer um que não faça gritaria no domingo de manhã nem entregue 10% (ou mais) do salário para o pastor vai passar a eternidade nadando num lago de fogo. Pensar que Deus pudesse ter um inimigo tão poderoso a ponto de este pôr em risco a Soberania Divina sobre tudo o que há, é reduzir as coisas ainda mais do que ao reducionismo dos ateus, que pelo menos se recusam a sentir, mas não a pensar. E basta pensar um pouco para deduzir que se Deus criou seja lá o que for, é porque este seja lá o que for é útil à Sua Criação e aos Seus propósitos.
Agora, voltando ao título que rou… digo, ao título que emprestei do Marcus: religião pra quê?
Religião, do latim relligare, ou religação, reconexão. É mais ou menos como se a ligação das pessoas com a Divindade tivesse caído, e as pessoas tivessem inventado algo para restituir esta ligação. Só que Deus é onisciente e onipresente (o que o Marcus contesta com o argumento de que onisciência não combina com livre arbítrio). E por isto mesmo Ele não só está como Ele É em todos os espaços e em todos os tempos ao mesmo tempo.
Ora, só precisa de religião (religação) quem se desligou. Mas é impossível desligar-se de Deus, mesmo que não se acredite nele, mesmo que se O compare a um unicórnio, ou qualquer outra tolice destas. E por esta mesma razão, religião é uma coisa inútil, totalmente inútil.
Ou talvez não totalmente: algumas das infinitas partes do Todo preferem ser massa de manobra. E se elas assim desejam, que se cumpra a sua vontade.
Por fim, devo dizer que em parte o Marcus tem minha concordância: mais absurdo do que não acreditar em Deus é acreditar em um Deus vingativo, irado, birrento feito criança, que sendo Ele o Criador de tudo o que há e que é ainda assim se incomodaria porque uma parte de Si resolveu seguir seu livre arbítrio — concedido por Ele, naturalmente — e fez algo que o pastor (ou o padre) não gostam — como pensar ou manter relações sexuais por prazer. Esta deidade a que se referem estes fanáticos religiosos não passa da projeção dos medos, taras e delírios dessas mentes fracas, pois quem vive no Amor do Pai não tem medo de nada, nem teme represália ou punição alguma.
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Tchê,
Eu fui crente por dois anos e conheci MUITA gente de MUITA igreja. Concordo com tudo o que você falou, principalmente sobre o velho testamento: as igrejas querem ensinar que Jesus está vivo e que tudo mudou por causa deste evento, porém ficam se amarrando ao V.T. quando lhe convém, como no caso do dízimo, ofertas e alguns detalhes a mais.
Mas é preciso fazer um parêntese muito importante. Ou melhor, dois:
1. Só existe uma igreja específica que guarda os sábados, a Adventista dos Últimos Dias. Quando era crente, nós éramos incentivados a fazer festa no sábado, inclusive. Portanto não serve de comparação, não serve pra fazer isso um ícone de “As Igrejas”.
2. Sexo por prazer só é considerado pecado em uma ou pouquíssimas igrejas. Não sei precisar EXATAMENTE em qual (ou quais), mas uma leve impressão me diz que é a “Testemunhas de Jeová”.
Você falou em neo-evangélicos, se for um neologismo para os “neo-pentecostais”, estes são porretas. Se eu hoje decidisse voltar pra alguma Igreja cristã (disputando com a católica, inclusive), escolheria uma delas. Porque essas, por exemplo, INCENTIVAM o sexo, como a própria Bíblia o faz (Já tive ereções lendo os Cantares de Salomão — ai que heresia!). Só tem um porém: o sexo, segundo eles, é um presente de Deus para o casamento e tão-somente nele deve ser praticado, de acordo com a visão deles.
E, pra finalizar: eu sou cristão. Muito mixuruca, mas sou cristão. E aí discordo com algo que já até havia esquecendo. Nossa mente nem sempre é muito ligada ao coração (ou ao espírito). O próprio Paulo explica no livro dos Coríntios (sim, odeio quem fala “na Carta aos Coríntios. Se fosse assim, botassem na bíblia “Carta aos Coríntios” e não “Coríntios”, cacete!) uma coisa que, NO MÍNIMO, serve como muleta em situações como esta: as coisas do espírito só são discerniadas no espírito. Explicá-las com palavras é possível, sentí-las dessa forma não dá.
Precisa ter sensibilidade, pois como tu falaste, é algo muito maior que o nosso entendimento, quando cremos, é claro.
@Daniel Becher: neo-evangélicos são essas igrejas comerciais, que funcionam como se fossem empresas e só os fiéis não percebem isso. Foi apenas o meio que eu encontrei de distingui-los dos luteranos, que também são chamados evangélicos.
De qualquer forma, Daniel, qualquer igreja, filosofia, religião, seita, diabo a quatro, que pregar qualquer coisa que incite intolerância, que considere outros como inimigos apenas pelas escolhas que fizeram (como os neoevangélicos contra homossexuaise ateus, só para dar um exmeplo) é merecedora do meu mais profundo desprezo, pois se o primeiro mandamento é amar Deus acima de tudo, o segundo é amar o próximo como a si mesmo.
Obrigado pelo comentário!
Cara, JUDEUS também “respeitam” o Sábado (ou seria o Shabbat, pois não deveríamos fazer nada entre o anoitecer de sexta e o de sábado).
Em Deus não sei se acredito! Já tive várias opiniões sobre isso e hoje não sei mais o que falar sobre esse assunto.
No que não acredito é na igreja. As pessoas acham realmente que indo à igreja estão se purificando, mas ao sair pela porta já tecem comentários nada cristãos sobre as pessoas que antes estavam de mão dadas. Não olham pra si e refletem sobre seus atos!
Eu comecei a medir minhas atitudes não por meio do que um livro me diz que tem que ser feito, mas por meio de uma pergunta: “Se todo mundo fizesse a mesma coisa que estou fazendo, o mundo funcionaria?” Se a resposta for positiva, é por que “Deus assim o quer”, ou para mim, que isso é apenas usar bom senso!
Belo texto, Janio. Tu é um dos exemplos de crentes (no sentido de quem acredita em Deus) que eu respeito, pois mostra discernimento ao manifestar a tua fé.
@marcus: um comentário desses vindo de ti é algo que me deixa bem orgulhoso.
Obrigado!
Olá, Jânio!
Só um detalhe… Ainda que a grande maioria das pessoas faça essa associação entre “religião” e “religare”, não há ligação lingüística entre esses dois termos. O português “religião” vem do latim “religione”, ablativo de “religio”, que significava a reverência à divindade. Nada a ver com religar ou coisa que o valha.
Existem algumas diretrizes que as igrejas seguem que é “amar o pecador” e não o “pecado”. A igreja tem todo o direito de achar que homossexualidade é errado (pecado), porém nunca pode ceifar ninguém o direito de sê-lo menos ainda constrangê-lo por isso. E é aí que eles se perdem.
O problema é que, mais das vezes, o crente é justamente crente porque tem uma pré-disposição a ser extremista. Minha vó dizia que “a merda procura o cu”, num português bem chulo, direto e correto, sem associar essa ofensa aos evangélicos, só a analogia livre mesmo.
E quando eles entram lá, acham nesse nicho um espaço pra eles justificarem suas loucuras, seus distúrbios, seus problemas emocionais. Não era raro eu ver pessoas dentro da igreja com problemas emocionais (ou psiquiátricos, talvez) evidentes.
Por isso vemos pessoas sendo “curadas” lá dentro de alcoolismo, drogas, etc. Na verdade não são curadas. Elas são controladas e o escape vai pra religião. Daí fode tudo. Enfim, tergiverso!
Vida que segue…
Na verdade o homossexualismo é antes de ser um pecado (relativo, pois lá consta que não deverei nem vestir roupa de mulher nem me deitar com outro homem… tá, mas e as minas… pode rolar um velcro liberado? rs), uma contradição pois veja: jamais poderão dar vazão ao “crescei e multiplicai-vos” – ao menos tecnicamente e na atualidade… Com a engenharia genética, não sei… rs
Conhecí muitos destes crentes que você chamou de neo-evangélicos e posso dizer que, sem excessão, todos estavam apenas barganhando com aquele Deus que é a imagem e semelhança do Homem. Diante da primeira ‘falha’ deste Deus (não cumprindo sua parte no contrato que era satisfazer todos os caprichos do fiel), a fé perdia-se, como se crer ou ser crente fosse uma grande loteria, ou uma gincana.
Porém, existem aquelas pessoas que de boa fé se ligam à uma religião qualquer – elas precisam disso, precisam sentir-se ligadas à um grupo que tenta basear sua conduta em preceitos religiosos e o resultado geralmente é bom: existem milhares de pessoas que fazem obras espetaculares em prol da comunidade e são grupos religiosos.
Eu particularmente, não me ligo a religião alguma e isto não significa em absoluto que não tenho qualquer fé. Mas, descobrí que encontro mais facilmente o Deus que minha mente consegue ‘visualizar’ assistindo documentários da Discovery Channel e não em igrejas. Há tanta inteligência, tanta harmonia, tanta lógica em toda a engrenagem que mantém a ordem das coisas, que seria impossível admitir um Deus que pune, que culpa, que tem birras e caprichos, como nós.
Acho que cada um aceita o Deus que a própria mente consegue alcançar, por que é impossível imaginar qualquer coisa que escape de nossa consciência, é impossível imaginar o que nunca se viu antes. Por isso Deus será sempre a imagem que o homem faz Dele e a limitação deste homem consequentemente limitará este Deus.
Acredito que o estudo e a observação da Natureza (e sua perfeita engrenagem) é capaz de nos dar uma ‘imagem’ muito mais interessante, instigante e, por que não? – consoladora – de Deus. Assim, a ciência que em nada crê, me permite, com os avanços de suas descobertas, expandir mais e mais esta ‘idéia’ que faço de Deus e, consequentemente, minha admiração e minha fé.
Desculpe o comentário enorme.
Ariane,
Estava lendo o post e os comentários é já me preparava para fazer minha participação, quando me deparei com seu excelente texto. Seu comentário é exatamente o que penso sobre esse assunto. Nem vou mais escrever minha opinião sobre esse post, faço apenas minha suas palavras (se é que você me permite).
Olá Jânio!
Bom, tu sabes minha opinião sobre a existência de um Ser Criador.
Agora sobre uma instituição religiosa qualquer deve-se sempre tentar separar o joio do trigo, mas de qualquer forma mesmo as neo-evangélicas (sou luterano e agradeço pelo teu discernimento) podem sim trazer algo de bom, afinal tem muito pai que antes era um bêbado que batia na família e hoje toma banho e e lê a Bíblia (que é um livro). Tá certo que provavelmente perdeu o senso crítico, a tolerância, 10% do que ganha e tal, mas pelo menos algo de bom veio.
Pra terminar, sobre qual o verdadeiro humor de Deus, prefiro pensar que ele não teria todo o trabalho com o universo só pra nos fazer se borrar de medo durante 80 anos. Seria muito sadismo…
Jânio, eu concordo com tudo o que você disse, especialmente no que diz respeito aos crentes cabeça-dura e aos ateus prepotentes. Pelo visto não sou só eu que notou que tem ocorrido um “fanatismo ateu” que chega a ser pior que o fanatismo evangélico.
Com relação à religião, nesses últimos tempos eu tenho lido textos e mais textos que têm feito eu me decepcionar com todas elas.
É engraçado como parecemos ter idéias semelhantes em determinados momentos. Há duas semanas estava refletindo sobre a existência de Deus e o que as religiões monoteístas mais importantes fazem com palavras escritas há muuuuuuuuito tempo e em um contexto histórico bem diverso do nosso.
A mitologia cristã foi levada a sério demais por conta de sua força política e financeira e por isso todo aquele papo de amor e o escambau serviu apenas para mascarar uma vil necessidade de poder.
Quanto a Deus, não creio no que dizem dele. Nunca saberemos se ele existe de verdade e isso é um pouco angustiante. Mas não é essa angústia que deve nos permear, e sim a busca por um deus que nos faça olhar o mundo com ternura e afinco antes de morrermos.
Acreditar em deus, compreender a nós mesmos e o universo que nos certa, não é um problema no nosso Hardware atual. O problema está no software de ALGUMAS pessoas. O Dr Drauzio Varela é mais eficaz do que eu ao falar sobre o assunto
http://br.youtube.com/watch?v=nL4elCXoWyw
Janio,
só faltou o Onipotente sobre Deus, pois citaste Onipresente e Onisciente.
E sobre o sábado, foi O Próprio Filho de Deus que disse:
“O Sábado foi feito para o Homem, e não o Homem para o Sábado!”,
resolvendo esta questão há mais de dois mil anos.
Abração,
Gentil
@Gentil: perfeito, obrigado pela complementação ao texto!
Esqueci de falar sobre o coração X cérebro:
Todos os sentimentos e emoções vêm do cérebro. Toda torrente de emoções não passa de descargas elétricas no cérebro, que comanda uma tempestade de hormônios no nosso sistema. Raiva, amor, etc, tudo é químico/elétrico. O coração só bombeia sangue. Desculpe, mas é só isso mesmo. O coração não “sente” nada, não no sentido que você desejou passar.
@renato giovanny: eu não falei em coração e cérebro, e sim Coração e mente. Mas beleza, se pra você tudo o que importa é a fisiologia, e você é feliz assim, te dou meu maior apoio.
Sim!!!! Eu sou materialista e sou feliz! Mas as vezes fico triste! Coisas boas e coisas ruins acontecem comigo. Dá pra acreditar?
@renato giovanny: Acredito, sim.
Mas o bom é que sendo você totalmente materialista, não há implicações morais em seus atos, você pode fazer o que bem entender, pois sua existência é circunscrita exclusivamente aos limites do seu corpo. Isso deve abrir possibilidades morais deveras interessantes, já que você está isento de karma ou outros conceitos em que nós, espiritualistas (para usar um termo simplista), acreditamos.
É por pessoas que pensam como você que eu aprovo a existência das religiões. Eu entendo que meus atos influenciam minha vida e a de meus descendentes. Isso já é mais do que um motivo interessante para levar uma vida ética. Eu não preciso achar que serei punido noutra vida se não for uma pessoa boa. Eu SEI que minha vida será melhor e que meus atos tem implicações morais muito sérias. Ao contrário dos “espiritualizados”, eu não preciso rezar pedindo perdão por eventuais faltas cometidas por mim, ou por outros (no caso do pecado original).
Este é o preconceito master dos ignorantes: os ateus não têm consciência das implicações morais dos seus atos por não acreditarem em nada sobrenatural (ou vice-e-versa).
Viva uma vida honesta e honrada e, na velhice, quando olhar para traz, poderá sentir prazer pela segunda vez.
“Crença religiosa não é uma condição prévia para a conduta ética ou para a felicidade.” Dalai Lama, “Ética para o Novo Milênio”
@renato giovanny: Você é o ateu, e eu sou o ignorante. Beleza.
Renato, no momento que tu pede perdão por algum erro, significa que tu tá reconhecendo o erro. Só se pede perdão se reconhecer que errou. Por isso, o pedido de perdão é muito mais um momento de introspecção, auto-avaliação do que uma humiliação à um ente superior como alguns pregam.
Sobre as implicações morais, elas são derivadas da cultura na qual tu está inserido e a religião predominante que traça os caminhos deste conjunto de idéias. Portanto, te pergunto: oque é ter honra se nada mais do que seguir um certo de conjunto de regras?
Enfim, a Crença Religiosa não é uma condição prévia para a conduta ética, mas a ética é intrinsicamente baseada na crença religiosa.
Portanto, teu comportamento depende da religião à qual o grupo no qual está inserido segue.
Se você quer reduzir a discussão a estes termos…
Lendo meu comentário, vi que me expressei de forma errada
onde eu digo:
“Ao contrário dos “espiritualizados”, eu não preciso rezar pedindo perdão por eventuais faltas cometidas por mim, ou por outros (no caso do pecado original).”
Leia-se, por favor:
“Ao contrário dos “espiritualizados”, eu não acho que rezar pedindo perdão por eventuais faltas cometidas por mim, ou por outros (no caso do pecado original) vão apagar o rastro e me livrar da/s punição/ões.
@renato giovanny: Nisso eu concordo. Não importa se você é ateu, crente, ou se um outro rótulo lhe cabe melhor. Se prejudicou alguém, não é rezar nem beijar as botinas do padre que vão livrar-lhe das conseqüências dos seus atos.
Mas materialistas não deveriam ter dilemas morais quanto a isto, imagino, pois bastaria cometer delitos que ficassem escondidos da sociedade até o fim da vida, e pronto, nada mais com que se preocupar.
Não temos (falo por mim) dilemas morais. A coisa é mais ou menos assim: não quero pra mim, não faço com o próximo. Imagino o quanto pode ser ruim ser traído pela minha esposa, então não traio. Basta exercitar a habilidade de se colocar no lugar do outro. Nem sempre é fácil assim. Requer prática AND habilidade. Tem também o lance de se preocupar com o amanhã e com o que nossos descendentes sofrerão por causa de nossas atitudes.
No meu caso ainda existe outra “trava”: eu desejo que minha vida seja um exemplo. Sou, para muitas pessoas, a única figura de ateu que elas conhecem. Certamente qualquer deslize meu vira acompanhado de um “oia!! Num falei??? Esse cara é ateu hem!!”.
O bate-papo ta ficando interessante. Gosto de falar sobre isso com pessoas inteligentes como você. Gostaria de convidar você para um bate-papo despretensioso e sem compromisso no meu podcast. Topa?
@Renato giovanny: Justo eu num podcast? Auhauhauhauhauhauhah!
Meus amigos mais próximos sabem que detesto o formato, e não sei como me sairia. Quando mais jovem tive uma experiência no rádio, ajudei a produzir e apresentar um programa matinal de rádio AM, e já não curti a ansiedade pelo resultado, a situação de fazer ao vivo, e não poder fazer retificações, sem contar com a timidez quanto à própria voz!
Mas vamos conversar, você tem meu e-mail, não tem? (Está na barra lateral, é só procurar por uma “@” no texto da página.)
Gostei muito do texto e concordo com tudo.
Concordo que Deus não possa ser discernido pela mente, creio que o que o homem sabe de Deus sabe porque este lhe revelou, não é algo que possa ser alcançado pela lógica humana.
Eu também não creio nessa visão que muitos evangélicos tem de Deus como um grande pistoleiro, porque a Escritura como um todo não ensina assim, mas também não acho que seja inteligente querer comparar Deus aos humanos e dizer que se ele agir assim ou assado ele é um Deus mau.
Creio que Deus tem uma ética independente da nossa.
Quanto a pergunta do post, creio que a religião de nada serve (nem nunca serviu) pois o que religou para todo o sempre o homem a Deus foi Cristo e essa religação foi feita antes mesmo do desligamento.
Falar em Deus é perguntar, qual deus que se faz referência. Cada um fala em como se houvesse uma infinidade, faz-me pensar como na época dos mitos gregos, deus pra tudo,e, os ditos crentes de hoje, sejam católicos ou evangélicos, faz-me pensar assim, ‘CADA DENOMINAÇÃO FALA COMO SEU DEUS FOSSE EXCLUSIVO. A grande maioria fala de um deus com um corpo físico e controlador administrando a vida terrena com um único intuito para a salvação de uma vida no paraíso celestial. É daí que surgem os especuladors de almas . Na minha opinião, Deus é o nome que se dá para essa energia cósmica propiciadora de todas as coisas. Dizer que Deus não existe, também pode considerar petulância, e… dizer existir na forma da grande maioria das religiões, não passa de puro folclore. No FUNDO O HOMEM ainda como um desastrado quanto aoseu instindo que sobrepõe sobre sua inteligência e razão e nem sempre tendo o devido controle das emoções e paixões, a religião tem o controle de frea-lo até que não venhamos mais a precisar de Bíblias, Padres, caticismos etc… N. Mattos
Eita!! Comentando post antigo… não faz mal. Se ninguém vê, o Pai sim. Deus vê e ouve e sente tudo o que estamos fazendo. Lá vou eu. Vou comentar algumas partes do teu texto e algumas dos comentários.
1) O inimigo não é poderoso. Digo, o diabo. Ele é apenas o cachorro de Deus. Deus diz: senta e ele senta. E todo aquele que acredita e segue a palavra de Deus diz: senta. E o diabo, longe de sentar, sai correndo.
2) Nem eu nem você (nem ninguém) jamais chegaremos perto de entender Deus. Deus não é blogueiro, jornalista, jogador de futebol. Deus é Deus. E Ele não pediu, nem mandou você entendê-lo. Mandou que você o amasse e que não tivesse outros deuses. Mandou você amar o teu próximo que – a propósito – é qualquer um. Qualquer ser humano. E ajuntou a estes dois, mais oito mandamentos. Não se preocupe. Obedeça os primeiros dois e jamais desobedecerá os demais.
3) Não há neste mundo (nem nunca haverá) pastor, padre, rabino, igreja, seita ou religião capaz de salvar alguém. Todos pecamos (todos) e destituídos fomos da graça de Deus. Só Jesus, enviado por Deus, é que pode nos salvar, lavar o nosso pecado, reaproximar-nos do Pai.
4) A mente é, sim, necessária. Juntamente com o coração e a fé. A mente cria discernimento. Temos que saber distinguir, identificar os falsos profetas. Mas só pela fé conseguiremos crer que existe este Deus que, ao contrário do que qualquer “igreja” ou “pastor” ou “padre” possa dizer, não é um Deus que castiga, irado, vingativo. É um Deus amoroso, mas justo. Você tem, sim, o livre arbítrio. De escolher entre o amor de Deus ou a sua justiça.
Tem mais. Mas já se faz longe e eu moro tarde.
By the way: Deus não é semelhante ao homem. O homem é que foi feito à semelhança de Deus. (esta não é procê Janio, é um comentário ai acima, mas já se faz longe…)