34 Comentários em “Religião pra quê?”

  1. Daniel Becher

    Tchê,

    Eu fui crente por dois anos e conheci MUITA gente de MUITA igreja. Concordo com tudo o que você falou, principalmente sobre o velho testamento: as igrejas querem ensinar que Jesus está vivo e que tudo mudou por causa deste evento, porém ficam se amarrando ao V.T. quando lhe convém, como no caso do dízimo, ofertas e alguns detalhes a mais.

    Mas é preciso fazer um parêntese muito importante. Ou melhor, dois:

    1. Só existe uma igreja específica que guarda os sábados, a Adventista dos Últimos Dias. Quando era crente, nós éramos incentivados a fazer festa no sábado, inclusive. Portanto não serve de comparação, não serve pra fazer isso um ícone de “As Igrejas”.

    2. Sexo por prazer só é considerado pecado em uma ou pouquíssimas igrejas. Não sei precisar EXATAMENTE em qual (ou quais), mas uma leve impressão me diz que é a “Testemunhas de Jeová”.

    Você falou em neo-evangélicos, se for um neologismo para os “neo-pentecostais”, estes são porretas. Se eu hoje decidisse voltar pra alguma Igreja cristã (disputando com a católica, inclusive), escolheria uma delas. Porque essas, por exemplo, INCENTIVAM o sexo, como a própria Bíblia o faz (Já tive ereções lendo os Cantares de Salomão — ai que heresia!). Só tem um porém: o sexo, segundo eles, é um presente de Deus para o casamento e tão-somente nele deve ser praticado, de acordo com a visão deles.

    E, pra finalizar: eu sou cristão. Muito mixuruca, mas sou cristão. E aí discordo com algo que já até havia esquecendo. Nossa mente nem sempre é muito ligada ao coração (ou ao espírito). O próprio Paulo explica no livro dos Coríntios (sim, odeio quem fala “na Carta aos Coríntios. Se fosse assim, botassem na bíblia “Carta aos Coríntios” e não “Coríntios”, cacete!) uma coisa que, NO MÍNIMO, serve como muleta em situações como esta: as coisas do espírito só são discerniadas no espírito. Explicá-las com palavras é possível, sentí-las dessa forma não dá.

    Precisa ter sensibilidade, pois como tu falaste, é algo muito maior que o nosso entendimento, quando cremos, é claro.

  2. Felipe Diesel

    Em Deus não sei se acredito! Já tive várias opiniões sobre isso e hoje não sei mais o que falar sobre esse assunto.

    No que não acredito é na igreja. As pessoas acham realmente que indo à igreja estão se purificando, mas ao sair pela porta já tecem comentários nada cristãos sobre as pessoas que antes estavam de mão dadas. Não olham pra si e refletem sobre seus atos!

    Eu comecei a medir minhas atitudes não por meio do que um livro me diz que tem que ser feito, mas por meio de uma pergunta: “Se todo mundo fizesse a mesma coisa que estou fazendo, o mundo funcionaria?” Se a resposta for positiva, é por que “Deus assim o quer”, ou para mim, que isso é apenas usar bom senso!

  3. marcus

    Belo texto, Janio. Tu é um dos exemplos de crentes (no sentido de quem acredita em Deus) que eu respeito, pois mostra discernimento ao manifestar a tua fé.

  4. Paulo de Loyola

    Olá, Jânio!

    Só um detalhe… Ainda que a grande maioria das pessoas faça essa associação entre “religião” e “religare”, não há ligação lingüística entre esses dois termos. O português “religião” vem do latim “religione”, ablativo de “religio”, que significava a reverência à divindade. Nada a ver com religar ou coisa que o valha.

  5. Daniel Becher

    Existem algumas diretrizes que as igrejas seguem que é “amar o pecador” e não o “pecado”. A igreja tem todo o direito de achar que homossexualidade é errado (pecado), porém nunca pode ceifar ninguém o direito de sê-lo menos ainda constrangê-lo por isso. E é aí que eles se perdem.

    O problema é que, mais das vezes, o crente é justamente crente porque tem uma pré-disposição a ser extremista. Minha vó dizia que “a merda procura o cu”, num português bem chulo, direto e correto, sem associar essa ofensa aos evangélicos, só a analogia livre mesmo.

    E quando eles entram lá, acham nesse nicho um espaço pra eles justificarem suas loucuras, seus distúrbios, seus problemas emocionais. Não era raro eu ver pessoas dentro da igreja com problemas emocionais (ou psiquiátricos, talvez) evidentes.

    Por isso vemos pessoas sendo “curadas” lá dentro de alcoolismo, drogas, etc. Na verdade não são curadas. Elas são controladas e o escape vai pra religião. Daí fode tudo. Enfim, tergiverso!

    Vida que segue…

    1. Ricardo Varnier

      Na verdade o homossexualismo é antes de ser um pecado (relativo, pois lá consta que não deverei nem vestir roupa de mulher nem me deitar com outro homem… tá, mas e as minas… pode rolar um velcro liberado? rs), uma contradição pois veja: jamais poderão dar vazão ao “crescei e multiplicai-vos” – ao menos tecnicamente e na atualidade… Com a engenharia genética, não sei… rs

  6. Ariane

    Conhecí muitos destes crentes que você chamou de neo-evangélicos e posso dizer que, sem excessão, todos estavam apenas barganhando com aquele Deus que é a imagem e semelhança do Homem. Diante da primeira ‘falha’ deste Deus (não cumprindo sua parte no contrato que era satisfazer todos os caprichos do fiel), a fé perdia-se, como se crer ou ser crente fosse uma grande loteria, ou uma gincana.

    Porém, existem aquelas pessoas que de boa fé se ligam à uma religião qualquer – elas precisam disso, precisam sentir-se ligadas à um grupo que tenta basear sua conduta em preceitos religiosos e o resultado geralmente é bom: existem milhares de pessoas que fazem obras espetaculares em prol da comunidade e são grupos religiosos.

    Eu particularmente, não me ligo a religião alguma e isto não significa em absoluto que não tenho qualquer fé. Mas, descobrí que encontro mais facilmente o Deus que minha mente consegue ‘visualizar’ assistindo documentários da Discovery Channel e não em igrejas. Há tanta inteligência, tanta harmonia, tanta lógica em toda a engrenagem que mantém a ordem das coisas, que seria impossível admitir um Deus que pune, que culpa, que tem birras e caprichos, como nós.

    Acho que cada um aceita o Deus que a própria mente consegue alcançar, por que é impossível imaginar qualquer coisa que escape de nossa consciência, é impossível imaginar o que nunca se viu antes. Por isso Deus será sempre a imagem que o homem faz Dele e a limitação deste homem consequentemente limitará este Deus.

    Acredito que o estudo e a observação da Natureza (e sua perfeita engrenagem) é capaz de nos dar uma ‘imagem’ muito mais interessante, instigante e, por que não? – consoladora – de Deus. Assim, a ciência que em nada crê, me permite, com os avanços de suas descobertas, expandir mais e mais esta ‘idéia’ que faço de Deus e, consequentemente, minha admiração e minha fé.

    Desculpe o comentário enorme.

    1. Rodrigo Paiva

      Ariane,

      Estava lendo o post e os comentários é já me preparava para fazer minha participação, quando me deparei com seu excelente texto. Seu comentário é exatamente o que penso sobre esse assunto. Nem vou mais escrever minha opinião sobre esse post, faço apenas minha suas palavras (se é que você me permite).

  7. André Traichel

    Olá Jânio!

    Bom, tu sabes minha opinião sobre a existência de um Ser Criador.

    Agora sobre uma instituição religiosa qualquer deve-se sempre tentar separar o joio do trigo, mas de qualquer forma mesmo as neo-evangélicas (sou luterano e agradeço pelo teu discernimento) podem sim trazer algo de bom, afinal tem muito pai que antes era um bêbado que batia na família e hoje toma banho e e lê a Bíblia (que é um livro). Tá certo que provavelmente perdeu o senso crítico, a tolerância, 10% do que ganha e tal, mas pelo menos algo de bom veio.

    Pra terminar, sobre qual o verdadeiro humor de Deus, prefiro pensar que ele não teria todo o trabalho com o universo só pra nos fazer se borrar de medo durante 80 anos. Seria muito sadismo…

  8. Lucho

    Jânio, eu concordo com tudo o que você disse, especialmente no que diz respeito aos crentes cabeça-dura e aos ateus prepotentes. Pelo visto não sou só eu que notou que tem ocorrido um “fanatismo ateu” que chega a ser pior que o fanatismo evangélico.

    Com relação à religião, nesses últimos tempos eu tenho lido textos e mais textos que têm feito eu me decepcionar com todas elas.

  9. Sidnei

    É engraçado como parecemos ter idéias semelhantes em determinados momentos. Há duas semanas estava refletindo sobre a existência de Deus e o que as religiões monoteístas mais importantes fazem com palavras escritas há muuuuuuuuito tempo e em um contexto histórico bem diverso do nosso.

    A mitologia cristã foi levada a sério demais por conta de sua força política e financeira e por isso todo aquele papo de amor e o escambau serviu apenas para mascarar uma vil necessidade de poder.

    Quanto a Deus, não creio no que dizem dele. Nunca saberemos se ele existe de verdade e isso é um pouco angustiante. Mas não é essa angústia que deve nos permear, e sim a busca por um deus que nos faça olhar o mundo com ternura e afinco antes de morrermos.

  10. renato giovanny

    Acreditar em deus, compreender a nós mesmos e o universo que nos certa, não é um problema no nosso Hardware atual. O problema está no software de ALGUMAS pessoas. O Dr Drauzio Varela é mais eficaz do que eu ao falar sobre o assunto

    http://br.youtube.com/watch?v=nL4elCXoWyw

  11. Gentil

    Janio,

    só faltou o Onipotente sobre Deus, pois citaste Onipresente e Onisciente.

    E sobre o sábado, foi O Próprio Filho de Deus que disse:

    “O Sábado foi feito para o Homem, e não o Homem para o Sábado!”,
    resolvendo esta questão há mais de dois mil anos.

    Abração,
    Gentil

  12. renato giovanny

    Esqueci de falar sobre o coração X cérebro:
    Todos os sentimentos e emoções vêm do cérebro. Toda torrente de emoções não passa de descargas elétricas no cérebro, que comanda uma tempestade de hormônios no nosso sistema. Raiva, amor, etc, tudo é químico/elétrico. O coração só bombeia sangue. Desculpe, mas é só isso mesmo. O coração não “sente” nada, não no sentido que você desejou passar.

  13. renato giovanny

    Sim!!!! Eu sou materialista e sou feliz! Mas as vezes fico triste! Coisas boas e coisas ruins acontecem comigo. Dá pra acreditar?

  14. renato giovanny

    É por pessoas que pensam como você que eu aprovo a existência das religiões. Eu entendo que meus atos influenciam minha vida e a de meus descendentes. Isso já é mais do que um motivo interessante para levar uma vida ética. Eu não preciso achar que serei punido noutra vida se não for uma pessoa boa. Eu SEI que minha vida será melhor e que meus atos tem implicações morais muito sérias. Ao contrário dos “espiritualizados”, eu não preciso rezar pedindo perdão por eventuais faltas cometidas por mim, ou por outros (no caso do pecado original).

    Este é o preconceito master dos ignorantes: os ateus não têm consciência das implicações morais dos seus atos por não acreditarem em nada sobrenatural (ou vice-e-versa).

    Viva uma vida honesta e honrada e, na velhice, quando olhar para traz, poderá sentir prazer pela segunda vez.

    “Crença religiosa não é uma condição prévia para a conduta ética ou para a felicidade.” Dalai Lama, “Ética para o Novo Milênio”

  15. renato giovanny

    Se você quer reduzir a discussão a estes termos…

  16. renato giovanny

    Lendo meu comentário, vi que me expressei de forma errada
    onde eu digo:
    “Ao contrário dos “espiritualizados”, eu não preciso rezar pedindo perdão por eventuais faltas cometidas por mim, ou por outros (no caso do pecado original).”

    Leia-se, por favor:

    “Ao contrário dos “espiritualizados”, eu não acho que rezar pedindo perdão por eventuais faltas cometidas por mim, ou por outros (no caso do pecado original) vão apagar o rastro e me livrar da/s punição/ões.

  17. mariane

    Gostei muito do texto e concordo com tudo.

  18. Roberto

    Concordo que Deus não possa ser discernido pela mente, creio que o que o homem sabe de Deus sabe porque este lhe revelou, não é algo que possa ser alcançado pela lógica humana.

    Eu também não creio nessa visão que muitos evangélicos tem de Deus como um grande pistoleiro, porque a Escritura como um todo não ensina assim, mas também não acho que seja inteligente querer comparar Deus aos humanos e dizer que se ele agir assim ou assado ele é um Deus mau.

    Creio que Deus tem uma ética independente da nossa.

    Quanto a pergunta do post, creio que a religião de nada serve (nem nunca serviu) pois o que religou para todo o sempre o homem a Deus foi Cristo e essa religação foi feita antes mesmo do desligamento. :D

  19. Nehuzael Mathos

    Falar em Deus é perguntar, qual deus que se faz referência. Cada um fala em como se houvesse uma infinidade, faz-me pensar como na época dos mitos gregos, deus pra tudo,e, os ditos crentes de hoje, sejam católicos ou evangélicos, faz-me pensar assim, ‘CADA DENOMINAÇÃO FALA COMO SEU DEUS FOSSE EXCLUSIVO. A grande maioria fala de um deus com um corpo físico e controlador administrando a vida terrena com um único intuito para a salvação de uma vida no paraíso celestial. É daí que surgem os especuladors de almas . Na minha opinião, Deus é o nome que se dá para essa energia cósmica propiciadora de todas as coisas. Dizer que Deus não existe, também pode considerar petulância, e… dizer existir na forma da grande maioria das religiões, não passa de puro folclore. No FUNDO O HOMEM ainda como um desastrado quanto aoseu instindo que sobrepõe sobre sua inteligência e razão e nem sempre tendo o devido controle das emoções e paixões, a religião tem o controle de frea-lo até que não venhamos mais a precisar de Bíblias, Padres, caticismos etc… N. Mattos

  20. Mais música brega: paixão blasfema | O Blogue do Janio

    [...] música é deveras bonita, mas para um crente como eu (Religião pra quê?), alguns versos podem soar demasiadamente fortes. Por exemplo: para mim absolutamente nada pode ser [...]

  21. Bruno Grunig

    Eita!! Comentando post antigo… não faz mal. Se ninguém vê, o Pai sim. Deus vê e ouve e sente tudo o que estamos fazendo. Lá vou eu. Vou comentar algumas partes do teu texto e algumas dos comentários.

    1) O inimigo não é poderoso. Digo, o diabo. Ele é apenas o cachorro de Deus. Deus diz: senta e ele senta. E todo aquele que acredita e segue a palavra de Deus diz: senta. E o diabo, longe de sentar, sai correndo.

    2) Nem eu nem você (nem ninguém) jamais chegaremos perto de entender Deus. Deus não é blogueiro, jornalista, jogador de futebol. Deus é Deus. E Ele não pediu, nem mandou você entendê-lo. Mandou que você o amasse e que não tivesse outros deuses. Mandou você amar o teu próximo que – a propósito – é qualquer um. Qualquer ser humano. E ajuntou a estes dois, mais oito mandamentos. Não se preocupe. Obedeça os primeiros dois e jamais desobedecerá os demais.

    3) Não há neste mundo (nem nunca haverá) pastor, padre, rabino, igreja, seita ou religião capaz de salvar alguém. Todos pecamos (todos) e destituídos fomos da graça de Deus. Só Jesus, enviado por Deus, é que pode nos salvar, lavar o nosso pecado, reaproximar-nos do Pai.

    4) A mente é, sim, necessária. Juntamente com o coração e a fé. A mente cria discernimento. Temos que saber distinguir, identificar os falsos profetas. Mas só pela fé conseguiremos crer que existe este Deus que, ao contrário do que qualquer “igreja” ou “pastor” ou “padre” possa dizer, não é um Deus que castiga, irado, vingativo. É um Deus amoroso, mas justo. Você tem, sim, o livre arbítrio. De escolher entre o amor de Deus ou a sua justiça.

    Tem mais. Mas já se faz longe e eu moro tarde.

    By the way: Deus não é semelhante ao homem. O homem é que foi feito à semelhança de Deus. (esta não é procê Janio, é um comentário ai acima, mas já se faz longe…)

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