27 Jul 2005
Ransos e birras

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Anteontem eu falei aqui no Blogue que estava a fim de intalar o Ubuntu Linux no notebook, ao mesmo tempo em que confessava o ranço de “slacker”, que se recusa a usar outra distribuição.
Está mais na cara que o nariz que eu não tenho procuração para falar pelos outros, apenas por mim próprio. Mas nunca é demais reforçar.
Antes um aparte: instalei o Ubuntu, que reconheceu absolutamente todos os dispositivos, inclusive a placa wireless. Apanhei um pouco para instalar alguns programas a que estou acostumado mas, enfim… O bom e velho jeito slacker de ser resolveu: nada que baixar os fontes e compilar à mão (depois de ficar algumas horas baixando bibliotecas de infraestrutura com o Synaptic) não resolvesse.
Voltando ao ranço: antes de conhecer o Slackware trabalhei com o Conectiva 9, que “carinhosamente” apelidei de Bugnectiva, devido à dificuldade de fazer com que o desgraçado se comportasse como era esperado de um sistema operacional. Naturalmente minha inexperiência com Linux contava muito nessa dificuldade, associada à pressão de ter de produzir a qualquer custo (o preço do blefe, já que eu disse ao cliente que escreveria o sistema dele usando apenas recursos em Software Livre).
Algum tempo depois, cerca de um ano, o Gian (Linux Services), que na época trabalhava comigo no Banrisul, me presenteou com os discos do Slackware, que instalei para ver como era. Alguma mão de obra para fazer a placa de som funcionar, e para pôr a rodinha do mouse em ordem, e estava eu aprendendo a fuçar em Slackware.
A facilidade de instalar novos programas (Linux Packages é o maior repositório de pacotes para o Slackware, até onde eu sei), de manter a distribuição em dia (com o Swaret), de habilitar e desabilitar serviços (um mero chmod nos scripts do diretório /etc/rc.d/), tudo isso faz com que, ao contrário do que parece à primeira vista, o Slackware seja uma distribuição muito fácil de manter.
Creio que existam dois tipos básicos de usuários de Linux. O primeiro é aquele que quer apenas usar o computador, como qum liga o sintonizador da TV a cabo, ou seja, ligar e usar. O segundo tipo, com que me identifico mais, gosta de descobrir como as coisas funcionam, e como podem ser modificadas, melhoradas, personalizadas. E neste caso, o Slackware é simplesmente imbatível. Aprender a compilar o Kernel e deixá-lo 100% do gosto do freguês é só o caminho natural, que para o primeiro tipo que citei soa como um absurdo.
Claro que há diversos contras se compararmos o Slackware a outras distribuições. Por exemplo, o fato de ela ser totalmente mantida pelo Patrick. Tive medo que ele morresse, quando esteve bem doente. Porque poderia haver mil outras distribuições, mas nenhuma seria Slackware. Nesse caso, creio que eu partiria para o que considero o próximo passo natural para um “slacker de nascença” como eu: o Gentoo e em seguida um “Linux from Scratch”.
Para o usuário que que comodidade creio que dificilmente uma distribuição conseguirá ser tão amigável quanto o Kurumin com seus ícones mágicos ou o próprio Ubuntu. A detecção de dispositivos destes sistemas é simplesmente fantástica, algo que, admito, eu adoraria ver no Slackware. Ou o próprio SuSE, que há muitos anos vem derrubando queixos com o YaST. O gerenciamento de pacotes destas distros praticamente impossibilita que os usuários cometam eventuais asneiras, por facilitar o gerenciamento de dependências. Para quem não quer nem saber o que isso significa, perfeito!
Em resumo, a impressão de que o Slackware é difícil de manter se desfaz quando o usuário começa a realmente utilizá-lo, a habituar-se a ele. Mas não me parece ser uma distribuição para todo e qualquer usuário, e sim para aquele com perfil mais nerd. Fora isso, todas as distribuições Linux são difíceis de manter, de instalar novos aplicativos, os fabricantes de hardware não escrevem drivers para Linux, e por aí vai.
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