Rádios do Mundo


Quando comecei a definir o que eu viria a ser profissionalmente, lá pelos doze anos de idade, uma das coisas que mais me agradavam era pegar um velho rádio de ondas curtas (ou o de ondas médias à noite) e arranjar mil meios de ouvir estações de rádio dos mais diversos lugares do globo. Cheguei até a envolver a casa toda em fios de cobre, na tentativa de criar uma grande antena capaz de captar até os sinais mais espúrios que chegassem ao interior de Taquara.

Não havia, vinte e um anos atrás, sintonizadores digitais (os que existiam eram caríssimos, muito além das minhs posses). Então acabei desenvolvendo, por força da necessidade, uma habilidade incrível de fazer com um simples capacitor variável a sintonia fina das estações que eu podia ouvir.

Só quem tem a mesma preferência para entender o quão emocionante é de repente captar o sinal de uma estação que transmite num idioma incompreensível, e que de repente diz em um Inglês tão ruim quanto o seu “your listening to Radio Does-Not-Matter, from Tokyo, Japan”, ou então ouvir a programação em Português da BBC de Londres.

Honestamente, melhor do que ouvir estações de todas as partes do mundo só mesmo a emoção de ter podido ouvir a Rádio Gaúcha numa «galena» moderna, feita apenas com um capacitor, uma bobina (com o núcleo de ferrite variável, para fazer sintonia), um diodo de germânio (que substitui o verdadeiro cristal de galena e o dispositivo “bigode de gato”, e que conduz a 0,2V, bem menos que os 0,6V dos diodos de silício) e um fone de ouvido.

Enfim, o tempo passou, eu acabei abandonando a Eletrônica propriamente dita, e dedicando-me à informática, primeiro com hardware (talvez pela interrelação entre as duas atividades) depois com software, e mais recentemente focado, por prazer, em Internet e atividades afins.

E justamente por ter essa afinidade toda com a Internet que pude resgatar um pouco do prazer de ouvir estações de rádio do mundo inteiro: desde que descobri o StreamTuner há uns dois anos atrás meu computador nunca mais foi o mesmo. O StreamTuner é um programa que roda sob GTK (não sei se tem port para Windows) e que funciona como um supernavegador para os mais conhecidos servidores de “streaming”. Admito que nunca saio do ShoutCast, lá tem estações pra caramba.

Claro que se você dispuser de uma conexão de alta velocidade vai poder aproveitar as estações que transmitem em bitrate mais alto, portanto (teoricamente) com mais qualidade. Mas não se engane: na maior parte das vezes ouço emissoras a 96kbps (mesmo tendo um downstream de 1Mbps), que têm qualidade praticamente igual aos 128kbps, ocupando um mínimo de banda.

E se você for um feliz usuário de Linux, mas infeliz porque ainda não conhecia o programa, e resolver baixá-lo, certamente vai acabar encontrando a Magnatune, uma gravadora que resolveu levar para a música o conceito de shareware: primeiro você ouve a música, o álbum inteirinho se quiser, em MP3. Se gostar, você compra o CD. Se não gostar, passa para uma das outras milhares de estações que o Streamtuner permite ouvir com um clique, e era isso.