Que Feira do Livro, nada!
A Feira do Livro é o evento mais tradicional de Porto Alegre. Centenas de expositores lotam com suas barraquinhas a Praça da Alfândega (que calha de ser exatamente ao lado do meu trabalho), que recebe nas duas primeiras semanas de novembro provavelmetne o equivalente a toda a população da cidade.
Antigamente, antes de morar em Porto Alegre, eu vinha todos os anos, e sempre fazia um rancho de livros bons e baratos que eu encontrava, e ficava com o coração apertado pelos incontáveis outros que queria mas não podia comprar.
Com o passar do tempo não sei se o meu dinheiro foi encurtando, ou se realmente os preços deixaram de ser tão bons. Exceto pelos “balaios” em que raramente se encontram coisas interessantes, os livros estão muito caros. Em muitos casos é preferível esperar pelo dia 20 e comprar com 20% de desconto na Livraria do Globo do que comprar na Feira.
Mas, a despeito disso tudo, hoje eu fiz o meu rancho. Mas não foi na Feira propriamente dita. Fui com o Vaz na lojinha de 1,99 da Rua da Praia e comprei:
- O Ateneu (Raul Pompéia)
- O Cortiço (Aluísio Azevedo)
- Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida)
- Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)
- A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo)
- Noite na Taverna (Álvares de Azevedo)
Tudo isso pela mixaria de R$ 11,88. Ou seja, quem disser que a cultura é inacessível, estará falando sem conhecimento de causa. Em tempo: não estou falando de “instrução”, que é diferente de cultura; as duas até podem se permearem mutuamente, mas uma não necessariamente implica a outra.
Mas o melhor de tudo isso é lembrar que na época do segundo grau a gente era obrigado a ler literatura brasileira porque caía na prova, ou porque era requisito para o vestibular. Hoje compro por puro prazer, por gostar de ler, e porque, convenhamos, aqueles caras escreviam bem pra caralho!
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