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POR QUE NÃO É PROIBIDO CHEIRAR COLA?

E, SE É, POR QUE A LEI NÃO É APLICADA?

SÃO SEBASTIÃO, CRIVADO…

NUBLAI MINHA VISÃO…

Rio de Janeiro, Sexta feira, 07/07/06

Filhos desta Pátria que nos pariu,
Confesso, já de saída, dois defeitos meus, que herdei do meu amado país, junto com milhões de vocês:
1) Um grande desconhecimento das leis que nos regem.
2) Preguiça de me dar ao trabalho de informar-me realmente sobre esta séria questão.
Assim, como suponho que fazem milhões de vocês, me faço sempre de “avestruz”, enfio a cabeça no buraco das minhas preocupações cotidianas.
E “calo com a boca de feijão”.
Como deve ser o caso de milhões de vocês, brasileiros de estatura mediana, como eu.
Assim, quando a coisa esquenta pro lado da nação, faço de conta que nao falam comigo.

Leio os noticiários que me alertam sobre os escândalos dos mensalões, das gangs dos sangue-sugas e escândalos de outros Lalaus.
E fico rezando pra Deus dar um jeito nisso.
Afinal…
Disseram que ele é brasileiro…
E, no fim, fico “esperando o que Jesus prometeu”, em vez de meditar mais sobre o ditado:
“Ajuda-te que o céu te ajudará”…
Deixo tudo dar em pizza, como a seleção do nosso infeliz Parreira.
Mas, ontem, vendo aquele bando de crianças cheirando cola ali, na ponta do arpoador, deglutidos pelo veneno da cola, como esta bela praia está sendo engolida pelo mar, pensei com os meus botões:
ISSO JÁ É DEMAIS!
TROP, C’EST TROP!!
Como dizem os franceses.
Pois que esta vergonha dos mensalões dê em pizza, como todo o resto do nosso “collorido” Brasil, entre dólares, tão dolorido, tão raptado, em seu brio nacional, pela gang dos sangue-sugas, herdeira legítima do nosso descaso com os mensalões…
Ainda dá pra engolir.
Que nossa seleção seja sistematicamente desmoralizada por quem basta bater o pé mais forte diante dela, como a França de Platini, em 86, ou a do Mestre Zizou, en 98 e 2006, isso, meu orgulho nacional ainda é capaz de tentar digerir, entre outros sapos, cobras e lagartos.
Mas estes cheira-cola já estavam envenenando era meu juízo.
De tanto descaso!
Pois, possuímos neste país o dom de uma estranha alquimia, esporte favorito nacional:
Conseguimos recobrir toda humilhação e vergonha de uma grandeza de espírito não assumida com promessas ao Deus dará.
Transformamos tudo, em seguida, em fantasias de outros carnavais, disfarçados de tristes “Pedro Pedreiros, esperando o trem que já vem”, genial transposição nacional de “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, se não me falha a cultura.
Pensei então em utilizar a internet para questionar as “otoridades” deste país sobre esta questão dos cheira-cola abandonados à sua própria autodestruição.
Mas…
Como sempre…
Todo dia eu só penso em dizer não…
Depois penso na vida pra levar…
E me calo com a boca de feijão…
Assim, depois de um bom trago de uísque para me aquecer…
E de muitas mordidas de pavor, eu logo fui dormir.
Já esquecendo dos meus quixotescos planos.
Afinal, já conheço os passos desta estrada…
Ademais, o homem tem esta triste capacidade de se acomodar com o insuportável de toda miséria…
Miséria…
Obrigatoriamente: humana.
Sempre tentando evitar o pior.
Mesmo quando…
Pior do que está…
Muito pouco, ou nada, mudaria.
Viram as condições de detenção atuais?
Vamos esperar que este país se transforme em uma grande prisão, para começarmos a pensar nesta questão?
Pois, como o número de cheira-cola cresce exponencialmente nas ruas, daqui a pouco vai ter mais território nacional reservado às prisões do que aos cidadãos “livres”!
Desculpem, mas a palavra “livre” aqui me pareceu uma grande piada.
E um tanto quanto perigosa…
Tentando esquecer tudo, afinal, fazia noite fria e eu logo fui dormir, tentei recuperar as forças deixadas na labuta de quem batalha o pão de cada dia.
Mas…
Fui despertado no meio da noite, por um TERRIVEL pesadelo.
Nele, eu via um destes repórteres gringos, da BBC, ou da CNN.
O cidadão estava ali mesmo onde eu estive no dia anterior, diante do arpoador tragado pelas águas.
Observando a mesma cena dos cheira-cola mirins arrastados pelo tsunami do veneno que destrói, a cada dia, implacavelmente, sua rede de neurônios corticais e sub-corticais.
Pouco antes de acordar, escutei-me dizer:
São Sebastião, crivado, nublai minha visão na noite da grande fogueira desvairada!
Mas vamos ao começo deste pesadelo.
No começo, foi assim:
O tal repórter chamou educadamente um comando de policiais, que patrulhavam, confortavelmente, de carro, no local, pedindo-lhes algumas informações, “ao vivo”, para a BBC/CNN.
As duas já estavam misturadas no meu pesadelo…
O cidadão estrangeiro queria saber de detalhes sobre a situação jurídica do país, no que concerne ao fato de se poder ou não cheirar cola, voltado para as espinhas do poente da nossa bela Ipanema.
Dizia então o cidadão:
Ou será que Copacabana me engana?
O gringo parou os “tiras” bem no local onde o bando de menores estava, inconscientemente, destruindo neurônios que deveriam estar sendo treinados na escola para um dia servir à nossa pátria amada.
E, longe de calar sua boca, como fazemos nós todos diante desta cena, já tão… “familiar”, o repórter lá de fora, ao contrário, fazia perguntas sobre nossa legislação:
“Cheirar cola é proibido no Brasil?”
No meu pesadelo, nenhum policial sabia responder à pergunta.
Mas ele insistia:
“As autoridades brasileiras, como vossa seleção, aparentemente não dão muita “bola” pra questão.
Se vê isso aqui, nessa incapacidade de vocês a me responderem.
Assim como esta nação não explica a ela mesma como possui a melhor seleção do mundo e perde sem jogar.
Ou como vocês possuem um dos países mais ricos do planeta e o usam tão mal.
Ou, tão pouco”.
Até aí… até que minha vergonha natural de viver num país “em vias de desenvolvimento” aturava o bombardeio do repórter inconveniente.
Eu pensava, com sempre faço, como sempre ouço outros conterrâneos falarem:
Estes gringos só vem aqui pra mostrar o lado ruim do Brasil!
Mas, o que ele disse, em seguida, me fez começar a suar frio, debaixo das cobertas:
- “Esta reportagem não nasceu da nossa intenção de questionar as autoridades brasileiras sobre este GENOCÍDIO praticado contra seu próprio povo.
Mas, da necessidade de entender como podem pais e mães de família suportarem ver crianças sendo destruídas todos os dias, abandonadas à sua própria sorte.
Tememos que essa “moda” pegue no primeiro mundo também!
E queremos saber o que fez com que pais e educadores fiquem a este ponto anestesiados, diante da urgência deste problema, que apaga todo brio desta nação.
Sem que ninguém mais se dê conta disso.
Nem o sinta mais na própria pele nacional!”
A esta altura, o tal repórter já estava a ponto de dar vontade nos “tiras” de…  “apagá-lo”, pra lanchá-lo em sanduíche de “presunto”.
Eu mesmo já ía decidindo levar o meu pesadelo por aí.
Afinal, o sonho era MEU, não era?
ERA…
Pois, tentei forçar este cenário final:
O gringo, um chato de galocha, morre…
E ACABOU A QUESTÃO!!!
Mas, vocês conhecem bem a dinâmica dos pesadelos, eles sempre levam a realidade para onde não queremos encará-la!
E o meu não fugiu à essa regra.
Tanto é que, na questão seguinte, o repórter gringo, filmado por aquela mini-câmera high tech lá deles, certamente japonesa, fez a pergunta fatal:
- “E maconha? É proibido fumar maconha nas ruas do Brasil, ou também é permitido, como cheirar cola?”
O polícia, temendo o pior, já foi se adiantando:
“Consumir drogas é crime proibido pelas leis deste país”.
Santo Deus…
Pra que o chefe da patrulha foi dizer isto…
Pois o repórter estrangeiro já foi bombardeando o pobre coitado de questões que o fizeram emudecer cada vez mais:
‘É isso justamente que queremos entender!
Pois:
Dizem que maconha prejudica a saúde. Cheirar cola também.
Dizem que maconha conduz à marginalidade da sociedade. Cheirar cola também.
Dizem que maconha leva ao crime e a drogas mais duras. Cheirar cola também.
Porque então vocês proibem outras drogas e deixam vossas crianças cheirarem cola?”
O pobre do policial já queria era dar, ao jornalista chato e implicante, o endereço do prefeito, do governador, ou do Lula, para ele ir encher o saco deles por lá.
Mas o pobre não teve nem tempo de dizer uma palavra a mais.
Pois o gringo tirou do bolso do elegante blazer um baita dum cigarro de maconha já prontinho.
Acendeu…
E começou a dar uns “tapinhas”…
De leve…
E, olhando para os policiais e em seguida para a câmera, falou, num tom de riso descontraído:
- “Bom, pessoal, vou esperar agora que estes senhores cumpram seu dever, dando-me voz de prisão, para que enfim o mundo possa entender como um país destrói sua juventude sem se dar mais conta disso”.
Aquilo foi demais, até pro meu pesadelo.
Acordei quando já apareciam as manchetes nos jornais de todo mundo:
“Reporter da BBC/CNN fuma maconha no arpoador deglutido pelas águas, diante de policiais e vários “cheira-cola”, a fim de alertar o mundo para a destruição dos futuros heróis da seleção nacional brasileira:
PATRIMÔNIO FUTEBOLÍSTICO DA HUMANIDADE”.
Afinal, se já tem estrangeiro querendo comprar a Amazônia, deu na televisão, ontem mesmo, sob o pretexto que não a sabemos defender…
Por que não iriam aparecer empresários estrangeiros para comprar a nossa seleção?
Ou porque não apareceriam outros mercadores do templo, querendo comprar nossas crianças, para “salvá-las” da nossa incompetência de protegê-las?
Aquilo foi demais pra mim.
Mesmo como pesadelo!
Pois…
Vai ver que um dia vem um jornalista doido destes aqui e faz isso mesmo!
Já teve até um que disse que nosso presidente era um alcoólatra!
Como irei eu então explicar para MIM MESMO, que, NUNCA, eu coloquei, eu mesmo à nação, esta questão dos cheira-cola, menores abandonados à sua própria má sorte?
Nem que seja só para lavar as minhas mãos do sangue destes inocentes!
Taí, então, gente, meu pesadelo nacional, que, tenho certeza, é o mesmo de todo pai e mãe de família deste país.
O QUE FAZER COM ISSO?
Talvez não possamos fazer nada.
Talvez nossas “otoridades” também não possam fazer nada.
Mas…
Estamos em época de eleição, não é?
CUSTARIA A GENTE FAZER CIRCULAR ESTA PETIÇÃO NA NET E ENTREGÁ-LA, POR VIAS VIRTUAIS OU EM MÃOS, AOS NOSSOS CANDIDATOS?
CUSTARIA PEDIR-LHES, AOS NOSSOS CANDIDATOS, ÁVIDOS, EM ANO ELEITORAL, DE NOS FAZEREM PROMESSAS NOVAS, SE:
1) Eles já pensaram nesta questão.
2) Que soluções propõem eles a este extermínio consentido, mas… sem nenhum sentido, autêntico GENOCÍDIO, da nossa juventude.
Pois o que diferencia o GENOCÍDIO destas crianças com o dos judeus, o dos índios, ou o dos negros, senão o fato de que os GENOCÍDIOS citados foram perpetrados por povos invasores?
Mas, nós não estamos, que eu saiba, em período de guerra!
Pois, GENOCÍDIOS, sempre são praticados por povos racialmente estrangeiros aos povos massacrados.
A não ser que consideremos como “guerra”, a nossa guerra civil, entre “remediados e favelados”.
Que, de tão antiga, já faz parte, infelizmente, da nossa triste paisagem nacional.
Será mesmo que tristeza não tem fim?
Ou que a tristeza será, para sempre, a única Senhora deste país?
Será que o SAMBA nunca vai de fato nascer sob o nosso sol?
Ninguém merece.
Lanço então esta garrafa virtual com este SOS, bem real, no mar da net.
Esperando que ela chegue a algum navegador, em alguma praia que não esteja totalmente deserta de toda lucidez humana.
Assinado:

Robson Crusoé, ilhado em um mar de “realidades” cada dia mais virtuais, um SOS a SÓS, nessa sexta-feira de todas as paixões

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