18 Apr 2007

PDA no Busão

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Sempre desejei escrever um post inteiro do busão, usando o PDA. Porque, afinal, aqui a gente sempre vê gente bonita, gente feia, gente fedida, gente perfumada, gente de todo tipo. E, claro, isso inspira a escrever sobre milhões de coisas.

Por exemplo, tem aquela coisa que irrita muito: em Porto Alegre (não sei como é no resto do país) idosos são isentos do pagamento da passagem. Poréem, os coitados só têm um espaço ridiculamente pequeno para ficar, antes da roleta. O que acontece então é que os velhinhos se acumulam na entrada do coletivo, atrapalhando o acesso de quem precisa passar pela roleta. O que mais irrita mesmo, entretanto, é que não raro da roleta para trás o coletivo está vazio.

Outra coisa que irrita muito é a falta de tecnologia nos ônibus. Nem falo de ar condicionado ou elevador para facultar acesso a deficientes físicos. Refiro-me ao arcaico sistema de “fichinhas” para pagamento da passagem. Seria deveras simples substituir as fichinhas por um coletor de dados que “conversasse” com um smartcard “recarregável”, que facilitaria tanto a contabilidade quanto na redução do volume de coisas para se caregarem de um lado para outro.

E os estudantes, então? O cobrador precisa tomar nota dos números das carteirinhas em uma planilha encardida, com o veículo em movimento, tornando o processo trabalhoso, os garranchos ilegíveis e o efetivo registro em sistema informatizado difícil e impreciso. Não seria muito mais fácil ter um leitor de código de barras, ou de smartcard, e automatizar o processo ao máximo?

É claro que eu sei que transporte coletivo por natureza tem que remontar sofrimento. Sei que as políticas de maximização dos lucros são incompatíveis com benefício máximo ao usuário, e que quando eu estiver andando de carro zero quilômetro eu talvez só sinta pena dos que estiverem na situação em que ora me encontro. Tudo é possível. Mas por enquanto… Vou reclamando de barriga cheia…

(Este texto foi todo escrito no PDA, durante um percurso de ida e um de volta entre minha casa e um cliente, e publicado por wi-fi.)

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21 Respostas para “PDA no Busão”

  1. Jorge on 18 Apr 2007 at 6:52 am

    Aqui em Curitiba temos um sistema exatamente como você citou, é usado um smarcard recarregável, idosos e estudantes (não pagantes) também tem seus cartões, mas para conseguí-los é preciso se cadastrar em postos da prefeitura.

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  2. Rangel on 18 Apr 2007 at 8:12 am

    Eu também sempre quis fazer isso, mas fico na dúvida se é (aconselhável) fazer, pra dizer a verdade fico com uma bela quantidade de receio de ser assaltado, sabe como é, São Paulo … em Porto Alegre não sei como é, mas aqui é bem complicado (eu acho), mas espero que um dia melhore!

    Sobre os coletivos em si, aqui em são paulo a Tecnologia chegou, temos cartão pra tudo, o famoso Bilhete Ùnico, seja pra estudantes, trabalhadores, idosos, só não usa quem não quer usufruir da integração que ele dá (Metro + Onibus + Trem).
    O valor máximo para um percurso de até 2 horas é de 3 reais podendo ser usado em até 4 (ou 3 .. não lembro agora) transportes, isso é uma grande vantagem aqui.

    Belo post janio, ainda mais por que foi escrito sobre coletivos e dentro de um, faz tempo que eu não deixo um comentário por falta de tempo mas to sempre lendo.

    Abs

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  3. Antonio Jozzolino on 18 Apr 2007 at 9:15 am

    Jânio, aqui em Campinas a coisa está um pouco mais moderna. O ônibus é pago com cartão magnético. Por outro lado, eu não me arriscaria a andar nem de relógio, quanto mais de palmtop. Parece que porto alegre está bem mais segura quanto a isso…

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  4. Denis on 18 Apr 2007 at 10:02 am

    Os leitores que não são gauchos como nós devem estar se perguntando agora -”Mas que raios será essa tal roleta?”

    lá “pra cima” roleta é conhecido como catraca …. da ultima vez que falei em roleta pra um paulista ele ficou sem entender nada e depois de expliquei ainda ficou rindo da minha cara …

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  5. silici0 on 18 Apr 2007 at 10:23 am

    Aqui em são paulo dificilmente junta tanto idoso, acredito que pelo volume de número de onibus, problema é os horario de pico sempre são lotados, geralmente venho sentado, cheio de idéias para escrever (blogar) porém no dia dia não da tempo de escrever.

    Aqui também tem o bilhete unico, que server para onibus e metro, ainda assim se voçê entrar em um onibus e pagar, durante 2 horas voçê pode entrar e sair sem pagar nada em outros.

    Abraços

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  6. Diego Ciconi on 18 Apr 2007 at 10:39 am

    Compartilho com você o desejo de escrever um post inteiro no busão. Por todos aqueles motivos acima. Mas lendo seu post eu descobri que onibus em São Paulo não é tão ruim quanto eu pensei. (Isso porquê eu ando de onibus todo dia).
    Aqui já existe o tão famoso bilhete único, que é um cartão magnetico recarregável que evita aquelas tais fichinhas.
    Claro que a tecnologia dos onibus municipais na cidade de São Paulo é pessima, eu prefiro os onibus intermunicipais (como eu moro numa cidade vizinha, meu cartão é intermunicipal, então aproveito), em relação aos idosos, as linhas intermunicipais da EMTU (Empresa Metropolitada de Transporte Urbano.. ou sei lá o que), nós temos o BOM Idoso (calma, não é nenhum brinde para velhinhos, é soh o nome do cartão, Bilhete de Onibus Metropolitado). Com esse cartão o idoso passa a catraca e vai ocupar os acentos trazeiros (ops).
    Acho que apartir de vou reclamar menos dos coletivos em São Paulo, tendo em vista a situação em Porto Alegre. :-)

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  7. Noapheratt on 18 Apr 2007 at 10:52 am

    Ô, e eu que te imaginava circulando num carrão prateado! PDA e wi-fi, hein? Pobre chique é outra coisa! ;)

    Eu também ando de ônibus (bondi, como se diz aqui). Mas sem PDA. Só tenho um pendrive com MP3…

    Estão por implantar aqui os cartões magnéticos recarregáveis para pagar a passagem. Os ônibus não tem roleta, sabia? O cobrador (e o motorista cobrador, um perigo) tem um rolo de papel, dentro de um case de metal, e cortam as passagens (que nem durex). Os estudantes compram seu próprio rolinho de passagens, e carregam elas num case de plástico, preso numa identificação com foto. O cobrador só corta a pasagem do rolinho. Não é o ideal, mas é mais prático do que ficar escrevendo.

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  8. cardoso on 18 Apr 2007 at 11:16 am

    Caramba, e eu achando o Rio atrasado.

    Aqui tudo funciona na base do smartcard, embora seja burocrático pra comprar.

    idosos passam pela roleta como qualquer passageiro, a única coisa arcaica é que tiveram que modificar o sistema pro cobrador apertar um botão liberando a passagem, depois do cartão aprovar a transação. Coisas de sindicato.

    [Reply]

  9. Ju! on 18 Apr 2007 at 12:36 pm

    Aqui no Rio já se usa cartões. Os estudantes tem seus cartões, os velhinhos também e os deficientes também. Até as pessoas “normais” tem cartão também. Dá pra recarregar e tal. Mas ainda dá pra pagar com dinheiro também. Realmente é bem mais prático.

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  10. Rodrigo on 18 Apr 2007 at 12:40 pm

    Fichinhas no onibus?
    Aqui em São Paulo temos o bilhete único que é um cartão reutilizavel….

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  11. Renato Elias on 18 Apr 2007 at 2:31 pm

    Jânio, na minha cidade de origem, Sorocaba - SP, eles trocaram as terriveis fichinhas por smartcard a uns 2-3 anos, realmente esse negocio, é excelente, ah lá foi abolido os cobradores faz tempo, só existe motorista de “busão” e a entrada para os velhinhos é pela catraca eles tem um smartcard também, e tem uns bancos especiais, mas eles podem sentar em qualquer canto sem pagar nada.

    O mais legal de tudo isso é que se você não tiver smartcard, você compra um passe único, é bem legal, tudo informatizado,

    Agora na realidade que estou Osasco - SP tá uma merda, cobrador com cara de feio, velhinhos na frente = tu, cartelas, a unica coisa boa é pode entrar no busão sem medo de não ter ficha, mas isso foi resolvido la em Sorocaba, bem simples, qualquer bar ou banca tem o bendito, além que você pode enbarcar e ficar na frente (um porre) e desçer no terminal comprar la e passar e ter acesso a qualquer onibus, sim eles são interligados, não é algo tão avançado como os de curitiba que tem mini terminais por toda a cidade, mas é bem legal.

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  12. Jess on 18 Apr 2007 at 2:43 pm

    Em SP os idosos também ficam amontoados bem na entrada. Só que aqui é por hábito, já que a prefeitura emite um cartão que você coloca créditos (como um celular) e só passa pela catraca, como um crachá de prédio, e ele debita a passagem, sem troco, sem dor. E para os idosos, o cartão tem créditos “ilimitados”. Mas eles não tiram o cartão e se amontoam lá na frente.

    No mais, eu fico tonta e enjoada lendo em ônibus e provavelmente vomitaria em cima do meu precioso PDA se tentasse compor um post.

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  13. diego on 18 Apr 2007 at 2:50 pm

    aqui em uberlândia - mg, temos cartões magnéticos pra usar nos onibus, não se usa mais “passe”, você passa o cartão e pronto, estudantes a mesma coisa, so que na hora de recarregar pagam menos, temos estações no meio da avenida principal e um monte de outras firulas pra político desviar dinheiro, é tudo muito legal, mais o preço da passagem 1,90, em um cidade que raramente se passa de 30min dentro de um onibus…

    mais eu queria ser macho assim, usar um PDA dentro de um onibus

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  14. Wendely Leal on 18 Apr 2007 at 4:31 pm

    1h30m todos os dias somando ida e volta à faculdade. Eu ainda escrevo um artigo via PDA :)

    Aqui em Brasília o negócio é bem atrasado também. A forma como os passes estudantis são tratados varia entre as várias empresas. É comum o ônibus já estar andando e todos em seus lugares quando a cobradora grita “Joaquim da Silva” e o “Joaquim” vai até a roleta receber a notícia de que o passe dele venceu há 2 dias e que ele vai ter que pagar. Eu não pagaria, mas o argumento é que o cobrador que arca com esse erro. Se ele não checa a data de validade do passe, ele paga. E tem, ainda, que escrever atrás do passe a data e “nº do cobrador”.

    Lá em Salvador, há 4 anos atrás, a coisa já era diferente.
    Fiquei um tempo com uns amigos de lá e tudo já era controlado por um cartão RFID. Chegava perto do sensor e a catraca era liberada. Aos não-estudantes nem lembro como era, mas provavelmente era muito mais fácil e rápido.

    Atrasados somos nozes

    [Reply]

  15. Israel Cefrin on 18 Apr 2007 at 6:56 pm

    Janio
    Que coragem a tua em andar com o PDA (e usando-o) dentro do ônibus. Eu tenho medo até de deixar o celular a vista.
    Mas concordo contigo que o sistema de transporte público em Porto Alegre, principalmente referente ao pagamento da passagem pode, e muito, ser melhorado.
    Mas eu ando vendo ações como o cartão TRI que , de repente, é um início de solução ao permitir a baldeação sem ter de pagar ou ficar com um ticket, creio que será apenas passar o cartão e passar direto.

    Outra coisa, que inveja desse teu PDA. Vou juntar grana para comprar um e postar lá do mercado público. :)

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  16. Mário Yanase on 19 Apr 2007 at 3:56 am

    Aqui na minha cidade, Itu-SP, nós usamos cartão do tipo que você falou. Bem simples, quanto aos idosos, a roleta fica na parte dianteira do onibus, logo quando você entra, sendo assim, os idosos entram pelas portas dos fundos, então não há esse problema. Cada crédito do cartão vale por 1 hr. se eu não me engano, assim que você passa pela roleta, dentro desse período você pode trocar de onibus e não serão descontados créditos. :D

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  17. Noticias Automotivas on 19 Apr 2007 at 12:12 pm

    desculpa a pergunta, mas pq vc anda de busão, jânio?

    [Reply]

  18. Janio Sarmento on 19 Apr 2007 at 12:46 pm

    Eber.

    Eu ando de busão porque não tenho carro. Simples assim. :)

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  19. ana jaskulski on 20 Apr 2007 at 12:32 pm

    Oi Janio.
    Faz tempo que não comento por aqui…. mas leio sempre :)

    Pois é, uma das coisas que mais me irritam é que além de ter que comprar fichinha, não é em qualquer lugar que se faz isso e não é no mesmo lugar que se pode pagar pelo boleto (sem contar que não dá pra pagar on-line). Em outros países, quando se “paga-meia”, se paga em grana (não precisa comprar a ficha) mas se paga a metade.

    Um aluno meu trabalha na EPTC e, segundo ele, um dos motivos por terem adiado o uso do TRI foi a “cultura” de que se precisa manter o emprego dos cobradores….. mas em 2008 o TRI sai : muito mais seguro que dinheiro, mais fácil de comprar (sem ter que enfrentar a fila do Banrisul pra pagar o bem-dito boleto) ou recarregar e mais rápido do que empilhar um monte de gente antes da roleta esmagando os idosos enquanto o cobrador anota os números no papelzinho. Em dia de chuva, ao meio dia, no T7 é uma maraviiiiilha. A gente se sente uma sardinha e eu (como sou muiiiiito grande) não fico numa posição muito agradável.

    Uma coisa que o guri também contou é a idéia dos cobradores terem um PDA (como o pessoal do IBGE que faz as pesquisas por aí) ao invés dos papeizinhos.

    Por R$2,00 de passagem, considerando que cabem mais de 60 pessoas no ônibus e que nem todas vão do início ao fim da linha… inviável financeiramente isso não é!

    [Reply]

  20. Janio Sarmento on 21 Apr 2007 at 3:24 am

    Só posso dizer o quanto fiquei feliz com a repercussão desse post, que rapidamente ficou lotado de comentários bacanas. Valeu!

    E para o pessoal que se assustou com o fato de eu usar o PDA no ônibus, devo dizer que embora o risco seja constante, onde eu uso ele fica reduzido ao mínimo possível.

    O próximo post sem fio provavelmente vai ser a sugestão do Israel: vou tomar um chopp no Mercado Público, e postar “ao vivo” de lá. Em breve.

    [Reply]

  21. renato giovanny on 27 Apr 2007 at 12:04 pm

    Em Goiânia o transporte público foi modernizado. E já faz muuuito tempo. Não existe mais a figura do “cobrador” e a catraca é liberada por um sistema eletrônico que lê uma ficha com créditos de viagens (passe de ônibus eletromagnético) ou um smartcard (no caso de estudantes, deficientes e idosos). Os estudantes recarregam seus cartões, pagando a metade do valor da tarifa e o passageiro convencional compra “passes” eletrônicos com créditos que variam entre 1 e 10.

    Como conseqüência, a o valor da passagem é um dos menores do Brasil, apenas R$ 1,80. No caso do eixo leste-oeste, chega a R$0,45.
    Além do mais, a cidade é cheia de terminais de integração, onde você desce do buzão que pegou e pega outro sem ter que pagar nova passagem. Outra coisa bacana é que a frota de “baús”, como são carinhosamente chamados, é relativamente jovem, contra os museus que rodam aqui em Brasília.

    Aliás, em Brasília ha mais de 11 anos e não sei se o transporte público de Goiânia continua assim. Estou de viajem marcada pra lá hoje (27/04/2007) e vou dar uma olhada. Qualquer alteração, comento aqui.

    Aqui em Brasília, temos os mesmos problemas que você descreveu, com o agravante de que tudo é muuuito longe e a passagem custa entra R$ 2,00 e R$ 3,00. O transporte alternativo é um caos: são vãs lotadas e cometendo todo tipo de infração imaginável. Não é raro ver notícias de acidentes graves nos telejornais locais envolvendo esses irresponsáveis.

    E depois ainda falam mal de goianos!!!
    Cara, acho que vou postar isso no meu blog. O que era pra se um simples comentário vai acabar dando um post legal. o próximo vou escrever no meu PDA também (iPAQ h4150 da HP)

    [Reply]

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