Parada Hétero é Viadagem
Estava eu tranqüilamente lendo meus feeds quando me deparei com um post do Daniel Bender: 1ª Parada do orgulho hétero de São Paulo. Li o texto, e tratava de uma matéria da Folha acerca de 15 pessoas ditas heterossexuais que organizaram a primeira parada do orgulho hétero.
Quis deixar um comentário lá no blog do Bender, mas o WP-Cache dele não deixou, e achei melhor aproveitar o que escrevera lá aqui no blog e mandar um trackback para ele. Portanto, vou citar a mim mesmo num comentário que não foi enviado.
Os gays precisam fazer uma parada para mostrar quem e principalmente quantos são porque são incontáveis os casos de homossexuais que são mortos apenas porque dão ré no quibe, ou porque passeiam com seu poodle cor-de-rosa na Praça da República de madrugada. Homossexuais são minoria e precisam sim se autoafirmar.
Por que é que héteros “convictos” de sua sexualidade precisam fazer uma parada também? Que autoafirmação é essa?
Quanto à questão de protestarem contra o uso do dinheiro público, esses quinze enrustidos precisam aprender a ler notícias: a Parada Gay de São Paulo só perde em lucratividade para o município para a Fórmula 1. Detalhe: qualquer um pode se divertir na Parada, basta ter condições de andar de metrô ou de ônibus (ou a pé mesmo) até a Paulista. Fórmula 1 é só pra quem tem muita grana.
Assim, se a Prefeitura investe uma grana para tornar a Parada maior e melhor não o faz por altruísmo nem porque os políticos que governam a cidade sejam apoiadores da diversidade e da liberdade de expressão de qualquer forma de sexualidade. O negócio é grana mesmo.
Por fim, sou obrigado a concordar: a Prefeitura não PRECISAVA investir nenhum centavo na Parada. Ela sempre aconteceu, e a cada ano foi maior. Os patrocinadores da iniciativa privada que entendem muito bem de negócios continuariam e continuarão a investir nessa forma de mídia que, certamente, dá um excelente retorno pra eles.
Pingback: O Assunto segue rendendo | O Blogue do Janio