16 Sep 2004
Ossos do Ofício
O Charles, meu amigo de muito tempo, comentou meu post anterior, em que eu comentava sobre empregabilidade, que está se preparando para ser mandado embora de seu atual emprego para explorar um nicho praticamente virgem do mercado de informática. Bom, Charles, se pode vir a te faltar alguma coisa para que teu empreendimento dê super certo é sorte, que é o que te desejo. Competência tens de sobra, e seja lá o que for vais tirar de letra com uma mão nas costas.
Mas devo comentar também que trabalhar “por conta” é muito mais diferente de trabalhar por CLT do que a gente possa imaginar quando ainda é celetista. No APInfo.com tem uma Planilha que facilita um pouco fazer a comparação entre o que se ganha como terceirizado em uma empresa qualquer e o que se ganha como funcionário.
O primeiro critério a ser levado em conta, e a referida planilha contempla isso muito bem, é a diferença entre o curto prazo (o que se ganha em um mês) e o médio (coisa de um ano, por exemplo) e o longo prazos (como quando você troca de emprego depois de alguns anos). De imediato, a idéia de trabalhar como PJ pode sugerir um orçamento mais gordo, pois o salário líquido que um empregado recebe (ou o dinheiro que creditam em sua conta no dia cinco de cada mês) parece ser menor do que o valor que a empresa normalmente desembolsa para pagar os honorários de um terceirizado. Só que esse empregado tem, no mínimo, FGTS, férias, décimo-terceiro salário, não raro tem participação nos lucros, plano de saúde, auxílio-educação, e outros. Terceirizado não tem nada disso. Isso embora não engorde orçamento, ao longo de um ano acaba representando acréscimo de rendimentos.
Já há pelo menos uns quatro anos que eu trabalho como terceirizado, apenas, e há pelo menos uns nove que eu não sei o que é tirar férias. Puta que pariu! Isso dá um desânimo! Porque o desgraçado sujeito moureja dia após dia, semana a semana, meses consecutivos, anos a fio, e não tem o direito de parar por um mês, como a legislação prevê, porque se ele fizer isso sua família não come!
Claro que os celetistas cansados dos limites inerentes a um emprego convencional, ansiosos por uma virada, vão dizer que é necessário fazer uma poupança para garantir a continuidade do orçamento, e tudo o mais. Respondo perguntando se eles esperam ter, trabalhando terceirizados, a mesma regularidade de trabalho que têm num emprego CLT.
Enfim, esse post é só para aliviar um pouco o estresse, para dar uma desopilada (já que não tenho como jogar Bejeweled no computador do trabalho).
Ás vezes o único conceito que eu acho que vale a pena ser lembrado, creio que li isso no site do Fred, é o do Fogo-e-Movimento. Ou seja, em situações de combate só o que realmente faz diferença é continuar em movimento, e atirando contra o inimigo (ou seja, uma atitude “agressiva”, não confundir com hostilidade). Acho que vou colar um post-it com os dizeres “Fogo e Movimento” bem no meio do meu monitor…
Carpe diem.
Textos possivelmente relacionados a este




