19 Jul 2008
Os “segredos” do mercado de trabalho

Depilador Philips Satinelle Low End HP2843...

Telefone Ibratele Standard BR-1018 s/ Chav...

Imagem via Wikipedia
Felizmente para mim já não preciso mais dobrar-me às regras do mercado de trabalho como aqueles que levam a vida trabalhando de empregados, em uma estrutura mais convencional. Isso não quer dizer que eu viva de papo para o ar, que não faça mais coisas que me desagradam (ter de explicar a certos clientes por que eles não servem para ser meus clientes, por exemplo) ou que trabalhe pouco (pelo contrário, minha jornada diária não baixa de 14h e não raro chega a 16h, inclusive aos finais de semana). Mas estou muito mais feliz agora, pois tenho dentro de meu coração a certeza de que estou fazendo o que quero, na profissão que é a certa para mim.
Essa reflexão toda começou há dois dias, quando uma amiga com quem já trabalhei em anos passados me procurou para oferecer trabalho. Ela precisa de uma pessoa que programe em Java e que tenha conhecimentos de Oracle. Não entrei em detalhes acerca da vaga porque não me interessa realmente, mas quem quiser pode escrever diretamente para <daniela AT 3ia DOT com DOT br> (se você não entendeu, certamente a vaga não é para você). O que sei é que é uma empresa legal, com muitas oportunidades, e na época que eu trabalhava lá eu ganhava bem, e em dois anos ganhei cerca de seis aumentos de salário. Ah, sim, a vaga é para Porto Alegre.
Essa oferta da Dani veio junto com outras que não vou citar aqui, direcionadas para mim ou não. Foi o primeiro dos três “segredos” do mercado de trabalho que identifiquei neste momento: quando em algum lugar abre uma vaga, é bem possível que haja uma porção de vagas abrindo em um monte de lugares.
Em parte esse efeito se dá porque há muitas consultorias especializadas em “outsourcing”, ou terceirização de serviços. Estas têm os contatos, os clientes, que são sempre os mesmos, e quando surge um projeto novo saem todas desesperadas tentando preencher as lacunas abertas.
Mas neste momento não é bem isso, porque assim como tem minha amiga precisando de programador Java, tenho visto muitas vagas para programadores PHP, programadores C, programadores .NET, webdesigners e analistas de rede e suporte, em todas as capitais do País.
Da observação desse movimento surgiu-me a noção do segundo “segredo” do mercado de trabalho: as empresas relutam em dizer o quando podem ou querem pagar. Que saco! Todas dizem em seus anúncios que é para mandar curricula com pretensão salarial. Isso é uma tremenda de uma sacanagem com os possíveis candidatos, em dois aspectos.
Primeiro, que a empresa ao dizer o quanto pode pagar ao futuro funcionário já estaria evitando que candidatos com pretensão acima daquele nível perdessem seu tempo candidatando-se a uma seleção para a qual não vão nem entrar (e poupariam tempo dos recrutadores, também, que receberiam inscrições apenas de gente disposta a trabalhar pelo dinheiro que a empresa pode pagar).
Segundo, que a impressão que dá é que as empresas fazem isso justamente para tentar fisgar profissionais de excelente nível que mereceriam ganhar — digamos — quatro mil reais mensais em uma situação crítica a ponto de coagi-los a aceitar um emprego de 20% deste valor.
Ou talvez haja algum outro motivo que eu jamais vou saber qual é.
No passado eu já recrutei pessoas para trabalhar. Um de meus grandes desgostos era o fato de a empresa se recusar a dizer o quanto poderia pagar aos novos empregados. Muitas vezes tive de dispensar candidatos fortíssimos porque eles queriam — e mereciam — ganhar o triplo do que a empresa dispunha para a vaga em específico.
O terceiro “segredo” (talvez eu devesse mudar para “mistério”) do mercado de trabalho é o fato de não haver hoje em dia quem incentive talentos individuais a desenvolverem-se individualmente. Explico.
Fui ao shopping center jantar hoje, e dei uma passada numa livraria. Estive dando uma olhada nos títulos disponíveis nas prateleiras de relacionados a gestão empresarial e até mesmo de autoajuda. Fiquei impressionado porque todos os livros que estão à venda sugerem que o único caminho possível para ser bem sucedido profissionalmente é dentro de uma grande empresa, trabalhando de empregado ou — o supra-sumo desta visão — tornando-se gerente, chefe, líder ou seja lá que termo se queira usar.
O único livro que encontrei que não tinha essa abordagem diretamente era a história de um cara que era viciado em trabalho e num belo momento percebeu que estava desperdiçando sua vida. Em resumo, ele parou de trabalhar 16h diárias no seu emprego para trabalhar 8h. Ainda no seu emprego.
Mesmo os livros — e eles são apenas uma amostra do mercado de pedagogia empresarial — destinados aos empresários e empreendedores têm uma adaptação desse ponto de vista como foco: o empreendedor de sucesso será o cara que tiver uma empresa com um monte de gente trabalhando e recebendo salário.
Ora, eu me senti completamente na contramão!
Eu tenho uma empresa, uma pessoa jurídica que embasa legalmente minhas atividades comerciais; emito nota fiscal, recolho impostos, pago honorário de contador, e faço tudo que a legislação requer. Mas nem por isso eu sou igual a nenhum desses tipos acima. Eu jamais trabalharia 16h diárias em um emprego (mas faço isso com prazer na minha empresa), e enquanto eu puder trabalhar sozinho, sem funcionários, eu vou fazê-lo. Já sei até como farei isso.
Aliás, conheço um monte de gente que trabalha sozinho e é muito bem sucedido. São milhares de profissionais liberais que atendem em domicílio, trabalham de casa pela Internet, ou fazem sei lá eu o quê. Por que essa gente é desconsiderada quando se fala de sucesso e realização profissional?
Ou, então, vai ver que eu estou desatualizado, já que trabalhando o tanto que eu trabalho não sobra mais tempo para ver e ouvir “gurus” ditando receitas de como ser feliz.
Textos possivelmente relacionados a este


Estávamos falando hoje lá na empresa em como somos condicionados a ter um emprego e ganhar salário e nunca arriscar. Não sei se isso é um problema do Brasil, pois só conheço a realidade aqui, mas pode olhar as leis, o ensino, tudo condiciona a pessoa a ser empregado.
Não digo que não seja bom, tem suas vantagens, mas depois que tu trabalhas por conta e vê o dinheiro entrando diretamente do teu trabalho, não quer mais voltar atrás. A não ser que encontre uma empresa muito boa por aí.
Janio, assim como você, também quero ter meu home-office, e trabalhar pra mim, executar minhas idéias. Sei que não é fácil conquistar clientes e mais difícil fideliza-los. Mas, quem deseja realmente ter um diferencial em relação aos outros, tem que arriscar, dar a cara pra bater e ver se realmente aguenta a pancada!
Abração e cada vez mais sucesso.
Sou seu fã!
Janio Sarmento reply on July 19th, 2008 2:06 pm:
@Thalis Valle: é por aí mesmo. Veja os exemplos meu e do meu amigo Gentil, que deixou um comentário aqui nesta página.
Quem tem potencial, e eu acho que todos têm mesmo que não acredite nisso (esse o grande problema), não tem concorrente. Porque cada ser é divinamente único, e os dons são distribuídos de maneira justa e igualitária, mas sempre exclusiva.
Além do mais, o mundo clama por transformações. É hora de nascer um novo Capitalismo onde todos ganhem, ao invés de alguém ter de perder para que outro possa ganhar. Melhor dizendo, este novo Capitalismo já existe, e o de que precisamos é apenas massa crítica para que o mundo todo passe a conhecer e beneficiar-se dele.
Vai na fé, irmão.
Janio,
achei muito interessante este artigo, pois já estive de ambos os lados do trabalho, tanto como empregado de empresas quanto como autônomo. Sou professor de inglês, e posso dizer que cheguei a trabalhar 50 horas semanais, só em sala de aula (excluindo aqui tempo de preparação de aula e correção de trabalhos e provas). Quando cheguei nesse ponto, vi que seria impossível manter isso por muito tempo, pois o desgaste é alto e em breve eu estaria em algum pronto socorro. E agora, o mais incrível: fui aos poucos reduzindo minha carga horária, e quando cheguei a 35 horas semanais, descobri que não só eu trabalhava menos como também ganhava mais! Pelo simples fato de que, trabalhando mais, eu ganhava mais, porém entrava na faixa de imposto de renda, e o que eu ganhava a mais era descontado no IR (o cúmulo da co-incidência: exatamente o valor que eu ganhava a mais na época era o valor descontado!). Quando diminuí a carga horária, também saí da faixa de desconto de IR, e passei a ganhar, no valor líquido, mais do que ganhava antes, proporcionalmente à carga horária trabalhada.
Quanto a trabalho autônomo, também vi que com 10 alunos (particulares) eu ganharia muito mais do que como empregado num curso de inglês lecionando para 100 alunos, por exemplo!
Finalmente, sobre a questão de ser empregado ou não: em 2002, quando me demiti da escola em que trabalhava e tentei criar meu próprio curso de inglês (do qual abri mão para buscar algo que realmente me dá muito prazer, que é a poesia, tradução e escrita),
eu li dois livros do Tom Peters, e gostei muito quando ele disse que a melhor coisa que alguém pode fazer para SI mesmo, quando chegar a um nível de muito sucesso numa empresa, é se demitir, e procurar algo diferente pra fazer, algo que realmente lhe dê prazer e vida. Isso foi o melhor que recolhi dessas leituras.
Co-incidentemente, meu irmão, eu e você nos demitimos de nossos empregos na mesma época, em 2002. E se você está mais feliz hoje, eu também, e nunca me arrependi do que fiz, embora tenha passado 3 anos bastante ruins, entre 2002 e 2005. Mas nem nos piores momentos me arrependi do que fiz, pois no meu último mês de emprego vi que um colega meu de profissão, de 29 anos, teve um pré-infarto numa escola, e foi parar no pronto-socorro. Isso me fez pensar com as pernas e não com a cabeça, e me fez sair correndo do emprego, até porque a profissão que mais mata por stress é a de professor.
Abração,
Gentil
Janio Sarmento reply on July 19th, 2008 1:56 pm:
@Gentil: extremamente bem colocado teu pensamento, e os dados sobre as nossas situações.
Quando escrevi o texto, já de madrugada, após uma longa jornada de trabalho, esqueci deste detalhe de que saímos juntos de nossos respectivos empregos, na mesma época. Ratifico cada palavra tua, principalmente quanto a estarmos mais felizes agora.
E se me perguntassem se eu me arrependo de alguma coisa, eu parafrasearia os versos imortalizados pela Edith Piaf: “non, rien de rien, non, je ne regrette rien”, ou seja, nada de nada, eu não me arrependo de nada!
Bem, Janio, já podemos ver na prática que o pensamento sinergístico está atuando, pois há muitos pensando igual e atuando igual também,
haja vista nós mesmos.
Gostaria apenas de comentar o comentário do Thalis, sobre dar a cara pra bater. Na época que eu me demiti, pra poder me dedicar a descobrir o que eu realmente queria fazer da minha vida, um grande amigo nosso, a quem sempre me refiro em meu blog, o Austro (www.austro.com),
me disse: não se preocupe com quantas vezes você quebrar a cara, nesta busca, pois toda vez que quebrar, é que não era a verdadeira. Quando for a verdadeira cara, essa, nunca quebra!
Assim, Thalis, eu digo o mesmo pra ti, vá em frente, dê a cara pra bater, e quebre a cara quantas vezes for preciso, pra chegar na que nunca quebra. Obviamente, isso nada tem a ver com bater com a cara no muro, por cegueira. É preciso ir em busca do que realmente queremos, mas sempre buscando o máximo de informações possível, para poder as coisas terem chance de sucesso. Pra utilizar outra expressão que aprendi com Austro, é fazer um movimento estruturado, se guiando pelos objetivos, e providenciando os meios pra isso. Bem, Janio, acho que não só teremos o fórum do pensamento sinergístico em inglês, mas acho teu blog aqui está virando um fórum disto também! Com isso o pessoal vai ficar curioso com a idéia. Como tudo tem hora pra acontecer, e você puxou o assunto da mudança no capitalismo, nada mais justo que ela já vá sendo lançada via o teu blogue! Vamos trabalhando a idéia, que a coisa anda!
Sabe como é, né Brother, como dizia Lao Tzé: para agir, aguarde a oportunidade.
Parece que, para corroborar conosco,
o Wim Wenders (que dirigiu aquele estranho filme chamado
“Paris, Texas”, que se passa numa cidade do Texas chamada Paris)
deu uma entrevista hoje no Terra
falando exatamente do fato de que não conseguiu
se adaptar ao sistema formatado de Hollywood,
e teve que trilhar sua carreira independente.
Veja entrevista aqui:
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2020/artigo96289-1.htm
Gentil e Janio,
É de grande valia para mim, esses comentários. Obrigado, mesmo. São uma espécie de ajuda para a auto-superação, de pessoas sérias e de conhecimento.
Sempre penso que quando você tem uma idéia e acredita que possa dar certo, se você nunca se dedica para executá-la, nunca terá o gostinhio de missão cumprida, de sucesso. E sucesso nem sempre é o dinheiro, para quem está no começo da jornada.
Temos nossas dificuldades de trabalhar com web, talvez a maior delas, é a relação com o cliente; conquista e fidelização. Mas, hoje temos clientes para todo mundo. Como o janio disse, todos ganham.
Acredito mesmo que cada um é unico, e acredito também que cada um tem suas necessidades e conhecimento para atingir seu lugar. O negócio é, ter seriedade, honestidade e acreditar.
Um abração pra vocês, brothers!
Bem amigos, aprecio saber que estou no mesmo barco. Gradativamente fui reduzindo meu trabalho vinculado a toda e qualquer empresa que me assalariava. No começo, antes de minha especialização, isso era quase uma necessidade. Com o tempo, a necessidade passa a ser quase uma prisão, já que tememos a insegurança de “andar de bicicleta sem rodinhas”.
Hoje, posso dizer que ganho pelo menos 3 vezes mais do que naquela época em que trabalhava - muitas vezes com a sensação de “obrigação”, em um negócio não próprio.
Hoje, não há concurso público ou cargo em empresa que valha minha liberdade de, por exemplo, escolher as sextas à tarde para nào trabalhar… Êta trem bão, sô!