O que fazer com os suicidas
Uma discussão recente na lista Blogosfera dava conta de uma preocupação de um blogueiro (que se estiver me lendo agora, por favor me contate para eu fazer o link para o seu blog, mas eu já tinha excluído a conversação toda, e limpado a lixeira) — o Brudna, do Glúon Blog — preocupado com o volume de visitantes que procuravam no Google por meios de suicidar-se sem dor, ou como fazer para suicidar-se. Sua preocupação é válida, pois ele argumentava que não queria “entregar” uma pessoa que certamente precisa de ajuda a grupos religiosos que aproveitar-se-iam da fragilidade do sujeito para impor uma Lavagem Cerebral nele.
A discussão foi declarada encerrada por lá antes que eu tivesse tempo de tecer meus comentários, e cheguei até mesmo a reabrir o debate, mas acabei fazendo uso do comando mais freqüente do meu GMail. E como esse é meu blog pessoal, nada mais natural que eu expresse minha opinião por aqui.
Em primeiro lugar, tem muita gente falando sobre a “responsabilidade dos blogs”. Eu próprio estou farto dessa conversa furada tanto de jornalistas frustrados porque vêem probloggers divertindo-se e faturando mais do que eles ganham para dar o sangue a um veículo da velha mídia, quanto de blogueiros pseudo-politizados achando que a Internet é coisa linda de deus que não pode ser maculada com blogs de humor, pornografia ou — simplesmente — opinião.
Mas não quero falar aqui da responsabilidade dos blogs, mas sim do senso de responsabilidade como o blogueiro supra citado, ou como eu próprio, ou outras pessoas bacanas que eu conheço, que independente de rótulos pretensamente religiosos importam-se com o que as pessoas fazem de suas vidas, porque já têm a compreensão de que não existem destinos individuais no Universo.
Felizmente, nunca ninguém deixou nenhum comentário pedindo dicas de como tirar a própria vida (embora eu já tenha falado sobre o assunto anteriormente). É claro que eu sei que vai ter gente achando o máximo fingir que não entendeu o texto, e deixando um comentário justamente pedindo isso, mas sei que vai ser por pura palhaçada, e isso me conforta. Porque se alguém realmente interessado em dar cabo de si próprio pintasse por aqui eu não saberia como agir. Brincar com o assunto não ajudaria, pois a pessoa certamente não teria condições de rir de uma coisa dessas. Fazer um longo comentário de resposta falando do valor da vida muito menos, pois suicidas já estão fartos de ouvir esse discurso. Encaminhar para o CVV também não, pois se o sujeito estiver mesmo a fim de abreviar sua estada por aqui, não vai gastar energia ligando para um serviço que vai tentar demovê-lo de seu objetivo.
Em resumo: se pintar um emo qualquer por aqui pedindo ajuda para ir dessa para melhor, a coisa mais politicamente correta que posso fazer é sumir com o comentário dele sem responder nem nada, como quem varre a sujeira para debaixo do tapete. Só que eu não me sentiria bem com uma situação dessas, eu ficaria me cobrando por não ter feito absolutamente nada pela pessoa que só estava pedindo, em última análise, aceitação.
Lá na lista não deu pra continuar o assunto, mas se alguém quiser continuar por aqui, pelos comentários, ou em seus próprios blogs, eu só pediria que mandassem trackbacks para cá <egoísmo>para que eu próprio possa acompanhar mais facilmente as opiniões</egoísmo>.
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