Já pensou em Escrever um Livro Não faz muito tempo ganhei de um amigo o livroVocê já Pensou em Escrever um Livro?“, da Sonia Belotto. Comecei a leitura, e — não é a proposta deste artigo fazer resenha do livro — é impossível não contagiar-se pelo entusiasmo da autora, que transparece em cada sinal gráfico o amor pelas letras. Segundo ela, a profissão de escritor (muito semelhante à de problogger, pela descrição que ela faz) está ao alcance de qualquer um, contanto que tenha boa vontade e aprenda a escrever com o coração.

Concordo com ela, mas não é bem disso ainda que eu quero falar. Para chegar ao ponto preciso comentar um papo que levei com outro amigo hoje, no famigerado artigo Curso Gratuito de Português pela Internet, no qual eu simplesmente indiquei um link para um artigo de outro site, falando sobre um curso nestes moldes; acontece que as salsinhas não conseguem entender isso, e além de entupirem o artigo de comentários esdrúxulos ainda me chamam, muitas vezes, de “professor Janio”, implorando para entrar na turma que começou dia tal (não sei de onde tiram estes dados).


O comentário que meu amigo comentava era o seguinte:

boa noite quero faser um curso gratuito gostaria de saber como que eu fasso , porque eu naõ sou muito boa no portugues , naõ sei escrever direito pesso ajuda de vcs pra mim ajudar porque eu tenho que arumar um emprego , pesso pelo amor de deus pra vcs mim ajudar , vou esperar aresposta de vcs anciosamente obrigado.

O link está logo acima, e o comentário em questão é o de número 47.

Comentei com o Fábio que na verdade tudo o que falta para este tipo de gramínea — se tubérculo não for — é leitura. Ele redargüiu que era uma questão de cultura, e eu disse que era antes disso, pois a leitura é apenas uma maneira de se adquirir cultura, e pode-se ler muito sem ser culto.

Digo isso porque gente que escreve “pra vcs mim ajudar” é o tipo de gente que não lê nem revistas como a Caras e a Capricho, que pra mim não servem nem pra limpar a bunda por causa do papel que usam. Este é o tipo de pessoa que não lê nem o cardápio da lanchonete, é mais fácil perguntar ao “mano” da casa o que é que ele tem a oferecer.

Afinal, a leitura é um dos hábitos saudáveis que menos requerem investimento financeiro: em qualquer cidade minimamente evoluída, a ponto de as pessoas terem livre acesso à Internet, há jornais de distribuição gratuita, sustentados na base da publicidade; há os jornais de ontem em tudo quando é estabelecimento comercial; há bibliotecas públicas, escolas, possibilidades não faltam!

Honestamente, não sei como estimular o hábito da leitura nesse tipo de gente. Sei que lá em casa, quando meu irmão e eu éramos crianças, o que não faltava era livro e material de leitura. Nosso pai não é letrado, mas sempre financiou enciclopédias, livros e gibis que a gente quisesse ter; sempre fez questão de pegar um dicionário e toda noite antes do jantar nos ensinar uma palavra nova. Nossa mãe, a seu turno, talvez por ser educadora por vocação e profissão, sempre nos incentivou a ler o que bem entendêssemos, carregando-nos desde cedo para as salas de aula.

Eu gostaria de saber o que você pensa sobre esse assunto. Adoraria saber como os que são pais estimulam o hábito da leitura em seus filhos, e como reagiriam se vissem um filho escrevendo da maneira como a citação acima. Me faria feliz caso pudesse um tubérculo desses defender a classe, explicando por que é que anos de escolaridade obrigatória foram insuficientes para que aprendessem pelo menos que “fazer” é com Z e não com S.

Os comentários são seus, caros leitores.

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