24 Sep 2007

O que falta é leitura

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Já pensou em Escrever um Livro Não faz muito tempo ganhei de um amigo o livroVocê já Pensou em Escrever um Livro?“, da Sonia Belotto. Comecei a leitura, e — não é a proposta deste artigo fazer resenha do livro — é impossível não contagiar-se pelo entusiasmo da autora, que transparece em cada sinal gráfico o amor pelas letras. Segundo ela, a profissão de escritor (muito semelhante à de problogger, pela descrição que ela faz) está ao alcance de qualquer um, contanto que tenha boa vontade e aprenda a escrever com o coração.

Concordo com ela, mas não é bem disso ainda que eu quero falar. Para chegar ao ponto preciso comentar um papo que levei com outro amigo hoje, no famigerado artigo Curso Gratuito de Português pela Internet, no qual eu simplesmente indiquei um link para um artigo de outro site, falando sobre um curso nestes moldes; acontece que as salsinhas não conseguem entender isso, e além de entupirem o artigo de comentários esdrúxulos ainda me chamam, muitas vezes, de “professor Janio”, implorando para entrar na turma que começou dia tal (não sei de onde tiram estes dados).


O comentário que meu amigo comentava era o seguinte:

boa noite quero faser um curso gratuito gostaria de saber como que eu fasso , porque eu naõ sou muito boa no portugues , naõ sei escrever direito pesso ajuda de vcs pra mim ajudar porque eu tenho que arumar um emprego , pesso pelo amor de deus pra vcs mim ajudar , vou esperar aresposta de vcs anciosamente obrigado.

O link está logo acima, e o comentário em questão é o de número 47.

Comentei com o Fábio que na verdade tudo o que falta para este tipo de gramínea — se tubérculo não for — é leitura. Ele redargüiu que era uma questão de cultura, e eu disse que era antes disso, pois a leitura é apenas uma maneira de se adquirir cultura, e pode-se ler muito sem ser culto.

Digo isso porque gente que escreve “pra vcs mim ajudar” é o tipo de gente que não lê nem revistas como a Caras e a Capricho, que pra mim não servem nem pra limpar a bunda por causa do papel que usam. Este é o tipo de pessoa que não lê nem o cardápio da lanchonete, é mais fácil perguntar ao “mano” da casa o que é que ele tem a oferecer.

Afinal, a leitura é um dos hábitos saudáveis que menos requerem investimento financeiro: em qualquer cidade minimamente evoluída, a ponto de as pessoas terem livre acesso à Internet, há jornais de distribuição gratuita, sustentados na base da publicidade; há os jornais de ontem em tudo quando é estabelecimento comercial; há bibliotecas públicas, escolas, possibilidades não faltam!

Honestamente, não sei como estimular o hábito da leitura nesse tipo de gente. Sei que lá em casa, quando meu irmão e eu éramos crianças, o que não faltava era livro e material de leitura. Nosso pai não é letrado, mas sempre financiou enciclopédias, livros e gibis que a gente quisesse ter; sempre fez questão de pegar um dicionário e toda noite antes do jantar nos ensinar uma palavra nova. Nossa mãe, a seu turno, talvez por ser educadora por vocação e profissão, sempre nos incentivou a ler o que bem entendêssemos, carregando-nos desde cedo para as salas de aula.

Eu gostaria de saber o que você pensa sobre esse assunto. Adoraria saber como os que são pais estimulam o hábito da leitura em seus filhos, e como reagiriam se vissem um filho escrevendo da maneira como a citação acima. Me faria feliz caso pudesse um tubérculo desses defender a classe, explicando por que é que anos de escolaridade obrigatória foram insuficientes para que aprendessem pelo menos que “fazer” é com Z e não com S.

Os comentários são seus, caros leitores.

Technorati : ,

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19 Respostas para “O que falta é leitura”

  1. Ana Carolina Jaskulski on 24 Sep 2007 at 8:14 pm

    Estou me sentindo convidada - por ser leitora assídua daqui, mas mais ainda por ser professora.
    Quando eu dava aula para a primeira séria, tinha alunos que eram os mais ‘estudados’ da família, os únicos alfabetizados!
    Hoje, dando aula para adultos vejo marmanjos que escrevem pior do que as crianças (da primeira série) escreviam.
    Falta apoio, falta exemplo -da sociedade, principalmente.
    Sei que muitas vezes a família até tem boa vontade… muitas vezes Deus deu o talento mas a vida nega-lhes os meios.

    Tenho alunos que escrevem e falam “dasveis” ao invés de “às vezes”. Tenho alunos que escrevem “inpassiente”, tenho aluno que escreve “profesoura”.
    E pior: tenho aluno ao qual a família se esforçou para pagar uma escola de qualidade e ele escreve: “soura, aki tá u meu trabaliu. pur favo mi dis si tu recbu” - ele escreve assim porque tem gente que acha ele “mais gente”, “mais moderno”, mais “da turma”.

    A escola é o que o aluno faz dela. Falta entender isso!

    Tenho aluno que estudou a vida inteira no Champagnat mas não vai ser nada na vida (a não ser “filho do fulano”) porque nunca aproveitou o ensino que teve, a oportunidade.
    Em contrapartida, tenho um aluno que sempre estudou na escola pública do interior de uma vilinha e é um aluno excelente que certamente será um grande profissional pois sempre lutou por seu aprendizado. Ele não tinha livro no colégio mas pegava um ônibus passando por baixo da roleta e ia para biblioteca estudar. Esse é um grande cara e tem todo o meu respeito e apoio.

    A culpa? Eu não sei de quem é… mas peço a Deus para estar contribuindo para que essa situação melhore e que realmente meus alunos gostem TANTO de estudar quanto eu gosto. Tomara que um dia “estudar” seja tão “bonito” e tão “da moda” que todo mundo faça isso com orgulho e com vontade.

  2. Julioverme on 24 Sep 2007 at 9:53 pm

    Janio, aos 8 anos eu ja tinha devorado todos os livros do Julio Verne, aos 10 ja tinha lido classicos como Iliada e Odisséia. Garoto de classe média baixa em São Paulo e morando em apartamento das duas uma : ou via Bozo o dia inteiro ou lia um livro, ja que jogar Atari era só pra burguesinhos.
    É ai que quero chegar, o hábito de leitura tem que ser cultivado e enraizado desde cedo, vale gibis e outras revistinhas, o importante é começar ler desde cedo.
    Vejo a coisa um pouco de fora, já que moro em Portugal a muitos anos, mas a cada dia que passa fico mais horrorizado com a falta de cultura que há no Brasil. Agora que a internet é um veículo cada vez mais utilizado a tendência é para que os livros comecem a desaparecer, o entretenimento digital é muito apelativo. Eu faço minha parte, leio sempre um ebook no pda ou no pc, procure incentivar amigos e familiares a fazer o mesmo, ja que o preço dos livros em Portugal e no Brasil estão um pouco salgados.

    Para a Ana Carolina posso dizer que tenho um livrinho aqui chamado “A Ilha Perdida” que foi oferecido pela minha primeira professora quando eu tinha 5 anos, sobreviveu por mais de 30 anos a muitas viagens e mudanças, acho que a professora acertou em cheio no meu gosto. Não adianta fazer a molecada ler José de Alencar e Machado de Assis quando nem escrever uma redação conseguem, tem que incentivar muito o hábito.

    É só a minha opinião :-)

  3. Norberto Kawakami on 24 Sep 2007 at 10:25 pm

    Janio,
    a raiz desse problema eu não sei.
    Mas o problema que se apresenta atualmente é rotular uma pessoa dessas como salsinha ou tubérculo, mas nem se dar o trabalho de indicar o caminho das pedras, ou pelo menos o início.
    A pessoa chegou no blog, comentou e o autor vem e ridiculariza-o? Que tipo de autor é esse?

    Se não se quer dar ao trabalho de responder a essas pessoas como se elas fossem pessoas adultas, então, apague o comentário e ponto final.

    As possibilidades de leitura existem aos montes, e o blog também é uma delas.

  4. Janio Sarmento on 24 Sep 2007 at 10:37 pm

    Norberto.

    O tubérculo chegou ao blog e não conseguiu entender a primeira frase do texto, que diz que “o blog tal está noticiando um curso gratuito de Português”; no mesmo texto eu reitero que não tenho nenhuma informação a respeito, e nos comentários eu digo o mesmo, indicando que o leitor interessado clique no primeiro link do texto.

    Se depois de tudo isso eu não tiver a liberdade de usar as asneiras que esse tipo de gente escreve como mote para um artigo em um blog que é pessoal, aí eu fecho o site, vendo o domínio para spammers e vou me tornar uma salsinha também.

    Respeito sua opinião, mas não é botando panos quentes que eu vou ajudar ninguém. Além do mais, estou mais para Caifaz do que para Jesus Cristo, se é que me entende.

    Se quiser, te passo os e-mails de todos os que querem fazer o curso gratuito do Professor Janio, e aí você vende o curso gratuito do Professor Norberto, está a fim?

  5. Sergio Grigoletto on 24 Sep 2007 at 11:00 pm

    Quando o Jânio colocou o problema da ignorância na escrita como falta de leitura, disse praticamente tudo.
    A escola, depois de ensinado o “be-a-bá”, já fez sua parte nesse particular. É pouco, mas é o possível.
    Assim com um médico ou mecânico só ficarão realmente bons com a prática, o mesmo pode ser aplicado com o ato de escrever.
    Médicos e mecânicos acumulam experiências para serem competentes. Não basta o que aprenderam em cursos e universidades.
    E ler, nada mais faz que acumular no cérebro experiências com palavras e os diversos meios de ordená-las num texto. Dá-se então, à frase o sentido desejado.
    Então, o melhor (senão o único) curso para escrever é: ler.
    Os culpados por essa miserável situação de nosso povo, têm várias origens.
    A principal delas, é claro, está na má qualidade do ensino público, na falta de investimentos em tecnologias socioculturais que fomentem o hábito da leitura desde a mais tenra idade escolar.
    Outra, foi a abominação das histórias em quadrinhos pela ignorância. Quando elas incentivavam a leitura e a criatividade, diziam que era pernicioso com a educação das crianças. Ora vejam só…
    (E foram substituidas por games eletrônicos, esses sim, perniciosos por viciantes que são)
    Eu, sou o tipo que não aceito apenas descobrir “doenças”. Nunca me manifesto sobre nada que não possa dar uma opinião ou criação contributiva à solução do problema.
    Fortuitamente, sou desenvolvedor dessas tecnologias socioculturais voltadas para o fomento do hábito da leitura.
    Em http://www.clubeletras.net/org pode ser visto uma que tenho montada mas ainda, sem aplicação.
    Nem me perguntem porque está sem implantar, porque vocês sabem bem do país que vivemos.
    Mas ela foi “descoberta” por um amigo poeta de Maputo, Moçambique. Ele faz parte de uma ONG, é também idealista como eu e está articulando sua aplicação na África.
    É grátis. É uma doação para a humanidade. Pode tomar posse dela, quem quiser. Passo os aquivos e a cartilha de aplicação para quem pedir.
    Voltando ao Brasil…
    Por aqui, não existe vontade política com um povo culto, melhor instruído.
    Então, por mais que tentemos, acho que nunca vamos conseguir aplicação para uma melhoria de massa.
    O que se pode fazer, é ter pena dessas pessoas que irão querer o que não têm, pelo resto de suas vidas.
    Tente dizer para a missivista em questão, essa pobre moça desesperada, que ela só precisa de um curso para aprender a escrever: ler
    Sabe o que acontecerá? Ela irá desistir.
    Leitura, se não for um hábito cultural agregado a personalidade, como escovar os dentes e agora, o uso da camisinha, não irá funcionar.
    Uma de minhas tecnologias socioculturais, o programa do livro itinerante, já tem me trazido algumas alegrias com respeito a isso, a criar um hábito cultural. Mas é pouco. O Brasil precisa de muito mais.
    Mas.. quem deseja isso?
    Não “eles”, que poderiam fazer.

  6. Norberto Kawakami on 24 Sep 2007 at 11:10 pm

    Jânio,
    mas você fez isto nos comentários somente 7 meses depois que o post foi publicado…

    Mas não precisa me mandar os e-mails não, pois eu tenho curso gratuito também, só que é de origami… serve? :D

    abraço

  7. Janio Sarmento on 24 Sep 2007 at 11:20 pm

    Norberto.

    Isso foi porque nos primeiros sete meses eu respondia um por um dos comentários por e-mail.

    Dizem que o diabo foi expulso do paraíso porque o amor divino é infinito, mas a paciência não. Então, se nem Ele, por que eu? :D

  8. Fabio on 24 Sep 2007 at 11:21 pm

    Gente, calma lá! Como este artigo nasceu de uma conversa minha com o Janio, me sinto um pouco “pai da criança”. Então vamos aos pontos:

    Norberto, ninguém aqui está ridicularizando ninguém. O fato é que muita gente NEM LÊ o que está escrito. E foi isso que o Janio falou. O artigo, de fato, fala sobre a falta de leitura do povo em geral. Eu já acho que é mais questão cultural, que o hábito da leitura é questão de cultura. O Janio discorda.
    Porém, o ponto que tu tocaste é que teria sido falado que quem não sabe escrever é salsinha, e não foi isso que o Janio falou. Ele falou que “as pessoas que não lêem as coisas”. Pelo que notei, teu comentário foi justamente em cima do comentário que o cara deixou no blog. E ele é chamado de salsinha não por escrever errado, afinal, ninguém nasce sabendo, mas sim por não ter o pingo de paciência de ler atentamente ao artigo.
    Honestamente, acho que tu entendeu errado o ponto de vista aqui.

    Agora, reforçando a minha opinião, acho que é cultura, sim. As pessoas de qualquer idade deveriam entender que a leitura é importante. Para mim, esse “conhecimento” é cultura.

    Norberto e Janio, um grande abraço!

  9. Norberto Kawakami on 24 Sep 2007 at 11:41 pm

    Janio,
    talvez o “erro” estivesse aí. Quando você responde por e-mail, você responde apenas para uma só pessoa. Quando você responde no próprio comentário, dá mais uma oportunidade para os outros.

    Fabio, o ponto que eu toquei foi o de ficar ridicularizando quem comenta no blog, seja por qual motivo for. Beleza?

    abraços

  10. [...] post foi inspirado por este artigo do Jânio, e não teria sido possível sem a colaboração (involuntária) do Aurélio. E [...]

  11. j. noronha on 25 Sep 2007 at 1:46 pm

    Eu fui professor em escola de elite e na vila mais pobre da cidade. Há bons e péssimos alunos em ambas. Na pobre é a falta de acesso à informação e a herança do pai que não lê passada adiante.

    Na de elite me parece que o problema é o excesso do que falta na outra. Para que ler um livro se encontro o resumo na Internet, pronto para usar?

    Os pais mais abastados deixam tudo por conta da escola. Mesmo vindo de uma família de classe média, aprendi a ler em casa, com minha mãe, aos 4 anos, tudo porque queria ler os gibis que meu pai havia comprado.

    Ele despertou meu interesse com o material certo, gibis para uma criança. Depois os livros vêm de forma natural.

    O problema é despertar essa consciência em um cara que nunca leu nada na vida. A tendência é o filho seguir o mesmo caminho.

  12. Gentil on 25 Sep 2007 at 11:08 pm

    Oi gente,

    primeiro, salsinha e tubérculo eu prefiro mesmo é num prato de salada! (já que não conheço o sentido em que estes termos são empregados na rede; e nem percam o tempo de vocês me explicando!)
    Segundo, na minha terra natal, Minas Gerais, há o seguinte ditado:

    “Escreveu, não leu, o pau comeu!”

    Embora seja um ditado arcaico, não parece obsoleto, pois o foco desta discussão toda nasceu por causa de uma má leitura por parte de um leitor. Ou seja, se ele escreveu (errado), não leu direito o que já estava escrito, certamente o resultado disso é pau na moleira dele.
    E muito embora a discussão seja dura para quem escreveu sem ler direito, ela é muito proveitosa para todos e inclusive para o tal leitor, no final das contas, pois todos aqui foram ver o outro lado da moeda, que é o problema do analfabetismo literalmente galopante que grassa nos planaltos e planícies deste país, principalmente nos planaltos!!!
    E falo disso de cadeira, já que sou Licenciado em Letras (português e inglês), e já lecionei para muita gente, mesmo sendo ainda jovem (adquiro meu turbo físico mental 4.0 este ano :).
    Para mim, a questão da alfabetização e do hábito de leitura concerne Pais e Mestres, como foi comentado pela professora acima, mesmo que saibamos que muitos pais repassem esta função inteiramente aos professores e não façam eles mesmos seus deveres de casa, que é consolidar em casa o que a escola ensina.
    Além disso, também sou da opinião de que cabe ao aluno tirar o máximo proveito da escola, seja ela qual for, pois eu sempre estudei em escola pública, do jardim de infância ao doutorado, e não foi a falta de qualquer coisa que tenha me impedido de ler e adquirir cultura lendo e de me formar inclusive em Letras, pois li de tudo na minha vida: comecei com gibis, livrinhos de faroeste, livros da lista dos mais vendidos, até chegar á literatura digamos mais artística, de Machado de Assis, Lima Barreto, os Modernistas, Guimarães Rosa e grandes escritores/historiadores de nosso país como Euclides da Cunha e Gilberto Freyre (que aliás deviam ser leitura obrigatória).
    E olha que Minha Santa Mãe faleceu analfabeta e meu Pai tinha no máximo a terceira série primária. Mas eles fizeram questão de colocar todos os filhos na escola e cada um decidiu até onde ir. Alguns não passaram do ensino médio. E é nessa hora que entra a parte do aluno, se ele quer continuar estudando ou não. Quem quer, sempre acha uma maneira, nem que seja à luz de velas, depois de um dia estafante na lida do campo, como eu mesmo fiz na adolescência lá na fazenda do meu pai, enquanto esperava a oportunidade de me mudar para uma capital e fazer faculdade. Que Graças a Deus, aconteceu (moro em Poa desde 1986). O exemplo contrário aconteceu com um amigo meu do interior, cujo pai foi prefeito da cidade onde morávamos, e ele ganhou do pai apartamento e carro na capital para poder estudar sem problemas, e meu amigo escolheu voltar para o interior, pois não gostava de estudar!
    Em resumo, acho que não podemos reclamar de falta de chances neste país, - apesar de tudo e sem desculpar em nenhum momento ninguém que esteja na direção do país em qualquer nível, pois já está mais do que na hora de sermos mais intransigentes com quem gerencia a nação - , pois no Brasil, mesmo que alguém só estude mais tarde e faça um supletivo, ainda tem chance de entrar em qualquer boa universidade, enquanto em países do chamado primeiro mundo, este tipo de chance é absolutamente nula, pois a vaga na universidade é baseada no histórico escolar de cada aluno.
    Por meu lado, eu faço minha parte: leio e incentivo a leitura fazendo algo que eu também gosto: escrever.
    Abraços a todos,
    Gentil
    p.s. desculpem a intransigência de minha opinião, como eu mesmo ressaltei, mas na última eleição, por exemplo, eu enviei mensagens para todos os partidos políticos que me entregaram folhetos nas ruas, questionando eles sobre temas cruciais para nosso país, como analfabetismo, crianças cheirando cola nas ruas de um país onde é proibido consumir drogas, falta de lei de incentivo a projetos sociais e ambientais (enquanto já existe uma lei de incentivo à cultura) e NENHUM PARTIDO OU CANDIDATO A CARGO ELETIVO respondeu a minhas mensagens, nem mesmo o alentado PSOL, que saiu do governo criticando-o, para se posicionar como representante do povo.
    Se os pretensos representantes do povo nada dizem sobre o que realmente interessa ao povo, que pelo menos se algum deles ler isto aqui, que tenham a decência de meditar sobre estes assuntos em suas consciências. Assim, a internete estará servindo a um propósito: acesso a informações para todos (pelo menos todos os que puderem acessar; o que já é uma grande democratização, pois aqui literalmente todos podem colocar seus pontos de vista).
    De novo, agradeço a oportunidade de expressão.

  13. MaxRaven on 26 Sep 2007 at 2:47 pm

    Não sou professor, nem sou, o que poderia se dizer, letrado.
    Mas aqui em casa sempre tive o incentivo a leitura, minha avó, mesmo analfabeta, ficava ali, no meu pé para que, alem de aprender, gostar do que aprendeu. Tanto que ela acabou indo estudar, aos 70 anos se matriculou no supletivo, pois mesmo já tendo aprendido a ler e escrever sozinha, ela queria mais e mais. Infelizmente acabou falecendo antes de realizar o sonho de ter um diploma do segundo grau.

    Então algumas coisas acho que não devem ser colocadas em panos quentes, por exemplo, um aluno que acabou de prestar o ENEN não pode ir a um site e querer saber o gabarito para poder calcular se conseguirá sua “Bouça de Estudo” para faculdade.
    Também não pode uma professora de escola particular (e das caras) dizer que vai “ponhar” seus alunos para fazer uma determinada atividade.

    Eu não resisto, sou daqueles chatos que corrigem as pessoas na lata, infelizmente foi assim que fui criado, se eu falava ou escrevia bobagem era castigado, tenho calos nos dedos até hoje por causa dos cadernos de caligrafia, sem contar os beliscões que tomava tanto da minha mãe como da minha avó.

    A propósito, se verem algum erro favor me corrigir, eu agradeço muito.

  14. Janio Sarmento on 26 Sep 2007 at 3:16 pm

    Está bem, foi você quem pediu…

    “A propósito, se verem algum erro favor me corrigir, eu agradeço muito.”

    O correto seria “se virem algum erro”. O futuro do subjuntivo dos verbos é formado a partir da sua conjugação na primeira pessoa do pretérito perfeito. Assim, como o pretérito perfeito de ver é “eu vi”, o seu futuro do subjuntivo é “se eu vir, se tu vires, se ele vir, se nós virmos, se vós virdes, se eles virem”.

    Não há de quê. ;)

  15. MaxRaven on 26 Sep 2007 at 4:15 pm

    kkkkkkkkkk to rolando de rir aqui.

    Foi bem sem querer esta, tinha pensando em deixar algum erro, mas ai pensei que era melhor não, mas acabei deixando “um rabo”.

    Mas agora olhando o que escrevi já achei outro:
    “acho que não devem ser colocadas em panos quentes”
    o correto:
    “acho que não deveriam ser colocadas em panos quentes”

    Sei que está escrito corretamente, mas como o tempo está errado acaba passando outra mensagem, diferente do que queria dizer, afinal, infelizmente, coloca-se muitos panos quentes no assunto.
    Acho que tem de divulgar os comentários “vegetativos” até mesmo como alerta, até já vi algumas postagens descendo a lenha em quem faz isso com frequencia para atrair publico, por mim, quanto mais gente ver melhor, menor a probabilidade daqueles que leram repetir o erro.
    Tks pela correção, poe na conta :-)

  16. Educação na atualidade e o homem-gabiru on 10 Mar 2008 at 11:07 pm

    [...] A escrita é a maior invenção humana por permitir partilhar informação e conhecimento. Quando lida, conforme ressalva do Jânio em seu artigo “O que falta é leitura“. [...]

  17. Monica Loureiro on 07 Apr 2008 at 2:46 pm

    Janio
    Hoje descobri seu Blog procurando material da Sônia Belotto. Estou maluca pra ler o livro dela….
    Jânio, voce teria alguns livros legais ( animadores ) para indicar ? Tô precisando ler muito….Meu sonho ( AINDA ) é ser uma escritora…
    Monica
     
     
     
     
     

  18. Lucho on 07 Apr 2008 at 10:51 pm

    Ah não. Esse comentário aí de cima é uma ironia. Essa Mônica tá de brincadeira, tá de brincadeirinha. Essa Mônica é uma fanfarrona. :)Brincadeiras à parte, parece que o brasileiro tem alergia à leitura. Não pode ler uma palavrinha que seja, que acha que vai ficar todo empolado (está certa essa palavra). E a Internet, que muita gente achava que ia combater a falta de leitura da população, não está ajudando.

  19. MaxRaven on 09 Apr 2008 at 8:15 am

    Lucho, tbm achava (isso no inicio da internet comercial no mundo) que iria ter mais leitura por conta da internet, já desanimei.Mas voltando a este post, me lembrei de um escândalo regional, uma prefeitura da região contratou sem licitação a confecção e impressão de apostila voltada a vários assuntos escolares, dentre elas literatura, mas havia tanto erros de gramática que acabou tornando-se um “monstro”, até o MEC entrou na jogada, vamos ver no que vai dar, está no começo as investigações, nem saiu num grande veiculo.Mas o pior, a Sec de Educação, responsável pela licitação disse que eram só uns “errinhos”, que não fariam mal as crianças.Quando tiver mais informações vou escrever sobre o assunto.

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