04 Jun 2007
O Porco Inteligente
Quando eu era criança (talvez eu ainda seja, só tenham mudado a idade e o preço dos brinquedos) as condições financeiras da minha família não eram as melhores imagináveis. Meus pais trabalhavam muito, e para manter a mesa farta a gente sempre mantinha uma horta e uma pequena roça (num ano se plantava feijão, no outro milho, no outro aipim, e assim por diante, nunca repetindo a mesma coisa dois anos consecutivos para manter a terra em boas condições), bem como criávamos galinhas e porcos para abate e consumo próprio.
Eu sempre fui “diferente” das outras crianças da zona rural, pois detestava as coisas que para elas era o sétimo céu, desde pequeno adorava eletrônica, tecnologia, ficção científica, etc. Mas pior do que sentir desde que tomei consciência de mim que não pertencia àquele lugar, que era urbano até a medula, era ter de fazer a minha parte das lides domésticas.
Lavar a louça e o chão todos os dias depois do almoço era chato, mas não mortalmente chato. Terrível mesmo era a tarefa que me fora imposta, de cuidar dos porcos: eu só podia fazer o que quisesse depois de a casa estar limpa (ou seja, louça e chão lavados), os porcos devidamente alimentados e com a sede saciada, os chiqueiros limpos (isso era pra matar), a lição feita, e o pão e o leite para o café da noite devidamente adquiridos (no caderninho do armazém, naturalmente).
O resultado disso, claro, foi que eu cresci odiando porcos, logo nos primeiros anos depois que saí da casa de meus pais, aos quatorze, fiquei um longo tempo sem comer produtos suínos (eu mentia que era por causa da Gnose — ou porque tinha lido um livro do Huberto Rohden que dizia que a química do porco é a mais parecida no reino animal com a do ser humano, razão pela qual o Cristo teria ordenado que a legião abandonasse aquele homem e ocupasse os porcos que sem seguida se suicidaram — mas era trauma mesmo).
Mas todo trauma de infância uma vez analisado e observado se torna uma grande bobagem (ora maior, ora menor), e para provar que eu fiz as pazes com os porcos apresento aqui um vídeo genial de um programa do Animal Planet, em que um treinador mostra que um porco bem treinado pode ser tão inteligente e carismático — talvez até mais carismático — do que qualquer outro animalzinho comumente tido por inteligente, como os cães e golfinhos.
Maravilha, né?
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Isso é um cachorro no corpo de um porco!
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Os porcos são animais curiosos. Eu já tinha visto alguns documentários no Discovery Channel e Animal Planet sobre como eles podem ser inteligentes e carismáticos. Uma vez me surpreendi com um programa que mostrava o lado selvagem do porco, o animal apesar de domesticado a muitos anos se solto na natureza em poucas semanas volta a ter o instinto caçador e agressivo dos seus ‘antepassados’.
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