01 Apr 2008

O poder dos programas mentais

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Hoje é primeiro de abril, e muita gente está fazendo algo “muito criativo”: inventando notícias falsas e engraçadinhas para divertirem suas audiências.

Contrariando essa tendência geral, resolvi escrever sobre algo extremamente pessoal (embora possa generalizar o suficiente para o blog não virar caderninho de guria), que não tem como ser confundido com nenhuma brincadeira de primeiro de abril.

Na verdade a idéia para este texto nasceu num corredor de supermercado, mais especificamente o dos achocolatados. Eu estava indeciso entre comprar um pote de Toddy e um de Nescau. A indecisão se resolveu quando eu perguntei a mim mesmo qual dos dois eu preferia, de qual eu gostava mais. E o Toddy venceu.

Acontece que eu detesto Nescau, nunca gostei, mas apenas recentemente eu passei a comprar Toddy, não sem ter esse estresse de mim comigo mesmo a cada ida ao supermercado. E isto por um único motivo: quando eu morava com meus pais eles só compravam Nescau, Toddy nunca entrava lá em casa.

Contudo, eu saí da casa de meus pais aos 14 anos de idade, e desde então eu me sustento, não dependo mais deles para nada, e racionalmente falando não havia o menor motivo sequer para eu ter dúvidas sobre qual achocolatado comprar, se apenas um dos dois me agrada. Em outras palavras, há 21 anos que meu pai “não manda em mim”.

Comentei sobre esse assunto com algumas pessoas, a gente deu umas boas risadas da situação pitoresca em que eu mesmo me enfiei, e algumas reflexões surgiram. Os mais corajosos contaram de situações que eles mesmos criam para perpetuar algum comportamento aprendido na família, sem nem ao menos parar para pensar se tal comportamento faz sentido ou não.

Assim como eu ficava na dúvida numa coisa frívola como escolher o achocolatado, é possível que muitas escolhas minhas fiquem prejudicadas por conta de programas que rodam no piloto automático dentro da mente.

E você? Tem alguma estória assim para contar? Algo que você fazia sem gostar, e nem se dar conta de que não gostava, por puro automatismo? Os comentários são seus, fique à vontade.


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