O ônibus azul voador


Antes de mais nada, um aviso aos partidários de que posts pagos são imorais: o que você vai ler a seguir não é uma resenha paga, e sim fruto da minha observação sobre os serviços da empresa em questão. Da mesma forma, este texto não faz nenhuma alusão direta ou indireta a nenhum outro ônibus de cor nenhuma.

Ultimamente tenho viajado bastante, e de novembro para cá usei os serviços de quatro companhias aéreas: TAM, Gol, Webjet e Azul. É justamente sobre os serviços desta que desejo falar.

O título do presente texto foi inspirado pelo fato de as aeronaves da Azul terem menos assentos do que as de outras companhias; assim, enquanto as outras tem seis assentos em cada fileira, as da Azul tem apenas quatro, o que faz com que a analogia com um ônibus seja inevitável. Isto tem uma consequência muito bacana para quem é mais corpulento (tá, isso foi um eufemismo para “gordo”, mas pelo menos é mais genérico): as poltronas são mais espaçosas, e a gente não precisa mais ficar desesperado quando não consegue reservar o assento da saída de emergência.

O serviço de bordo da Azul também é muito melhor que o das outras empresas, não porque o cardápio seja assim tão bom (na verdade só tem porcarias, qualquer nutricionista ficaria mais do que indignado, ficaria magoado com a seleção de quitutes), mas por  causa da mudança de paradigma. Explico.

Considerando-se que eu, assim como milhares e milhares de brasileiros médios, só viajo pagando o menor preço possível e imaginável por uma passagem aérea, é normal que não espere fartura do serviço de bordo de um avião. Ainda assim, duas bolachas e uma barrinha de cereais sempre me pareceram meio ofensivo (todo mundo que viaja nas mesmas condições que eu sabe de quem esotu falando), tanto que eu nem aceitava essa “oferta”, sempre deixava para alguém mais necessitado.

Já na Azul, o passageiro tem à sua disposição (pelo menos foi assim nos dois vôos que fiz, deve ser praxe) batatas fritas, amendoins salgados, waffers de chocolate, cookies de doce de leite e — se não me trai a memória — mais uma opção de porcaria para encher o bucho. E diferente das outras companhias, que cobram mais caro que a Azul, a quantidade não está limitada a uma porção mixuruca por pessoa: cada um come o quanto quiser, servindo-se com suas próprias mãos dos tabuleiros que as gentis e bem treinadas comissárias fazem circular.

Esta sacada dos tabuleiros também é ótima em outro sentido: as companias mais tradicionais tem aquele antipático carrinho que fica atravancando o corredor (e quase sempre tem um imbecil que resolve querer ir ao banheiro justamente quando aquele trambolho está ocupando o corredor inteiro, causando constrangimentos à tripulação e qualquer um que sofra de vergonha alheia), e servem muito gelo num copinho plástico, e um pingo da bebida que o passageiro pede. Na Azul cada passageiro ganha uma latinha de refrigerante ou embalagem longa vida de suco só para si (repetições ilimitadas, como as bolachinhas).

Mas na verdade os serviços da Azul já impressionam antes da hora da comilança: ao entrar na aeronave o passageiro é recebido com um copo de água mineral e um sorriso da tripulação. Um mimo simles mas que pode significar a diferença para começar um vôo de maneira mais confortável.

No meu caso, a surpresa começou ainda mais cedo: quando voltei para Porto Alegre ontem cheguei várias horas mais cedo ao aeroporto, e fui logo efetuar o chek-in. A moça que me atendeu perguntou se eu queria realmente voar às 17h 30min, ou se eu preferia antecipar a viagem para as 15h, que tinha assentos disponíveis. É claro que aceitei antecipar a viagem, e isso não teve custo extra nenhum. Em outras companhias jamais me fizeram uma gentileza destas, nem eu pedindo, imagine espontaneamente!

Sem falar na pontualidade dos vôos, na alegria dos funcionários ao prestar até mesmo as informações mais bestas, por telefone ou pessoalmente, e na vontade explícita de agradar o cliente.

Para eu poder fazer uma resenha completa falta apenas eu ir a São Paulo com a Azul: de avião até Viracopos (Campinas) e de ônibus gratuito, com wifi, até a Capital.

E para a companhia ser a minha única opção (a TAM hoje divide este espaço), bastaria a Azul incluir Ribeirão Preto em seus destinos. Seria perfeito fazer uma conexão em Viracopos, e chegar em Ribeirão sem ter de enfrentar mais três ou quatro horas de Anhanguera.

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