Hoje estou de mau humor. Melhor, digo, pior: estou de péssimo humor. Costuma acontecer de meus posts quando estou de mau humor serem os que mais agradam (a mim, já que a minha é a única opinião que importa, entenda você sarcasmo ou não).
E resolvi postar para falar de um mal que assola o planeta inteiro, sem exceção: a hipocrisia.
OK, há duas Exceções, claras como um Duplo Sol, mas não é sobre Elas que quero falar aqui.
Para dar contexto, vou contar uma historinha.
Meu amigo, em cujo apartamento estou morando, queria consertar um velho LG Shine que estava encostado. Sugeri que procurasse no Mercado Livre pelas peças de que precisava, que eu faria a compra usando o dinheiro que tenho parado lá (fruto das comissões que recebo), e ele poderia pagar a mim em dinheiro vivo.
Ele assim fez, e encontrou um sujeito que vendia pelo MercadoPago, ou pelo menos ostentava no topo do anúncio o selo do serviço.
Para quem não sabe, o MercadoPago é um serviço de intermediação de pagamentos que o MercadoLivre oferece, e pelo qual também paga seus afiliados. Por meio dele, o comprador paga o produto, o vendedor envia, e só depois do amém do comprador o MercadoPago libera o dinheiro para o vendedor, diminuindo assim a chance de fraude. Contudo, parece que o MercadoLivre anda obrigando os novos vendedores a operarem pelo MercadoPago, e o resultado podre disso é que muitos vendedores simplesmente não honram a opção do MercadoPago (que em última análise é escolha deles, pois poderiam escolher vender seu produto alhures, onde não houvesse a obrigação de usar o intermediário de que não gostam).
Por isso sugeri ao meu amigo que perguntasse antes se o vendedor toparia o MercadoPago, e ele o fez numa pergunta pública na sessão de perguntas do anúncio. E a resposta, claro, veio por ali também (não tinha como ser diferente), dizendo que poderia dar o lance que o vendedor honraria o MercadoPago.
Só que quem deu o lance fui eu, na minha conta, e imediatamente contatei o vendedor dizendo que era amigo do cara da pergunta no anúncio, e pedi para confirmar o frete, que se não fosse o valor que eu havia enviado faria a remessa da diferença pelo banco mesmo.
O sujeito então apagou a pergunta do meu amigo do anúncio, e me mandou um e-mail dizendo que não ia aceitar o MercadoPago, e que eu deveria pagar por depósito bancário. E o filho de uma égua mando o e-mail com tudo escrito em maiúsculas; talvez ele não tenha obrigação de entender de netiqueta, mas tem obrigação de ter bom senso e saber que ninguém em sã consciência escreve um texto todo em letras maiúsculas!
Respondi dizendo isso aí de cima: que ele havia se comprometido em aceitar o meu meio de pagamento (nem tanto pela desconfiança, mas sim porque tenho dinheiro parado lá e quero gastar), e que esperava o valor da diferença do frete, mas que não pagaria pelo produto de outra forma. Ele foi grosso dizendo que tinha muitas qualificações positivas, e que eu aprendesse a ler as qualificações dele para saber se ele era honesto ou não.
Aí a coisa começou a ficar divertida.
A primeira coisa que fiz foi mandar ele enfiar todas as suas bugigangas no respectivo orifício retrofuricular aonde o sol não chega. Depois falei que se ele tinha tantas qualificações positivas, não ia se importar de receber a negativa que eu estava enviando pra ele naquele momento (e enviei, claro). Finalizei dizendo que se ele fosse tão boa pessoa quanto queria parecer não teria mudado a palavra empenhada, não por nada, mas pelo valor que um homem dá à própria palavra.
Achei que ia ficar nisso a conversa, mas piorou. O filho de equina (maldito acordo ortográfico!) mandou mais uma mensagem — toda em maiúsculas, que o caps lock dele deve ter sido colado com super bonder —, dessa vez dizendo que era um velho de 66 anos, aposentado, que vendia bugigangas no MercadoLivre para complementar renda, que eu tinha ofendido sua honra ao duvidar de sua honestidade, que eu deveria procurar ajuda psicológica e que Deus me protegesse.
Pausa na narrativa: não sei o que é mais rasteiro pra um homem, se é apelar pro coitadismo pra justificar sua falta de caráter, se é chegar aos quase setenta anos de idade — se é que isso é verdade — mentindo e apagando rastros para coroar a falta de valor de seu verbo, ou se é a mania de misturar Deus em tudo quanto é assunto. Pior que isso: o que leva qualquer ser humano a pensar que pode ter um relacionamento com Deus melhor do que o meu (ou o de qualquer outro ser)?
Respondi ao sujeito, com o fito de mais uma vez encerrar a conversa, que ele deveria se dar conta que é um exemplo para as gerações mais novas, querendo ou não. No caso, um mau exemplo da atitude de um homem, ao não sustentar a palavra dada. E sugeri que ele — que tentava parecer tão religioso — exercitasse a memória para lembrar do que aconteceu com os mercadores do templo.
Pois então, o muar me respondeu mais uma vez, dizendo que eu não sou boa pessoa, já que não acredito em nada.
Então, recapitulando:
- o provecto muar dá sua palavra num dia, e muda-a no outro;
- o coliforme antropomórfico tenta se projetar como “o cara” esfregando uma reputação fajuta na minha cara;
- o desprezível apela para uma engulhante coitadice (veja, sou um velhinho aposentado que só se fode nessa merda);
- o bípede equino vem para o meu lado querendo atiçar Deus contra mim, como quem grita “pega” pra um cusco esfomeado.
E o mau caráter ainda sou eu? Ah, dá um tempo!
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Jânio
Esses teus posts de mau humor são sensacionais.
A volta que tu dás para não descambar um jorro de palavras chulas sempre me fazem rir.
Mas convenhamos, parece que as pessoas sabem que vão mexer com quem não devem. Olha a cabeça do velho, caso realmente seja um ….
um abraço
Janio, quanto ao conteúdo do artigo em si, acredito até que você foi bonzinho. Um sujeito que apaga um email porque não vai manter a palavra é apenas um escroto, não tem nada a ver com Deus. Ou melhor, tem sim. Mas na hora de ficar cara a cara…
Mas eu queria falar de outra coisa. Se eu usar alguns destes termos que você usou aí seria plágio? Cara, tou morrendo de rir ainda! E ainda por cima vou ter que procurar por aí o que viria a ser “provecto muar” e “coliforme antropofórmico”. Você não chamou o cara disso aí, pois não? O pobre não iria entender nada.
Bruno.
Pode usar sim, sem problema.
Pra encurtar tua pesquisa: provecto é velho, e muar é mula.
Antropomórfico é que tem forma de gente, e coliforme você procura no dicionário.
Rerere… valeu..
Muar eu já sabia, claro. Ficou bem legal. Mula velha. Mas eu estava brincando. Cada qual tem seu jeito de escrever. Se eu fosse usar estes termos, provavelmente não ficariam tão bem colocados. Prefiro ler seus artigos. Espero que alguém te aporrinhe a vida logo, pra você sair com mais algumas (quem tem um amigo assim, não precisa de inimigo…).
Bruno.
Não pretendo mais me estressar com ninguém assim, mas nada impede que eu visualize situações e escreva textos fictícios sobre aporrinhações em geral.
A dúvida que vai ficar é se devo marcar o texto como ficção ou deixar quieto para atrair atenção.
Deixa quieto. Ou então deixe o leitor na dúvida. Aconteceu ou não? Quem adivinhar ganha um pastel de carne…