Talvez o título deste artigo esteja errado. Talvez fosse melhor O Lado Bom de ser Meio Nerd. Afinal, eu não sou exatamente isso que a Wikipedia descreve, mas sou, digamos, meio ávido por informação e tecnologia.

E esta estória começa justamente no final de semana passado, quando percebi que do nada minha conexão de Internet caía, forçando-me a dar um reset físico no modem para restabelecê-la. Como era fim de semana e eu tinha coisa melhor pra fazer (o que prova que não sou assim tão nerd), deixei para ver com o suporte da GVT na segunda a causa do problema.

Na segunda-feira não pude fazer nada, pois caiu um aguaceiro sobre Porto Alegre, e acabou faltando luz na minha casa.

Na terça-feira liguei, e o que ouvi foi péssimo: o meu modem (Parks Altavia 670R) é conhecido por ter uma falha de projeto que ocasiona esse tipo de travamento de tempos em tempos. Eu deveria fazer upgrade do firmware do modem, e nisso o suporte da Parks me ajudaria. Lá fiquei eu esperando até quarta na volta da ACM (oportunamente falo das aulas de hidroginástica) para fazer o upgrade do firmware do modem, e descobrir que não era esse o problema.

Pensando bem, não poderia ser esse o problema mesmo, pois até o fim de semana anterior tudo fluía como neve derretida montanha abaixo. Mas o óbvio não saltou aos olhos, e lá fui eu novamente pedir penico para a GVT. O atendente dessa vez me pediu para habilitar o firewall do modem, pois ele já tinha tido sucesso com outros clientes fazendo esse procedimento.

Eu acredito que está tudo certo sempre, o tempo todo. Então, eu tinha mesmo que ligar para a GVT para habilitar o firewall e descobrir que o segmento de rede a que eu estava conectado naquele momento estava sendo alvo de um ataque de “portscan”. Mais uma pesquisa no Google sobre o bug do 670, e descobri que o software do roteador tem dificuldade em lidar com uma grande quantidade de requisições UDP. Bingo, era isso! O cara escaneando a rede acabava gerando conexões UDP que disparavam o bug do roteador.

Acabei então habilitando o firewall que a própria GVT oferece aos seus assinantes. Pois o firewall do modem embora não deixasse os pacotes “perigosos” chegarem aos micros, não tinha como impedir que eles trafegassem até o próprio modem, o que comia minha banda e continuava disparando o maldito bug do UDP. E foi realmente muito bom ter feito isso, a conexão estabilizou um bocado, e até a impressão de maior velocidade eu tive.

Mas a conexão continuava caindo, embora demorasse mais. Só podia ser, então, algo na minha rede local, mas o quê?

Resolvi dar uns pings no IP do roteador, e descobri que alguns pacotes se perdiam. Ou seja, meu “Encore 8 Port NWay Switch” havia entregado a rapadura. Para testar desliguei o switch e conectei o modem direto à placa de rede do PC. Naveguei por uns quarenta minutos, acessei o banco, a F2B, li e-mails, fiz tudo que um usuário comum faz, e realmente não houve nenhuma queda de conexão. Só que eu precisava que o notebook também ficasse conectado à Internet, logo manter o PC ligado direto ao modem não seria uma boa opção.

Estava disposto a deixar esse problema para resolver no sábado, quando resolvi acionar o Azureus, e então a surpresa nem tão surpreendente: o modem voltou a travar. O desgraçado não estava mais agüentando o tranco de lidar com o tráfego gerado pelo Bittorrent. As coisas estavam ficando ruças.

Eu já havia tentado no passado fazer o notebook e o PC conversarem por meio do roteador wireless (marca LG, modelo LWG5404R), mas não tive habilidade suficiente para fazer os dois roteadores conversarem. Por esta razão havia desistido de usar o wireless para algo mais fora do estritamente normal, como navegar pela web e conectar pelo MSN. A única solução que me pareceria viável seria se eu pudesse ligar todos os computadores ao roteador wireless, contanto que este recebesse um IP de Internet na porta WAN (e não IP da rede do roteador ADSL). Moleza, dizeis, pois! Bastaria habilitar o ZIPB no roteador ADSL, fazer com que o roteador wireless fosse a única conexão direta àquele outro, e certamente estaria resolvido o problema do IP válido!

Dito e feito! Foi só habilitar o ZIPB, remover completamente o switch, ligar o PC a uma porta LAN no roteador wireless, o notebook pela própria wi-fi, reconfigurar o Samba para que os dois computadores… “Peraí”… Como é mesmo que eu configuro o Samba pela web? Bom, o Gian também é nerd, e àquela hora certamente estava vendo CSI. Liguei pra ele pra perguntar qual era a porta do Swat, e ele respondeu: “cara, não me lembro, mas tem um arquivo /etc/services que te diz isso”. Melhor do que dar a barbada é ensinar como descobri-la! Tudo configurado, era hora de testar.

Parecia um sonho: eu estava novamente navegando, e finalmente o notebook podia acessar os recursos compartilhados no PC sem uma porcaria de um cabo de rede entre eles. Beleza! Agora era só partir para a prova de fogo: o Azureus!

Primeiro, as boas novas: como o Azureus tem suporte a uPnP (Universal Plug’n'Play) ele mesmo “avisou” para o novo roteador de que portas precisava, e estas foram alegremente liberadas e redirecionadas. Mas o DHT continuava não funcionando, e o pior: a conexão estava caindo a cada dez minutos ainda.

Hoje pela manhã liguei para o suporte da Parks disposto a dar um esporro em todo mundo, e o que ouvi foi: “senhor, seu modem precisa ir para assistência, pois o problema com certeza é de hardware”. Só que o desgraçado já foi descontinuado, e pagar para consertar um aparelho obsoleto sem ter a certeza de que tudo funcionaria a contento não era uma opção. Perguntei que modelo o atendente sugeria, caso eu fosse fazer a reposição, e ele me sugeriu um tal de Altavia 614, bem como me deu o telefone de quem poderia fazer a venda.

Liguei, e descobri que eu não queria comprar um 614: o preço dele é mais de R$ 700,00 (isso mesmo, setecentos reais). A menina então me disse que aquele é um modem usado mais em ambientes corporativos, pois ele já sai de fábrica com algumas configurações e recursos que privilegiam VPN. Como eu queria para uso doméstico, ela sugeria na mesma faixa de preço um 3Com com roteador wireless integrado, e o escambau. Ainda assim, sete “pernas” não faziam (nem fazem) parte do meu orçamento. Ela foi recuando nos modelos, até que chegou a um tal de Siemens 4200 que ela me fazia no cartão em seis vezes de R$ 39,00 (já incluída a taxa do motoboy, bem entendido). Muito melhor, mas ainda assim um gasto de R$ 234,00 que não estava previsto.

Passei um dia péssimo, pensando nesse assunto e em outros (como o fato de terem “sumido” misteriosamente os registros de dois dias de trabalho). E ao chegar em casa, depois de ligar uma musiquinha, lembrei novamente do óbvio.

O modem continuava travando porque o bug que despertara estava no software de roteamento. Mesmo que o ZIPB entregue um IP válido à primeira conexão, é o servidor DHCP interno do modem o responsável por isto. Portanto, o roteador continuava funcionando, mesmo que mascarado. Solução para isso: pôr o modem em modo bridged, e fazer o roteador wireless discar.

Mais uma ligação para o suporte da GVT, e alguns passos (que, claro, não memorizei), e meu modem estava pronto para ser “discado” pelo roteador. Configura aqui, configura ali e… pronto! Deu tudo certo!

A essa altura, a primeira coisa que eu queria fazer seria rodar o Azureus. Cinco minutos, e a conexão estável. Dez. Vinte. Uma hora. Até esqueci que estava monitorando a queda de conexão! Agora só faltava experimentar o aMule, e chegar à conclusão que sem fazer port forwarding adequadamente eu jamais conseguiria conectar com um HighID.

Este é o ponto em que o LG se mostra o pior roteador wireless que eu poderia ter comprado: o manual é uma porcaria, e não tem documentação sobre ele na Internet. Nem o Google foi capaz de me ajudar. Mas com um pouco de inferência e ensaio e erro, descobri que os “virtual servers” do desgraçado são regras de port forwarding/mapping. Criei uma regra liberando as portas do aMule, reiniciei o roteador, e quase tive um orgasmo ao ver que estava conectado com HighID, que o Azureus estava com todos os torrents verdinhos, que o DHT estava funcionando feito um reloginho suíço, e que as conexões entrantes estavam sendo todas redirecionadas ao meu PC, como eu queria que fosse.

Dessa saga toda, o saldo foi o seguinte:

- sobrou um switch “la garantia soy yo”;
- sobraram dois cabos de rede que não têm mais o uso de antes;
- minha conexão está melhor, devido ao firewall da GVT, que eu não usava antes;
- o notebook virou portátil realmente, pois agora ele consegue usar os recursos do PC, compartilhados via SAMBA;
- meu roteador wireless ganhou utilidade;
- economizei um monte de grana, por não precisar mais comprar um novo modem;
- aprendi pra caramba com esse episódio todo!

Enfim, foi um parto de porco espinho até identificar todos os problemas que de repente apareceram, e foi muito bom conseguir resolvê-los sem depender de gastar mais dinheiro, usando os recursos que eu sempre tive disponíveis.

Não ser um “usuário comum” de informática até que tem suas vantagens…

Textos possivelmente relacionados a este

Marcadores:

Arquivado em: Diversos

Gostou deste texto? Assine o feed e receba muitos outros!