De vez em quando sou acometido de uma indignação visceral por conta de determinados comportamentos que presencio (sem, no entanto, ser hipócrita ao ponto de negar que mesmo eu eventualmente os cometa). O mais abjeto de todos, sem dúvida, é o “coitadismo”, ou “a síndrome do coitadinho”. Sem entrar nos méritos de que o paternalismo do governo alimenta este tipo de comportamento nem falar na já lendária e histórica “lei de gérson” é possível discorrer um bocado sobre o assunto apenas observando exemplos diários que nos rodeiam.
Falando de maneira um pouco mais generalizada e abstrata, podemos ver o quanto o sucesso incomoda os perdedores, que não raro alimentam falácias e calúnias com o fito de desmoralizar aqueles que não se envergonham de ganhar dinheiro. Ou os que nascem em lares mais abastados e que por isso são rechaçados pela maioria pobre da sociedade, ou mesmo são roubados e saqueados descaradamente.
Tenho um amigo que teve a sorte de nascer em uma família rica. Ainda jovem ganhou uma casa enorme para morar com a futura esposa, herdou uma fábrica, prédios, apartamentos, terras. No final da década de 1970 ele teve o “privilégio” de ver seu patrimônio ser depredado por uma gangue de terroristas travestidos de socialistas, que sob a alegação de que iriam promover distribuição de riquezas invadiram a fábrica e deixaram 70 empregados impossibilitados de alimentar suas famílias, prejuízos gigantes para o empresário, e nos filhos que eram pequenos na época um trauma indelével, que os faz até hoje terem ódio de qualquer coisa associada à sigla PT.

Foto: Roberto Jayme/Reuters
Trinta anos depois, após décadas injustamente pagando dívidas e indenizações às famílias dos empregados daquela época negra, este meu amigo tem uma área de terra de extensão razoável próximo ao centro urbano da cidade onde mora. É o último patrimônio que restou a quem preferiu desfazer-se do que tinha a deixar desamparadas as famílias que com ele trabalharam. Mas meu amigo está impossibilitado de usar este patrimônio, porque cerca de trezentas famílias de coitadinhos “sem-terra” invadiram suas terras, roubando o patrimônio alheio, sob a bandeira de um pretenso assistencialismo hipócrita. “Sem-terra” entre aspas, porque os líderes de tal movimento são almofadinhas que andam de carros novos, com roupas de marca, e não se preocupam com o quanto possa custar ficar falando incessantemente ao celular.
Mas este é um exemplo de coitadismo extremo. Há outros exemplos mais corriqueiros, e que pelo fato de serem comuns já estão se tornando comportamento não só aceito como esperado dos cidadãos.
Por exemplo, temos o código de defesa do consumidor.
Quando foi criado, ele tinha o objetivo de proteger o consumidor das práticas abusivas que alguns lojistas mantinham, e que relegavam o consumidor a um plano de impotência e subjugação. Por exemplo, é louvável que as lojas sejam obrigadas a evidenciar os preços das mercadorias na vitrine, para evitar que um possível interessado seja constrangido a entrar numa loja apenas para perguntar o preço de uma mercadoria que talvez nem queira comprar.
Com o passar do tempo, contudo, o jogo virou, e vejo a necessidade premente de se criar um código de defesa do vendedor, com o fito de proteger os empresários da má fé de alguns clientes.
Haja vista o fato de o vendedor ser, por lei, obrigado a aceitar devoluções incondicionalmente dentro de sete dias a contar da data da compra, para qualquer mercadoria vendida, muitos compradores se acham no direito de fazer experimentações com produtos novos neste ínterim. E ao devolverem para o lojista um produto que foi instalado e usado, e que deixou, portanto, de ser novo, obrigam este a arcar com prejuízos oriundos da falta de noção e critério do comprador.

Crédito da Imagem:
Wal-Mart thief: ‘Child Support Made Me Do It’
Muito se fala em respeito, mas pode existir algo mais desrespeitoso do que negar a um comerciante a possibilidade de evitar ser roubado? Por que é que o respeito tem de ser unilateral, só o comerciante (que os coitadinhos chamam de “burguês”) tem de submeter-se ao que quer que venha a dizer um pusilânime incapaz de arcar com os próprios erros, sem nem ao menos direito a defesa?
Entretanto, sou partidário da idéia de que um mundo melhor começa a se construir em casa, pela gente mesmo. Embora de vez em quando eu ainda cometa erros de avaliação, tenho tomado o máximo cuidado para associar-me somente a pessoas éticas e responsáveis, o que tem me garantido passar um tanto quanto incólume por esse mar de patifaria que virou esse País a que estou ligado por um inexorável atavismo.
Por fim, o que me faz dormir tranquilo é uma confiança plena na lei de causa e efeito, aquela mesma que diz “aqui se faz, aqui se paga”. Nem que demore vidas.


Infelizmente ainda não existe um código que defenda os dois lados igualmente, quem trabalha com prestação de serviços, principalmente na internet, sabe que é necessário muito cuidado para não terminar com prejuízo.
Já desenvolvi um trabalho e depois o cara passou meses enrolando até eu desistir de cobrar.
Mais experiente pedi 50% antecipado e depois de desenvolver o trabalho completo o cliente disse que estava com problemas financeiros e depois pagaria os outros 50%.
O foda é que no final das contas a gente sempre é visto como “o barãozinho safado que tenta enriquecer mais ainda as custas do pobre do cliente, honesto e coitadinho”.
Caríssimo,
Tenho que pesquisar melhor, mas não recordo desta norma de poder devolver mercadorias até sete dias depois da aquisição no CDC.
Nos EUA existe, mas o produto deve estar na sua embalagem original, e lá existem reempacotadoras que dão a volta nos clientes – ou seja revendem produtos usados com “cara” de novo.
Em todo caso sempre vai existir má-fé em ambos os lados e não é através de lei que se vai evitar isso.
No entanto de alguma forma você se indispõe com as normas, muitas não cumpridas, que estabelecem regras para o atendimento de empresas de telefonia?
Abraços,
[...] que deram pro rapaz foi também um dos mais apedrejados — por causa da cultura do coitadismo, imagino, ou então porque as pessoas ainda não entenderam que só a viadagem [...]