29 Sep 2005
Nós sabemos o que é melhor para você
Quem é cliente do Banco do Brasil sabe que agora inventaram uma história de “cadastramento de computadores”, para que apenas máquinas autorizadas tenham acesso ao Internet Banking.
Quando o cliente entra na sua conta se depara com uma mensagem muito bem redigida, com um esforço evidente em persuadir o leitor que o Banco do Brasil sabe o que é melhor para ele, e no final convidado a clicar em um atalho para uma apresentação que fala das vantagens de se cadastrar o computador que acessa o Banco.
Creio que a parte que fala das desvantagens esteja dentro de uma <div style=”display: none”>, pois não fui capaz de encontrá-las com a mesma facilidade que as alegadas conveniências. Tampouco explicaram que tipo de “componente” é instalado no computador, nem sua compatibilidade com qualquer sistema operacional que não seja o utilizado pela maioria.
Sim, isso mesmo, eu uso Linux, e vou continuar usando. Certamente meus caraminguás só fazem rir os executivos de TI do Banco do Brasil, pelo quê eu posso encerrar minha conta lá a qualquer momento que eles não estão nem aí.
Mas tenho o dever de exercer meu direito de manifestar descontentamento, e assim fiz. Enviei uma mensagem à Ouvidoria do Banco (que deverá me responder com alguma mensagem padrão), que teve de ser suscinta devido ao exíguo espaço que disponibilizam para esse tipo de contato.
Gostaria de manifestar meu descontentamento com a atitude do Banco ao criar o “cadastramento de computadores” sem fornecer ao cliente embasamento técnico suficiente para decidir se é realmente bom ou não que ele permita a instalação do referido componente em seu equipamento. Aliás, não ficou claro se trata-se de um programa, um controle ActiveX, um applet Java, nada. Além disso, presumo que a solução adotada pelo Banco (Sniper?) só funcione em ambiente Microsoft, exigindo a utilização do navegador mais inseguro que existe, o Internet Explorer, num sistema operacional que por acaso não é o meu, pois não julgo conveniente investir centenas de reais em software de qualidade duvidosa que pode ser substituído por software gratuito, seguro e estável (sou usuário do GNU Linux). Lamento que a criatividade dos profissionais de TI de uma instituição como o BB simplesmente nivelem por baixo a possível exigência dos clientes, bem como ignorem a franca expansão do software livre junto à sociedade. Queira Deus que eu esteja absurdamente errado e que precise me retratar, devido à solução do BB não ser focada em Windows como eu imagino. Serei obrigado ao mais agradável “mea culpa” da história.
Só pra constar, caso alguém não saiba: o correntista não é obrigado a aceitar o “cadastramento” de seus computadores, mas caso não aceite ele fica impossibilitado de movimentar sua conta via Internet. Ou seja, nada de transferências bancárias, pagamento de contas, cancelamentos ou inclusão de débitos automáticos. Só consultar saldo.
Outras instituições bancárias também vêm querendo mostrar serviço em termos de privilegiar a segurança do correntista, investindo milhões de reais em produtos cuja utilidade é mais fácil de comprar do que de comprovar (por parte do correntista). O princípio básico é um software que se instala no Windows, e fica monitorando as conexões de Internet. Quando o usuário resolve entrar no site do seu banco o software entra em ação, criando uma espécie de túnel VPN, conectando o computador da pessoa diretamente à rede do Banco. E é claro que isso só é possível porque este software está instalado garantindo a autenticidade do responsável pela conta.
Sem entrar no mérito de que essas soluções atacam problemas específicos de uma plataforma operacional, tenho a opinião que com um pouco de imaginação seria possível evitar as fraudes sem incorrer na exclusão dos usuários que não vão com a maioria feito bos… (melhor não comparar).
Por exemplo: acho que a solução do Banco Real, que consiste em um cartão com 50 seqüências numéricas de quatro algarismos, que deve ser consultado a cada acesso ao Internet Banking (o sistema pergunta “qual a enésima senha que aparece no seu cartão”), é mais eficiente e democrático (e transparente) do que programas que se instalam misteriosamente apenas porque o usuário decide que “se o preço de eu não aceitar esse troço é não poder movimentar minha conta, então eu aceito”.
Talvez o custo se elevasse, mas certificados digitais armazenados em smartcards, ou mesmo dispositivos de autenticação por biometria, contanto que funcionassem nos mesmos dispositivos (hardware mais sistema operacional) que os usuários já usam normalmente, também seriam uma solução muito melhor.
Pra quem acha que os bancos estão certos em ignorar os usuários de sistemas não-Windows porque a mairia absoluta o utiliza, deixo uma citação que vi pela primeira vez numa tagline que capturei pelo BlueWave: “cem bilhões de moscas não podem estar erradas; coma merda você também”.
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Eu não tive problemas como o cadastramento de computadores no Linux, utilizo o fedora core 3 em uma partição, o Debian sarge em outra; e tenho um outro computador com FreeBSD. Comigo funcionou nos três, inclusive o sistema reconhece as duas versões do Linux como um único computador.
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