09 Nov 2004
NO STRESS

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Bem, depois de passar poucas e boas, a ponto de brigar na rua por causa das antas que não levantam os pés para caminhar, resolvi meu problema de estresse na Avenida Borges.
Agora eu não vou mais por baixo do viaduto, como a maioria das pessoas faz. Ao invés, eu subo as escadarias e atravesso a Duque de Caxias por cima, o que me dá pelo menos três efeitos benéficos.
1) Não preciso mais penetrar a “crowd” ensandecida, preservando-me assim da gastrite.
2) A vista lá do alto da Duque é linda, principalmente em direção ao bairro.
3) O exercício de subir e descer tantos degraus faz um bem danado pras pernas e glúteos.
Mas parece que nunca me livro de estresse.
Na semana passada fui àquela loja Izishop que tem no subsolo do Rua da Praia Shopping. Precisava de CDs virgens e comprei um tubo de 100.
Chegando em casa gravei alguns, e no terceiro ou quarto o k3b (ou melhor, o cdrecord) abortou, alegando que era impossível gravar na mídia.
Tirei o CD da gravadora, e fiz uma inspeção na superfície de gravação, e para minha surpresa, havia pontos pretos, de tinta, na face gravável do CD, parecia um dálmata! Tá, menos, mas tinha pelo menos umas quatro pintinhas pretas.
Examinei um por um dos CDs, e constatei vários problemas de fabricação, desde as pintas pretas até arranhões na mídia.
Naturalmente foi até a loja reclamar, e pedir a reposição unicamente daqueles cinco discos com manchas pretas. O balconista ficou de me ligar à tarde, e não ligou, nem no dia seguinte (primeiro ponto negativo para os picaretas). Ontem fui lá, saber se o cara havia perdido meu telefone, e requerer meus discos, e fui informado “caradepaumente” que CDs são consumíveis, por isso não tinham como constatar que era problema de fabricação.
Enlouqueci!
Tentei argumentar, que não tinha como não ver as pintas pretas, que ele próprio havia constatado, mas o cara ficou irredutível, e, claro, o pobre é só um balconista, que tem que lamber os pés do patrão para não perder o emprego.
O que eu deveria fazer então seria procurar um órgão de defesa do consumidor. Não pelos cinco CDs, mas pela falta de respeito.
Só que, ao contrário, resolvi devolver na mesma moeda: “ah, a Izishop vai manter a falta de respeito comigo? Então eu também não vou ter consideração nenhuma com ela.”
Saí no corredor do shopping e fiquei falando alto com todas as pessoas que passavam, e principalmente com as que faziam menção de entrar na loja, para que não comprassem nada ali, pois eles vendem produtos com problemas de fabricação mas não honram a garantia. Foram uns quinze minutos de sadismo e raiva, eu torcendo para que o segurança viesse ignorar pra eu ligar pro meu amigo que trabalha na RBS pra ele fazer uma reportagem para o Diário Gaúcho, bem ao gosto do povão.
Saí dali e fui almoçar. O bife estava uma verdadeira delícia!
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