17 Jul 2007

Não se faz Maçonaria com Antigamente

Arquivado em: Uncategorized

Compare Preços no JáCotei:

CD-R Gravável EMTEC 80 min c/ 50 Unid.
CD-R Gravável EMTEC 80 min c/ 50 Unid.



Secador de Cabelo Ga.ma Compact
Secador de Cabelo Ga.ma Compact




Estava eu lendo o blog de uma mui especial amiga minha, especificamente uma página sobre os Arquivos Akáshicos, quando fui surpreendido com um anúncio por meio do Google. O anunciante era um site cujo domínio era formado pelas iniciais do Rito Escocês Antigo e Aceito, seguido de um .com.br. O texto do anúncio, que não consegui resgatar (infelizmente) dizia algo como Maçonaria: solicite sua filiação.

É difícil de descrever em palavras o sentimento que experimentei, mas creio que “decepção” seja o termo mais coerente neste momento.

Embora meus leitores me chamem de rapaz novo, sou do tempo em que Maçonaria era também chamada de Arte Real. Ninguém pedia para entrar na Ordem: os Mestres Maçons é que, quando identificavam um Maçom potencial, é que sugeriam o seu nome em Loja. Aí a Loja designava um Irmão que faria a sindicância, ou seja, uma investigação da vida pública do sujeito, que tinha de ter algumas características morais para ser aceito, bem como atender algumas exigências formais (como não estar sendo processado judicialmente, não ter cometido crimes, etc).

Naquele tempo também a Maçonaria era coisa de homens, de gente de caráter firme e espírito desejoso de melhorar (ou “desbastar a pedra bruta”). A iniciação era uma cerimônia carregada de simbolismo, na qual os Irmãos mais antigos se esforçavam ao máximo, para que o neófito fosse apresentado a todos os símbolos com a devida carga emocional, o que lhe daria subsídios para uma vida inteira de investigação, se assim desejasse.

Naquele tempo honravam-se juramentos, não por nenhum outro motivo senão a própria palavra empenhada: se um homem promete alguma coisa, ele cumpre, e se o faz sob juramento, então nem se fala.

No meu tempo, Aprendizes cumpriam o interstício regulamentar antes de passarem a Companheiros, e estes o mesmo antes de passarem a Mestres. E essa transição, que detinha um cerimonial próprio e quase tão importante quanto a iniciação, só era efetivada depois de o sujeito demonstrar aptidão e mérito para tal.

Hoje não.

Hoje registram um domínio .com.br e fazem uma campanha no AdWords. Abrem a Ordem para “adesões”, num proselitismo absurdo e nonsense. Desconfio até que — dada a observação dos métodos de captação — basta que o neófito mantenha as mensalidades em dia para que seja “promovido”.

É claro que não estou dizendo que as Lojas não devem se modernizar. Não estou dizendo que a as Lojas não possam ter páginas na Internet, ou que não devam levar seu conhecimento ao mundo dito profano. Longe disso.

Contudo, levar a informação acerca da Maçonaria ao conhecimento público, como seria feito em qualquer sessão branca, é algo muito diferente de abrir inscrições na Internet, como se a Ordem fosse um clube esportivo. Em minha concepção, sites maçônicos deveriam ser guardados por senha, e nem precisaria ser cadastrando usuários: há perguntas cujas respostas exatas apenas iniciados saberiam, e um sistema de autenticação simples e eficiente poderia ser criado a partir daí.

Enfim, talvez o problema seja eu mesmo, que ainda acredito na palavra empenhada, no fio de bigode e no valor do juramento. Será que isso já virou romantismo? Espero que não.

Textos possivelmente relacionados a este





12 Respostas para “Não se faz Maçonaria com Antigamente”

  1. Traichel on 17 Jul 2007 at 8:58 am

    Pois é, ouvi um outro mano mais velho comentando que nos EUA tem loja com mais de mil membros, mas estes não freqüentam, apenas pagam as mensalidades, como se fosse um seguro de vida. Daí pergunto: pra quê? Só pra mostrar uma carteirinha e dizer que é maçom? Pra mim maçom é aquele que vivencia o que realmente importa, ou seja, o convívio fraterno e traz para a vida aquilo que aprende!

    TFA!

    p.s. O blog80 tava descansando, esta semana recomeça!

  2. Traichel on 17 Jul 2007 at 9:03 am

    Em tempo: cara, não vi no site o número da loja nem a que obediência está submetida. Estranho para quem foi fundada em 49…

  3. Nospheratt on 17 Jul 2007 at 11:01 am

    Não vou opinar sobre a maçonaria ou o que ela deveria ser, mas concordo plenamente com o cenceito de “palavra empenhada, no fio de bigode e no valor do juramento”. Infelizmente, essas coisas não viraram romantismo, e sim coisa pior: Coisa de babaca.

    Hoje em dia, o que é valorizado é ser espertalhão, levar a melhor sem importar a quê custo. A maioria dos jovens não fazem idéia do que é honra, palavra, muito menos do que é o sagrado. Tudo foi banalizado: o sexo, a religião, o crime, tudo foi conspurcado e igualado na bateia da “liberdade”.

    Compromisso? Só com o que me der na telha, me for conveniente e se eu estiver de humor para isso. A “palavra dada” é tão firme como um capim no vento. Já não existe nada mais importante do que as vontades de cada um.

    Meus Deuses, às vezes me sinto tão velha…

  4. dnara on 17 Jul 2007 at 11:08 am

    Meu querido amigo,
    Obrigada pela lembrança, e mesmo que não tenho lhe escrito, procuro estar em dia com a leitura do que você escreve.
    Tudo isto são sinais dos tempos, e as vezes parece difìcil acompanhar esses sinais, principalmente quando vem de coisas que foram ou são muito “caras” ao nosso coração.
    Mesmo assim, lembre que este tipo de situação somente serve para separar o que è puro, daquilo que jà perdeu a sua pureza inicial, e dar assim um novo rumo, um novo nascimento à parte realmente verdadeira das tradições.
    Tudo e todos estamos passando por uma especie de filtro, e nada nem ninguem escapa, aos ciclos naturais da Vida, de morte e renascimento.
    Por isso não se entristeça meu amigo, veja tudo isto como um sinal de renovação, que certamente nos alcançara a todos.
    Beijos miles!

  5. Rodrigo on 17 Jul 2007 at 12:22 pm

    Conheço pouco sobre Maçonaria mas esses grupos fechados sempre me causaram medo pelo força de suas idéias…

    Pode ser cisma minha então lerei mais sobre assunto para não cometer injustiças…

  6. Diego Ciconi on 17 Jul 2007 at 9:59 pm

    Janio,
    Desculpe a pergunta, aparentemente óbvia. Você é maçom?

  7. Janio Sarmento on 17 Jul 2007 at 10:19 pm

    Diego, desculpe a resposta aparentemente evasiva, mas por que quer saber se sou maçom ou não? ;)

  8. Rogério Marinheiro on 31 Jul 2007 at 1:59 pm

    Jânio,

    Tenho visto muitos destes anúncios e as páginas a quais eles levam são de “Lojas Maçônicas” não reconhecidas pelas potências estabelecidas.

    O que você fala sobre a maneira de aceitar um novo membro não mudou, o que acontece é que o golpe do vigário tem diversas formas, e esta é apenas mais uma delas.

    Infelizmente a ânsia de algumas pessoas em entender os mistérios da Arte Real (eu ainda a chamo assim), os leva a buscar caminhos tortuosos.

    Abraço fraternal,

    Rogério Marinheiro

    P.S.: S.’. M.’.?

  9. Janio Sarmento on 31 Jul 2007 at 2:54 pm

    Rogério: M.’. I.’. C.’. T.’. M.’. R.’.

    Contudo, ando adormecido, considerando acordar até o próximo ano.

  10. Thomé Sabbag on 15 Apr 2008 at 10:40 am

    Jânio, amigos e demais irmãos,

    “Esta coisa” divulgada no tal “site” não é (e nem nunca será) Maçonaria… é pura PICARETAGEM.

    Infelizmente sempre haverão otários pra acreditar e cair nestas arapucas virtuais.

    Importante que aproveitemos nossos espaços para divulgar o que seja a verdadeira Maçonaria e desfazer velhos e retrógrados conceitos propalados por pessoas ignorantes dos nossos princípios e/ou mal intencionadas.

    De qualquer forma quero parabenizá-lo por ter “levantado esta lebre” e questionado o comportamento de alguns poucos irmãos que, por também desconhecerem a seriedade dos compromissos assumidos diante de um Altar de Juramentos (Sagrado), vêem em nossa Ordem apenas uma forma de agilizar seus negócios.

    Cheguei até aqui através do Google, não só pelo título do seu “post” como também pelo seu comentário sobre o “valor do juramento”. Estou participando de um debate sobre este mesmo tema na Comunidade da Maçonaria Mista (Orkut)… sujiro inclusive que dêem uma olhada por lá (http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=680769&tid=2592540949625911778&na=4&nst=-3&nid=680769-2592540949625911778-2592543934628182498) e participem opinando.

    T:. F:. A:.

  11. ricardo on 10 Aug 2008 at 9:42 pm

    Parabéns pela colocação, alguns esquecem da máxima que MM. II. C. T. M. RR., assim, existirão Ii. sibernéticos ou melhor genéricos. É lamentável. T .’. F.’ A.’.. de Ricardo C.’. M.’.

  12. Rogério Marinheiro on 11 Aug 2008 at 6:02 pm

    Colegas e IIr.’. missivistas,

    A Arte Real pode existir sob diversas formas, apenas a discrição quanto a não divulgação de SSin.’. TToq.’. e PPal.’. deve ser mantido.

    O que é lamentável é não haver instrução dos M.’. M.’. para que os AApr.’. e CComp.’. acessem somente discussões permitidas. Se o Ir.’. Thomé acima pertence a alguma das PPot.’. RRecon.’. ele deveria saber que não deveria participar de uma comunidade dita Mista. Haja visto os Landmarks…

    Quanto ao Ir.’. Ricardo, concordo com a máxima, inclusive por que um só é I.’. se outro o R.’. C.’. T.’. e participar de atividades espúrias não contribui definitivamente para isto….

    Fraternalmente,

    Ir.’. Rogério Marinheiro, M.’. M.’.

Trackback URI | Comments RSS

Deixe uma resposta