16 Dec 2004
Não é bem assim…

Mini System Philips HI-FI FWM185

Notebook Semp Toshiba AS1528 256MB/1,5GHz/...

Ontem um amigo leu o post em que eu falava que tinha apanhado do SuSE, e me fez um comentário que não tenho condições de citar literalmente, mas cuja essência era: “Janio, se eu estivesse no teu lugar estaria chorando! É por isso que não instalo Linux na minha máquina, se der um problema desses eu não saberia resolver, nem teria a quem recorrer.”
Uma primeira impressão é difícil de se desfazer (e, deixem que eu seja muito honesto, não tenho a menor pretensão de “converter” quem quer que seja; no máximo sugiro às pessoas de quem gosto que migrem para Linux porque Linux é melhor, mas jamais faria ou participaria de uma campanha de “evangelização”). Mas de fato, a intenção não era afugentar as almas bem intencionadas de uma migração para o Sistema Operacional Livre.
Preciso esclarecer umas coisinhas, e vou fazer isso em partes.
Linux é fácil de instalar
Quando eu instalei meu Slackware, tinha exatamente os mesmos medos que tenho hoje. A vantagem que eu tinha nem era propriamente uma vantagem, pois meu amigo que fez aquele comentário pode contar comigo tanto quanto eu contava com o Gian para me socorrer. Óbvio que eu sei muito menos do que o Gian, mas sei o suficiente para me virar.
Então, quando eu instalei o Slack simplesmente criei espaço no HD com um Partition Magic da vida, e pus o CD de instalação para rodar. Toda a instalação é autoexplicativa, e não houve dificuldade em ter a máquina rodando macio como uma BMW numa autoban.
As distros modernas são assim, fáceis de instalar.
O SuSE, então, é ainda mais fácil, pois ele identifica o que existe no seu HD, e pelo próprio instalador é possível reparticionar ou redimensionar partições de forma a preparar o ambiente para receber o SO.
Usuários de bom senso não fazem o que eu fiz
Eu estava ciente dos riscos quando tentei fazer aquela instalação não padrão do SuSE. A responsabilidade é toda minha, pois eu me meti a experimentar kernels diferentes, a instalar outra distro sem remover a minha instalação original, etcétera, etcétera, etcétera.
É um erro comum quando a gente é escravo do software proprietário pensar que no Linux teremos de fazer coisas que normalmente não faríamos no Windoze. Mas na verdade um usuário médio não vai ter que ficar configurando placas de rede à unha, nem adicionando módulos no kernel a todo minuto. Mas, claro, quem se dispuser a aprender estas manhas, vai se divertir muito mais!
Não tem que ser especialista para usar Linux
Em abril ou maio, não lembro exatamente, uma amiga me ligou. “Janio, como eu faço pra remover o Windows completamente da minha máquina?”
Ela queria apenas remover o Windows, pois não agüentava mais a lentidão do PC devido à enxurrada de spywares que tinham tomado conta do sistema. Ela não queria reinstalar, só queria remover. Ajudei-a a remover a partição pelo fdisk, e ela desligou, agradecida.
Algumas horas se passaram, e eis que deparo-me com ela no Messenger. Fiquei espantado, pois não fazia muito eu havia ensinado a moça a detruir todo o conteúdo do HD, não entendia como ela, que não tem nada de técnica, estava já conectada e usando Messenger!
“Ah, Janio, é que eu enchi o saco daquele Windows podre e resolvi experimentar o Linus (sic). Eu tinha um CD do Kurumin aqui, mandei instalar, e estou adorando, a máquina ficou muito mais rápida, e agora não preciso mais me preocupar com spyware.”
Isso já tem uns oito meses. Ela não aprendeu a usar shell, nem a configurar módulos ou recompilar o kernel. Só sabe que agora ela tem um computador rodando rápido, seguro e confiável, no qual ela faz tudo o que precisa fazer. E ainda por cima não está infringindo nenhuma patente de software.
Conclusão
Eu sou um péssimo exemplo de utilização do Linux, assim como sou de utilização do Windows, ou de qualquer software. Ou hardware. Sou do tipo que fuça em tudo, que está o tempo todo querendo extrair algo mais da máquina (razão pela qual adoro a cria do Linus Torvalds). Minha mente inquieta foge ao padrão do usuário médio. Isso, claro, não é bom nem ruim, apenas me desqualifica como parâmetro de comparação.
Obviamente eu não me arrependo de absolutamente nada do que fiz ou faço, e se em algum momento alguém ler ou ouvir palavras minhas falando de arrependimento, esteja certo de que é apenas uma figura de linguagem, uma metáfora.
Carpe diem!
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