22 Aug 2007

Música boa e de graça

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Se tem algo de que todo mundo gosta é boa música. Melhor ainda se for de graça. Mas há pessoas que além de gostarem de boa música de graça não se importam de pagar o preço justo por um disco (eu juro que tinha escrito “elepê”, mas muita gente não entenderia).

Com o advento da Internet em banda larga na casa das pessoas comuns ficou facílimo para qualquer um medianamente treinado obter praticamente qualquer álbum ou filme sem precisar pagar por eles. Nesse caso, é claro, trata-se quase sempre de pirataria, pois as pessoas em geral deixam de pagar para aproveitar da obra audiovisual, ficando assim sujeitas às condições legais que protegem os estúdios e gravadoras.

Mas nem sempre tem que ser assim.

Há empresas antenadas e que entenderam como funciona a web, e como funcionam os usuários. Um exemplo é a Magnatune, uma gravadora americana — até onde eu sei — que usa essa propensão natural aos usuários da Internet de compartilharem informação, para divulgar o trabalho de seus não muitos artistas e bandas. Nenhum deles é famoso ainda, e de cada trezentos que procuram a gravadora, apenas um assina contrato, com o intuito de manter o nível dos álbuns.

Há bem uns quatro ou cinco anos eu já era ouvinte da Magnatune, que naquela época disponibilizava arquivos com as playlists para WinAmp, e atualmente dispõe — além das mesmas playlists — de um tocador em Flash, que permite a praticamente qualquer um escutar os discos inteiros antes de se decidir se quer ou não comprar as gravações.

Aliás, esta é a maior e mais genial sacada, que faz com que a Magnatune se destaque entre potências como a iTunes Store, ou outras que nem sei citar porque, decididamente, este não é um mercado que me seduza: o visitante pode ouvir quantas vezes quiser o álbum inteirinho, em alta qualidade, online, antes de se decidir pela compra. Ou seja, aquela estória de pagar quarenta reais por um CD que tem uma ou duas músicas do agrado do ouvinte cai por terra. Além disso, quando o ouvinte decide pagar pela música de qualidade que acabou de ouvir ele não tem que empenhar um rim ou metade do fígado para pagar: a loja sugere um preço de $8.00 (oito dólares) por álbum, mas o comprador pode pagar o quanto desejar para fazer o download das faixas (que podem ser posteriormente queimadas em um CD, por exemplo), a partir de $5.00 (cinco dólares). Mas não se engane pensando que todo mundo paga apenas cinco verdinhas por álbum: segundo o dono da gravadora o valor médio que as pessoas pagam por álbum é de $8.93. Isso prova que as pessoas não se importam de pagar pela música que consomem, elas não querem é ser espoliadas para ouvir uma gravação!

Cabe notar que a Magnatune está no mercado há anos, e cada vez com melhores artistas e álbuns, o que mostra que seu modelo de negócios é bastante adequado ao mercado que eles atingem: o planeta inteiro.

Para encerrar, deixo duas sugestões de música de altíssima qualidade para os apreciadores do que de bom a cultura pode oferecer (se a sua praia é — apenas — funk carioca, heavy metal ou RBD, Calypso e equinivelados, pode parar de ler agora).

A primeira é o álbum Transfado, da cantora portuguesa Anamar. Não vou nem tentar descrever porque não tenho capacidade para tanto. Só posso dizer que é divino. Além da voz linda, da interpretação absolutamente primorosa, dos arranjos deliciosos, das letras inteligentes e bem construídas, com toda a emotividade que caracteriza o Fado, as faixas se sucedem num ritmo surpreendente e prazeroso. Destaco as faixas… não… melhor não dar destaque a nenhuma faixa. Se eu escolhesse uma estaria sendo injusto com as outras nove.

A segunda sugestão é o álbum Masterpieces of the Ukrainian Choral Baroque do Coral de Câmara de Kiev. Foi meu primeiro contato com a Magnatune, há alguns anos, então tenho um especial apreço por este disco.

Tomara que o exemplo se popularize, e possamos ver mais empreendimentos como esse na Internet. Vida longa e próspera à Magnatune e a todos os que estão ligados a ela!

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13 Respostas para “Música boa e de graça”

  1. Fabio on 22 Aug 2007 at 3:35 pm

    Cara, eu já conheço o Magnatune há algum tempo. É muito legal mesmo, tem muita gente boa. Para quem se interessa por músicas que saiam foram do padrão “salsês” e “miguxês”, é um prato cheio.

    Grande abraço!

    [Reply]

  2. Rodrigo on 22 Aug 2007 at 4:23 pm

    Janio,

    Esta mudança nos modelos economicos vigentes devido a internet estão cada dias mais presentes. Eu fiz um post falando sobre isso, se puder, dê uma olhada:
    http://www.bravus.net/ate-tu-brutus-a-retro-evolucao/

    Abraço!

    [Reply]

  3. Marcus VBP on 22 Aug 2007 at 4:58 pm

    Muito boa a dica!

    Já adicionei aos meus favoritos. E 5-8 dólares é um preço muito bom até para o Brasil, o CD sairia por 10-15 Reais.

    Vou conhecer uns artistas novos ;)

    [Reply]

  4. Renato on 23 Aug 2007 at 1:01 am

    cara, essa dica foi muito quente…..valeu mesmo……
    vou dar uma pesquisada……..mas não deve ter música regionalista gaúcha nessa gravadora virtual né? (se bem que um CD gaudério normalmente custa menos de 10 reais……)

    Mas a idéia foi bem sacada……..melhor do que pagar 40 reais por um CD……

    Abraços…….

    [Reply]

  5. Alexandre on 23 Aug 2007 at 9:46 am

    Ô Jânio, que preconceito conosco. Nós headbangers somos limpinhos viu? Ahah, só pra constar, a Magnatune tem também algumas poucas bandas de Hard Rock e até de Black Metal. De qualquer forma, são muito boas também.

    Quanto ao Transfado, provavelmente você conheça, mas não custa mencionar, a cantora do Cabo-Verde Cesária Évora. A música dela não é puro fado, mas é tão bonita quanto. Pode procurar que é garantido.

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  6. Janio Sarmento on 23 Aug 2007 at 10:48 am

    Rodrigo.

    Não tem a força de um trackback, mas o link não tem nofollow. É bem por aí mesmo.

    Estou preparando um outro artigo, dessa vez para o Lucrando na Rede, sobre o modelo de negócios da Magnatune. Aí lá eu faço um trackback decente para o seu artigo, OK?

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  7. Janio Sarmento on 23 Aug 2007 at 10:50 am

    Marcus.

    É verdade, o preço é muito em conta. E como a receita vai metade para o artista, metade para a gravadora (que arca com todas as despesas do website, estúdio, etc), acho que é um valor muito bem pago.

    Eu particularmente tenho ouvido sempre online, mas já sei de algumas coisinhas que vou comprar para poder ouvir no walkman.

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  8. Janio Sarmento on 23 Aug 2007 at 10:52 am

    Renato.

    Ainda não tem nenhum artista gaúcho por lá, mas se algum artista ou grupo entrar em contato com a Magnatune e o trabalho deles for de qualidade, tipo aquele um que se destaca entre os trezentos, é certo que eles vão parar na categoria World Music.

    Seria muito legal, concordo com você!

    [Reply]

  9. Janio Sarmento on 23 Aug 2007 at 10:56 am

    Alexandre.

    Nem foi preconceito, eu só sugeri para quem curte apenas aqueles estilos e quejandos que não se estressasse em ouvir a sugestão que eu estava dando. Já houve situação de eu até ser chamado de “nojento” e outros adjetivos piores, porque eu disponibilizei um vídeo de um cantor espanhol de música romântica.

    Quanto à Cesária Évora, eu já conhecia e realmente a música que ela faz é linda, você tem toda razão. E talvez justamente por não ser puro fado que me agrade (assim como a Anamar).

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  10. Vinicius on 23 Aug 2007 at 6:14 pm

    uhauha uma vez eu tentei montar um site parecido com o Magnatune.. dei o nome de cena rock e no começo até bombou… mas depois caiu na mesmice….

    Acho que meu erro foi trabalhar somente em cima do rock

    [Reply]

  11. Janio Sarmento on 23 Aug 2007 at 6:48 pm

    Vinicius.

    O que houve com o site? Você detinha o direito de reprodução das músicas na Internet? Você deve saber do caso do Pandora, por exemplo, que agora não atende mais nenhum país fora os Estados Unidos, devido a restrições de licenciamento das gravações.

    [Reply]

  12. Vinicius on 23 Aug 2007 at 7:06 pm

    O problema maior era efetuar a transação de dinheiro… não tinha como receber o $$ na epoca não existia boleto online, e eu era menor de idade. Depois de um tempo ainda perdi o dominio “.com.br” porque estava no CNPJ de um laranja rs…

    No começo desse ano retomei o projeto com dominio internacional e tudo mais… só que por falta de tempo ele caminha bem devagar rs… Na verdade ele está no ar, mas estou mudando um pouco o foco, talvez fique parecido com o Trama…

    [Reply]

  13. Janio Sarmento on 23 Aug 2007 at 7:55 pm

    Se quiser uma força pra divulgar, estamos aí. A Magnatune não me pagou nada para eu escrever esta resenha, escrevi porque sabia ser este um assunto do agrado dos meus leitores. De repente o teu site pode aparecer com o mesmo destaque por aqui. Não é muita promoção, mas já ajuda, né…

    [Reply]

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