24 Jun 2008
Minha gata trepando

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Eu sempre leio o blog do Matt Cutts, aquele cara que é um dos engenheiros do Google, porque vira e mexe ele tem temas interessantes para quem tira o sustento, entre outras coisas, do tráfego obtido pelo buscador que paga o salário dele. O cara sempre fala da Emmy, a gatinha dele, que adora se enfiar em espaços apertados, e para quem ele comprou um objeto que é uma espécie de “caixa para gatos” para ficar sobre a mesa de trabalho.
Já faz tempo que quero falar sobre minha nova gatinha, a Clara (Bem vinda, Clara), mas por considerar, de certa forma, um assunto meio fútil, vou deixando pra lá.
Agora chega de besteira, e vou fazer um post no maior estilo caderninho de guria, e não quero nem saber. O que importa é que vou mostrar uma foto da minha gata trepando sobre o meu ombro, que parece ser um dos seus lugares favoritos.

Nesse exato momento ela está quase como na foto acima. Quase, porque está dormindo feito uma pedra, enquanto eu trabalho.
A Clara está comigo já há um mês. Portanto, foi antes de a Patrícia Pillar estreiar na novela com um personagem homônimo. Está na “adolescência” felina, deixando de ser filhote para se tornar uma gata adulta.
A história dela começa numa ninhada de não sei quantos filhotes, que foram rapidamente adotados por novos donos. Menos a Clara. A coitadinha, que nem tinha nome ainda, estava prestes a ser afogada no tanque de lavar roupa, porque os donos da mãe dela não queriam mais gatos em casa. A amiga de uma amiga minha acabou se compadecendo da gatinha, levou-a para casa e deu-lhe um nome.
Essa família tinha a Clara, mas cuidar dela mesmo é algo que eu não posso dizer que eles fizessem: no dia em que conheci a gatinha, essa família havia avisado que estava doando ou vendendo baratinho uns móveis, porque estavam indo embora do Brasil. Fui lá para comprar um sofá e um rack para a tevê (na verdade é um balcão, mas está servindo de rack) e acabei me deparando com a gatinha.
— Quer ficar com ela? A gente vai mandá-la embora hoje à noite, vamos largar lá na Redenção.
Como assim, largar na Redenção? Então o bicho fica seis meses com uma família, o que para o bichinho é 100% da sua puta vida, e de uma hora para outra é simplesmente descartável? O que tem de melhor em ser largada na Redenção para virar patê para cachorro do que ser afogada no tanque de água da roupa suja?
Eu ainda estava chateado pela perda do Tommy (Tommy’s dead, baby, Tommy’s dead), e não sabia se estava preparado para um novo bicho de estimação. Mas considerando as chances da Clara, achei que qualquer alternativa seria melhor do que os prognósticos de curto prazo caso eu não ficasse com ela.
Levei-a para casa. Magrinha, assustada, com ferimentos na cara (porque quem tem rosto é gente), fungos que deixavam malhas de pele sem pêlo. Só chegou dentro de casa e escondeu-se debaixo da geladeira, só saindo umas 16h depois, quando a fome apertou demais. No dia seguinte ela fugiu outra vez.
Ficou de domingo a sexta desaparecida, e na tarde de sexta eu chegava em casa com dois amigos, um deles viu a Clara no corredor do prédio.
— Janio, tem um gatinho preto miando aqui.
Ela havia entrado pela janela da vidraça do corredor do prédio, e ante qualquer gesto de qualquer um dos dois ela fugia. Mas a minha aproximação ela permitiu. Levamo-la para dentro, e demos água e comida. Achei que ela fosse morrer de indecisão, pois ela não sabia em qual das duas tigelas fartar-se-ia primeiro. Optou pela comida.
Aos poucos ela foi se adaptando à nova casa. Até hoje não confia em ninguém, a não ser em mim. Já perdeu muitas das manias terríveis que ela tinha, como caminhar sobre a mesa ou sobre a pia da cozinha (os antigos donos a alimentavam só com restos de comida, aqui em casa ela só come ração), mas ainda é um tanto arisca. É só ouvir a campainha que ela some, vai se esconder sob a estante.
Outro dia chamei um veterinário para dar uma olhada nela. O que mais me chocou foi ele dizer que para a sua idade ela era uma gata magra e subnutrida; mostrou-me a dentição dela, e explicou que a falta do canino superior esquerdo provavelmente teria sido causada por um chute na cabeça, ou uma queda muito feia.
Coitada da minha gatinha: subnutrida, analfabeta, rejeitada e espancada.
Agora, está me dando um último grande trabalho: está no cio. O veterinário sugeriu adiar a castração devido à subnutrição dela. O pior já passou, mas muitas vezes dei graças a Deus por não ter vizinhos no prédio. E na próxima semana, será uma fêmea a menos no mundo incapacitada de exercer a maternidade. Meio cruel, mas é um gesto de amor por ela e por mim.
Textos possivelmente relacionados a este

Acho que já disse no outro post, corro o risco de me repetir (vc sabe, memória de loira é flash): parabéns, Grandão! Você é homem pra casar, só pelo jeito como cuida da gatinha…
Castra a moça assim que for possível. Gatos a menos e toda paz do mundo.
A preta daqui manda fuus pra preta daí (afinal, gatos que não se conhecem se estranham). bj enorme
Minha nobre senhoura tinha uma gatinha mas teve que dar porque começou a namorar comigo e ficava menos tempo em casa pra cuidar, além do que notou-se que sua asma diminuiu bastante com a distância do bichano.
Mas essa situação me fez ter um apreço danado pela bicha. Eu não sou muito chegado a gatos. Até porque em casa eu tenho cachorro e 6 aquários, ficaria impossível manter uma sociabilidade boa entre eles.
Mas adorei ler o teu relato. E torço pra que um dia, quando um desgraçado desses que larga bicho na rua depois de “usá-lo”, seja largado num asilo pra ver como é bom, gostoso, ficar a mercê de um lugar que não conhece, apesar de ter passado uma vida inteira no bem-bom.
Abraço!
A Clara que é escura
Eu adoro ver fotos de gatas trepando.
Nossa! Essa sua gata trepa bem.
Agora dá para ver melhor a gata dá para falar: Grande a sua gata. E muito bonita também.
Cruel, nada, moço. Cruel é o que fizeram com ela antes.
A gata dos meus pais é arisca até hoje. Melhorou muito ao longo dos anos, mas ainda não gosta de vozes diferentes e demora pra deixar alguém chegar perto. No início, quando era bebê, escondeu-se de todas as formas e quase morreu duas vezes por isso…
E continue colocando os relatos da Clara por aqui!
Querido Janio, você é dos meus. A gente pega esses bichinhos abandonados e eles viram filhos.
Desejo tudo de bom para você e para a Clara.
Que ela se reestabeleça logo!
Beijos,
Li
A Clara é linda e super carinhosa!
Mesmo nos poucos e breves momentos em que pego ela no colo ou ela fica roçando em minha perna, já deu pra perceber isso!
gostei foi bem bolado quando voce disse que pegou a sua gata trepando eu pencei que fosse uma mulher tendo relacao com outra pessoa que mente malaciosa aminha .
[...] Depois do sucesso que fez a foto da minha gata trepando, inclusive com aparição na primeira página de resultados do Google, resolvi [...]