Desde a semana passada que venho num ritmo absurdo de estresse e trabalho. Embora seja tentador fazer um post do tipo “eu sei que não tenho postado, desculpem, caros leitores”, resolvi contar melhor o que está acontecendo, até para eu próprio poder exorcizar este cansaço que ora experimento.
Na verdade, tudo começou na quinta-feira, dia 27. O datacenter que hospedava 26 dos 28 servidores da PortoFácil me mandou um comunicado dizendo que eu deveria tomar providências com o fito de fazer um de meus clientes parar de enviar spam.
“Como assim, Bial?” — pensei eu na hora. Conheço cada um dos meus clientes, cada um deles é meu amigo antes de tudo, e já estou planejando minha agenda de viagens para os próximos meses para poder encontrar pessoalmente cada um dos com quem não tive o privilégio de estar ainda. Nenhuma destas pessoas tem em sua lista de atividades o envio de e-mail não solicitado, nem qualquer outra atividade desonesta.
Por via das dúvidas contatei meu cliente perguntando se por acaso algo do que o datacenter alegava fazia algum sentido. Ao mesmo tempo pedi os headers da mensagem (ou das mensagens, pois para haver uma denúncia de spam é comum que exista um volume maior de e-mails) para poder analisar, e decidir com calma o que fazer.
É claro que meu cliente não fazia a menor ideia do que se tratava, e quando recebi a resposta do datacenter me caíram os butiás do bolso: a pessoa que estava denunciando meu cliente era apenas um leitor do blog dele que havia marcado a caixinha de assinar comentários de um post, e não teve inteligência suficiente para desassinar. Num ato de má fé extrema o imbecil preferiu fazer uma falsa denúncia de spam, prejudicando meu cliente, a PortoFácil e o meu fornecedor, de certa forma, que teria que passar a lidar com IPs em listas negras, etc.
Só que uma coisa é certa: ninguém mexe com amigo meu impunemente. Se os caras estavam pensando que eu iria punir meu amigo por algo que ele não fez, estavam totalmente enganados. Respondi pra eles explicando o que estava acontecendo, e até o fim do dia não tive mais novidades.
Na sexta-feira passei praticamente o dia inteiro desconectado por conta da minha cirurgia, e quem tomou conta dos meus clientes pra mim foi o meu amigo Daniel, da Via Hospedagem (não adianta nem tentar explicar por que não somos concorrentes, embora ambos vendamos hospedagem). À noite quando saí do hospital havia uma série de reclamações de clientes cujos servidores encontravam-se naquele datacenter (mais de 90% dos clientes), de que não enviavam nem recebiam e-mails.
Ora, quem era para passar dez dias em repouso absoluto (o médico me perguntou, quando eu ainda estava meio anestesiado, se quinze dias de atestado estavam bons pra mim) acabou virando uma noite inteira e mais um dia trabalhando na tentativa de resolver o problema, tanto buscando uma rota alternativa para os e-mails quanto negociando com o datacenter o desbloqueio do SMTP.
A partir daí minha noção de tempo está bastante comprometida. Além do trabalho normal que tenho cuidando dos servidores dos meus clientes (trabalho que desempenho com o maior prazer) agora eu tinha que negociar um novo fornecedor com valores compatíveis com o meu orçamento, preparar a migração das 26 máquinas, na medida do possível sem perder dados, e tomar conta da cicatrização da incisão da cirurgia. Ou seja, uma situação muito diferente dos quinze dias de atestado, ou dos dez de repouso absoluto que o médico recomendara. Aliás, um dia liguei para ele para perguntar sobre uma aparência estranha do curativo, e ao saber que eu não estava fazendo repouso ele disse que não se responsabilizava mais pela minha saúde, pois eu não estava seguindo suas orientações.
Mais uma vez, não fosse a inestimável ajuda do meu amigo Daniel Becher, e o fato de os clientes da PortoFácil serem um time de feras, eu estaria em péssimos lençois.
Resumindo uma história longa, encontrei um novo fornecedor, meu custo fixo aumentou em cerca de 30%, mas não vou repassar este aumento aos clientes. E a migração das máquinas teria de ser feita a toque de caixa, pois o meu ex-fornecedor teve de fechar as portas por causa do problema do SMTP (foi o provedor de conectividade deles quem efetuou o bloqueio da porta 25, mas isso também não era mais, e muito menos é agora, problema meu).
Felizmente, apenas uns poucos clientes realmente tinham uma grande necessidade do sistema de e-mails funcionando perfeitamente, e para estes eu dei prioridade no processo de migração. Trabalhei feito um mouro, não tive tempo de avisar ninguém do que estava acontecendo, e usei da confiança que os clientes têm em mim para fazer o que tinha de ser feito. O “downtime” dos sites foi mínimo (para a maioria dos clientes nem foi perceptível), mas quando alguém perguntava o que estava havendo eu tinha de me limitar a dizer: “mandei meu fornecedor tomar no ** e estou trocando para outro agora correndo contra o relógio”. Na verdade uma pequena mentira, pois eu não sei como se manda alguém tomar no ** em Inglês; o que eu disse pros caras foi “f*ck you, guys”.
Considerando o tamanho da operação (tanto em termos financeiros, quanto — principalmente — em mão de obra), pela complexidade da migração, pelas particularidades de cada caso, praticamente não tivemos problemas. O nível de sucesso foi altíssimo, e agora resta botar o trabalho em dia (não sei nem desde quando que não dou sequer uma vista d’olhos no departamento financeiro da PortoFácil).
De fato, talvez todo esse transtorno pudesse ter sido evitado se no começo da situação eu tivesse acatado a bronca injusta e punido meu amigo. Mas eu jamais faria isso. Preferi (e sempre vou preferir) ir às últimas consequências para defender o que é certo. Neste caso, implicou até botar minha empresa em risco. Valeu a pena. Faria isso por qualquer um dos meus clientes.
Entretanto, o maior mérito é desse bando de feras que são os clientes da PortoFácil. Essa gente que segura as barras, não importa o quão pesadas, juntinho comigo. Senhores, senhoras e senhoritas: vocês não fazem ideia do quanto são importantes para mim, e não falo da receita que vocês representam para a empresa.
Agora é botar o serviço atrasado em dia (favor não interpretar isso como “o Janio tá no atraso”), e aproveitar para terminar de cicatrizar meu bucho com toda a calma e tranquilidade que o passado recente não me ofereceu. Se bem que não seria nada mal ter de, quem sabe, voltar ao hospital: vai que me dão mais um teco de Propofol?


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RT @janiosarmento: [jabá] Mexeu com meu cliente, mexeu comigo -> [link to post]
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[jabá] Mexeu com meu cliente, mexeu comigo -> [link to post]
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RT @Nospheratt:Mais 1 mostra d porque a @portofacil é 1 hospedagem SENSACIONAL: [link to post] #recomendo e assino em baixo.
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Mais uma mostra de porque a @portofacil é uma hospedagem SENSACIONAL: Mexeu com meu cliente, mexeu comigo [link to post] #recomendo
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RT @janiosarmento Mexeu com meu cliente mexeu comigo [link to post] e @becher mais uma vez #recomendo
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RT @silvanocv: RT @janiosarmento Mexeu com meu cliente mexeu comigo [link to post] e @becher mais uma vez #recomendo
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“Take it up yous ass” (tomar), “shove it up your ass” (enfiar). Pode ser útil no futuro
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Obrigado, Noronha, vou imprimir teu comentário num post-it, para não esquecer mais!
Tudo isso por causa de uma salsa que não sabia que é possível deixar de assinar comentários. Ô dureza!
Juízo aí no pós-operatório, heim?
[...] saber com mais detalhes a causa e o processo de solução do problema, por favor leia este post do meu blog pessoal, em que disseco um pouco mais a [...]
Só agora vi que passou por esse período de convalescença. Se soubesse tinha apavorado menos! Espero que já esteja bem, meu caro!
Imagina, Alessandro, é um prazer poder servir!
Sim, já está tudo bem, obrigado!