Meu reino não é desse mundo…


Ontem fui a Taquara votar. Cumprir obrigação. Foi bom por dois motivos: primeiro porque reencontrei uma amiga muito querida (a Tida), com quem fiquei passei algumas horas bem agradáveis; segundo porque cada vez mais eu vejo que não pertenço mais àquele lugar, definitivamente (se é que algum dia eu duvidei disso).

Visualize a cena: Janio chegando ao local de votação, reencontrando pessoas conhecidas, que a primeira coisa que perguntam é “e aí, já casou? Não vai casar?”. Quando finalmente perguntam como estou respondo que estou ótimo. “Morando sozinho? Deve levar mulher pra caramba no teu apartamento. Só mulher, né, não vai me inventar de levar homem!”

Caralho! Que saco! “Não te preocupa, Fulaninha, que quando eu quiser trepar com homem só vou no motel, pra não te desagradar.”

Por que diabos as pessoas têm que se preocupar tanto com o rabo alheio (literalmente)? Em vez de dar aquela resposta, cheguei a ensaiar um “qual é, o cu é meu”, mas também não há necessidade de agredir as pessoas só porque elas não têm cérebro. Ou pior, têm mas não usam.

Naturalmente, não é só com a vida sexual dos outros que habitantes de comunidades provincianas se preocupam; a vida financeira, familiar, social, o time de futebol, e tudo o mais em que se possa pensar. George Orwell sentir-se-ia humilhado ao ver que sua antevisão de Grande Irmão acabou sendo superada pelas fofoqueiras, que são ainda mais geniais porque não dispõem de nenhum aparato psicológico tecnológico.

Há quem diga que Porto Alegre também é provinciana. Talvez seja, para quem não viveu em Taquara. Talvez haja lugares ainda mais agradáveis de se viver.

Mas pelo menos aqui as pessoas que se preocupam com minha vida fazem-no apenas por querer me ver bem. Não estão preocupadas com quem eu durmo ou deixo de dormir, com quanto eu ganho, no que gasto meu dinheiro. Aqui em Porto Alegre encontrei pessoas que se demonstram alguma preocupação comigo, é porque querem me ver feliz, só isso.

Enfim, cada vez mais tenho a certeza de que está tudo certo, mesmo. Trabalho no lugar certo, com as pessoas certas, moro no lugar certo, tenho os amigos certos, e vivo a vida certa. Tudo em acordo com meus desejos.

Que que eu quero mais?

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Acertou quem falou “dinheiro”!
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