08 Mar 2005
Mentes são como pára-quedas… *

Cortador de Cabelo Britânia s/ Fio

Espremedor Mondial Turbo Citrus E-01 190

Há bem poucas coisas na vida que me incomodam muito, e o fundo comum a muitas delas, para não dizer todas, é a falta de respeito.
Na semana passada, eu estava no elevador lotado, e ouvi um senhor, de uns 60 anos, creio eu, conversando com a ascensorista sobre algo que ele classificava como absurdo. Saímos praticamente juntos do elevador, e por algum motivo que nem o Padre Quevedo explicaria, ele resolveu se convidar para acompanhar-me por algumas quadras, já que íamos na mesma direção.
Ele contou novamente a estória, e o fato “absurdo, revoltante, enojante, asqueroso” (sic) era simplesmente dois caras se beijando na boca, dentro de um carro, num cruzamento. “E agora vem a televisão, querer dizer que isso é normal, não é não!”
Pensei seriamente em dizer algo do tipo “sai fora, bicha enrustida, nojento é um cara com essa idade, louco para dar o brioco, e fica condenando quem não tem a mesma covardia”. Mas desisti no último instante.
“E outra: aquele Nova Olaria é uma bicharada só, nunca vi tanto viado no mesmo lugar! Não dá nem ânimo de comer num restaurante daqueles, porque ficam aqueles ‘hômi’ se beijando na boca, que nojo…” (sic)
Respondi: “eu acho que o senhor tem razão; os homossexuais não têm o direito de querer impor o ponto de vista deles como se fosse verdade absoluta; o senhor não acha que a pior coisa do mundo é gente sem noção que pensa que é dona da verdade, colocando-se no absurdo direito de querer impor suas idéias, mesmo que estas agridam os valores alheios?”
O cara ficou me olhando, espero que pensando no que eu havia dito, e aproveitei para dizer mais uma: “e vou lhe dar um conselho, em nome da saúde de seu estômago: faça como eu, e não vá a lugares que lhe sejam desagradáveis”.
“É, né…”
“E outra, meu senhor: creio que muitos valores precisem ser revistos. Ninguém acha ruim deixar os filhos assistindo assassinatos e violência o dia inteiro - o senhor já assistiu a programação infantil da TV, Power Rangers e quejandos? - ou a prática de vícios como álcool e cigarro, mas ficam horrorizados porque a novela mostra o caso de duas pessoas que se amam e resolvem viver juntas, a despeito das aparências; o senhor não acha um absurdo que o amor choque na mesma proporção que o assassinato e o vício passam incólumes pelo crivo dos pais e educadores?”
Ainda bem, pro cara, que ele saiu fora. Porque eu já ia começar a questionar a masculinidade dele, estava preparando as perguntas para encurralá-lo. Porque quem está satisfeito com a própria sexualidade, não está nem aí para a sexualidade alheia. Ou como diz um amigo meu, talvez o mais hétero de todos os meus amigos: “Janio, eu adoro quando descubro que um cara é gay, pois a parcela de mulheres hétero ou bi que tocariam pra ele, pode sobrar pra mim”.
*… só funcionam quando abertos.
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Você ainda tem paciência. Não sei como, mas tem. Pena que aí no Sul você não possa ouvir um quadro de humor da rádio Educadora de Campinas; chama-se “Coisas de boiola com Laurinho Edi”, onde acidamente ele observa certos comportamentos de pretensos machos. Como ele mesmo diz em seu bordão: ” e pode? Claaaaaaro que pooode! Mas assume logo, bi!”
Até a próxima, mona de tromba!
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