Já faz tempo que marketing é sinônimo de mentira
De acordo com a Wikipedia, são muitas as definições para marketing. Longe de mim querer afrontar qualquer um dos grandes pensadores que lá são citados, mas enquanto tive estômago para ler aquela papagaiada toda não encontrei nenhuma referência a quem dissesse o que na prática tal palavrinha está representando atualmente: mentira.
Em defesa dos pensadores posso dizer que as intenções deles eram as melhores ao cunhar tais definições, mas também não dá para esquecer que de boa intenção é asfaltada a estrada para o inferno.
Hoje em dia, em nome do tal do marketing, só o que se veem por aí são empresas fazendo ofertas mentirosas de produtos ou serviços, com o único intuito de — em nome do lucro — campear clientes.
O mercado no qual atuo, e do qual posso falar com mais propriedade, é o de hospedagem de sites, mas não é exclusividade dos empresários deste nicho a prática de enganar clientes.
A mais nova mania destes, visando iludir incautos, é oferecer hospedagem ilimitada a troco de banana. Por uma questão de ética não vou citar nomes — já que estou falando de potenciais concorrentes (depois explico porque são meramente potenciais) — mas será fácil a qualquer um que queira checar tais informações encontrar ofertas como as que vou citar aqui.
O primeiro “concorrente” anuncia bem grande na sua página inicial: hospedagem com espaço e transferência ilimitados por R$ 18,00 mensais. Mas tem lá uma letrinha miuda dizendo que é para pagamento antecipado anual. Ou seja, o cliente fica um ano comprometido com a empresa, e se não gostar do serviço (o que é bem provável que aconteça, haja vista o alto volume de reclamação pública que esta empresa tem) vai ter de enfrentar um calvário para cancelar a conta e obter restituição do dinheiro.
O segundo “concorrente” oferece apenas tráfego ilimitado, mas com espaço em disco bastante generoso (60GB) pela merreca de R$ 7,90 mensais. Claro, tem uma letrinha miúda: para pagamento trienal.
Já um terceiro “concorrente” oferece transferência ilimitada, 1GB de espaço em disco por singelos R$ 3,00 mensais.
Só que nenhum deles diz que o cliente jamais vai poder realmente usufruir deste benefício todo. Porque tráfego na Internet representa processamento para poder servir as páginas e demais objetos. E quanto maior o tráfego, maior o processamento necessário. E tráfego ilimitado leva — é só usar a lógica para saber — a processamento ilimitado.
Só que isso não existe. O poder de processamento dos servidores web (para simplificar, porque nem só de webserver vive um domínio na Internet) é limitado, finito. A mesma coisa se dá com os discos rígidos. E não é simples de adicionar poder de processamento ou espaço em disco a um servidor: além do dinheiro necessário para um upgrade desses (até o limite físico do hardware utilizado) existe a questão de ter de desligar a máquina para poder mexer nela (mesmo com esse papo de computação em nuvem, coisa e tal).
Certa vez um cliente prospecto veio dizer que não entendia por que estava sendo expulso de um dos “concorrentes”, já que consumia “apenas” 400GB de tráfego mensal (num blog sem um pingo de otimização, coisa que os “concorrentes” também não ajudam os clientes a fazer).
Mas nem só de empresas de hospedagem vivem os marqueteiros hodiernos. Outra categoria de empresa que adora enganar os clientes (que diferente dos clientes de hospedagem não tem escolha, a não ser morrer no cartel) são as operadoras de telefonia e de Internet. Desde propagandas que só falam das vantagens que os planos oferecem — mas não falam das armadilhas implícitas ou do custo que estas vantagens vão ter — até contratos absurdos que protegem o fornecedor ao ponto de ele ter de garantir apenas 10% do serviço que está vendendo, isso para não falar das cobranças indevidas por serviços que o cliente nunca contratou.
Por exemplo: experimente ligar para seu fornecedor de banda larga e reclamar que a velocidade da sua conexão está baixa. Imediatamente o “técnico” que atender vai pedir para você entrar numa página da própria operadora para fazer um download de teste; com isso eles provam que o trecho entre o seu computador e a operadora está funcionando adequadamente, e eximem-se da responsabilidade de prover backbones de qualidade para os seus assinantes (em resumo, o mesmo problema do overselling de que os provedores de hospedagem abusam).
Mas não são só as empresas de telecomunicação que na propaganda são maravilhosas, mas na prática desrespeitam os mais simples conceitos de ética e profissionalismo.
A Mirian Bottan recentemente publicou um post falando de suas férias desastradas, num hotel fazenda que na propaganda era paradisíaco, mas na prática foi um lixo.
A gente cansa de, diariamente, ir a lanchonetes que mostram imagens deliciosas de seus pratos; quando o pedido da gente chega dá vontade de ser o Michael Douglas no filme Um Dia de Fúria.
Por fim a explicação de por que eu chamo os “concorrentes” da PortoFácil de “concorrentes” e não de concorrentes.
A PortoFácil é uma empresa séria e transparente. Não tenta empurrar produtos de que os clientes não precisam, tampouco vende o que não pode entregar. Diferente dos atendentes robôs da “concorrência”, o suporte da PortoFácil é prestado por quem entende e gosta do que faz, e principalmente porquem usa os mesmos serviços que os clientes.
Mas o melhor de tudo é que quem faz questão de ser atendido por megaempresas, em vez de empresas mais modestas e melhor preparadas (muitas pequenas empresas são mais eficientes que as megacorporações) também não é exatamente o tipo de público que sabe o que está contratando, e aí vemos a seleção natural favorecendo enormemente fornecedor e consumidor.
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A coisa já chegou a níveis inimagináveis. Há um comercial na tv no qual dois bancos recém unidos utilizam a imagem do Cristo Redentor como símbolo deles. Eles devem ter faltado à aula de leitura da Bíblia. E olha que eu NEM sou católico e NEM frequento nenhuma igreja. Apenas respeito as Escrituras.
O marketing na verdade nem é sinônimo de mentira embora vemos o contrário. O ideal seria o marketing informar sobre o que é a empresa, usar técnicas rasteiras nem é marketing. Uma empresa que contrata “um cara do marketing” pra fazer as vendas aumentarem e deixa ele usar mentiras está dando um tiro no pé porque mentira é mentira e uma hora as pessoas perceberão e quando elas perceberem esse tal “marketeiro” não terá soluções pra gerenciar uma crise dessas, ainda mais na internet e então ocorre o que já sabemos: autodestruição ahhahahahaha
Marketing e mentira atualmente são sinônimos mesmo. Não há como não fazer a conexão entre o que você escreveu com a “maravilhosa” Tekpix, aquela praga que aparece em todos os programas do período da tarde.
Ou então a Casas Bahia, ou Ponto Frio vendendo maravilhosos computadores e notebooks positivo ou CCE baratíssimos e com Windows. Mas nunca falam que é o Windows Starter Isento Edition.