02 Jul 2006

Gauchês

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Esta eu recebi por e-mail, do meu amigo Ricardo.

Como quase todas as coisas que se recebem por e-mail, não sei se é mesmo de autoria do Kledir Ramil, se foi mesmo publicada na ZH, não sei nada. Mas achei legal, e por isso estou compartilhando, apesar dos erros de concordância verbal — que me fazem crer que não são do Ramil, nem foram publicados na Zero Hora.

Gauchês (por Kledir Ramil)

Muita gente já conhece a história da minha mãe, gaúcha do interior, que chegou no Rio de Janeiro,entrou numa padaria e pediu:

—Tchê, me dá  um cacete!

Para os cariocas, cacete é palavrão. Eles falam tudo errado. Chama o cacete de pão francês. Que eu saiba,pão francês é em Paris. No Brasil é Cacete e Cacetinho. Pelos menos no Brasil do sul.

Em São Paulo eles dizem Bengala. Pra mim, bengala é aquele apoio de madeira que alguns velhos usam pra caminhar. Em Salvador, você vai na padaria e tem que pedir uma Vara. O pão pequeno, pode pedir pelo nome correto: Cacetinho.

A confusão é grande e o verdadeiro nome do pão é assunto polêmico em todo o país. No interior paulista ele é conhecido como Filão e Filãozinho. Alguns lugares chamam de Clóvis. No interior do Rio, é Brizola e Brizolinha. A coisa não tem lógica!

Quando fui morar no Rio de Janeiro, ninguém entendia o que eu falava. Um dia comentei com a empregada que havia deixado o relógio na gaveta do bidê e ela começou a rir. Lá, bidê não é a mesinha de cabeceira, é aquele chuveirinho que se usa no banheiro. Mesa de cabeceira é conhecido como criado-mudo. Eu hein! Criado-mudo é muito esquisito, não é não?

As pinta não sabem falar português direito. Pechada de carro, eles dizem que é uma batida. Batida de banana é vitamina. Torrada é queijo quente, lancheria é lanchonete, bergamota é tangerina… Em Curitiba, eles chamam bergamota de Mimosa. Perguntei se eles comem ou se  eles chupam a Mimosa, mas ninguém conseguiu me explicar.

Uma gaúcha de Caxias chegou numa festa de criança no Rio e comentou que estava a fim de “comer uns negrinhos”. Pegou mal. Foi acusada de pedofilia. O tradicional doce de leite condensado com chocolate, os cariocas chamam de Brigadeiro. Pô, nada a ver! Negrinho e Branquinho é muito melhor que Brigadeiro e Brigadeiro branco.

Meu amigo Ivan Lins, um dos maiores artistas da nossa música brasileira, veio tocar em Porto Alegre. No primeiro dia, a produção marcou um programa de televisão e do estúdio sairiam direto para o Barranco, a famosa churrascaria. Ivan, como todo carioca que chega ao sul, queria comer um bom churrasco. Na entrevista, ao vivo, comentou empolgado:

— Eu adoro Porto Alegre. Gosto das pesssoas, do clima, da cidade… Quando chego, fico entusiasmado. Agora mesmo, vou sair daqui e vou dar uma barranqueada. Tô louco pra dar uma barranqueada!!!

Como estavam no ar, ao vivo, a apresentadora perdeu a graça, ficou vermelha e, sem saber o que fazer, chamou os comerciais. Só  então Ivan ficou sabendo que “barranquear” significa encontrar uma égua no barranco e… Ou seja, zoofilia, bestilismo, sexo com animais. A entrevista teve uma enorme repercussão. A temporada de shows foi um sucesso, e Ivan Lins se transformou em símbolo sexual no Rio Grande. Macho barbaridade!

(CRÔNICA PUBLICADA NA ZERO HORA EM 08 MAI 2006, KLEDIR RAMIL É MÚSICO E ESCRITOR)

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3 Respostas para “Gauchês”

  1. ByM on 10 Jul 2006 at 11:30 am

    Realmente, esse pessoal do sul tem suas particulariedades… :P
    Só uma pergunta: Qual a origem da palavra ‘Tchê’?

    [Reply]

  2. Ricardo Andre Varnier on 04 Aug 2006 at 12:47 pm

    A resposta que tu procura está em Qual é a origem e o significado da expressão (tche) típica do linguajar Gaùcho?.

    Nota: editei o comentário para não dar barra de rolagem horizontal, e tornar o link clicável. :)

    [Reply]

  3. Janio Sarmento on 07 Aug 2006 at 12:34 am

    Segundo o filme “Diários da Motocicleta” é isso mesmo que consta no link provido pelo Ricardo: amigo, companheiro; e seria usado meio como pronome de tratamento.

    Algum lingüista pode dar uma explicação melhor, mas infelizmente eu abandonei o curso de Letra há mais de cinco anos.

    ;-)

    [Reply]

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