ATEP: Adequação Técnica Emergencial Permanente

Cultura,Humor 22 outubro 2010 | 5 Comments

Em Portugal, “gambiarra” seria “extensão de luz”; já no Brasil significa algo como “improvisação”. É com este significado que o presente texto foi concebido.

Sempre brinco com meus amigos que vou escrever um livro que vai apresentar mais uma sigla revolucionária ao mundo da administração, assim como foram ITIL, 5 Ss (que o SEBRAE transformou em D’OLHO) e tantas outras: “ATEP: Adequação Técnica Emergencial Permanente”. O subtítulo do livro seria “A Gambiarra no Ambiente de TI”.

Não que só no ambiente de TI a gambiarra encontre seio, ou que a TI viva exclusivamente de gambiarra. Bem longe disso. Entretanto, é inegável que o habitat natural da gambiarra parece ser um CPD (eu sei, velho detectado aqui) ou laboratório de informática.

A inspiração para este texto veio devido a um fato relacionado à minha mudança para o Rio de Janeiro: como estou aqui há menos de uma semana, e já vou viajar novamente (pausa para quem quiser morrer de inveja… deu!) ainda não solicitei uma conexão fixa à Internet: as operadoras pedem pelo menos uma semana de prazo, e se eu tivesse chamado os caras eles viriam justamente durante a minha ausência. Assim sendo, estou usando como conexão única à Internet o 3G da Claro.

Os primeiros dias foram terríveis: não havia lugar do apartamento em que o raio da conexão estabilizasse. Aonde eu fosse o máximo que a conexão ficava de pé eram dez minutos, sendo o normal nem chegar aos dois. Cheguei a jogar o modem na parede, mas o safadinho nem sequer se arranhou. Então, hoje passei por uma loja de informática e vi cabos USB do tipo extensão (macho comum numa ponta, fêmea na outra) e pensei: por que comprá-lo, por que não comprá-lo, e comprei-o.

Conectei o modem a esse cabo, e coloquei-o no parapeito de uma janela. Resultado: as conexões que antes caíam em dois minutos agora estão segurando até 4h sem cair, o que pelo menos me faculta trabalhar!

Os mais puristas vão empolar ao ver a imagem ao lado, tanto por verem um modem 3G ligado a uma “extensão” USB quanto por estar o modem em local tão impróprio.

Entretanto, podemos ver a ATEP (“gambiarra” é muito feio) com outros olhos. Se, por um lado, demonstra que as coisas não são como deveriam ser, por outro demonstra criatividade, genialidade em certos casos. Não que eu me considere genial por pendurar um modem na janela, mas certamente há um componente de — pelo menos — curiosidade por tentar algo inortodoxo.

De fato, essa curiosidade e capacidade de improvisar podem ser fatores decisivos no que diz respeito ao sucesso profissional, por exemplo. Afinal, a vida é feita de desafios, e a chance de sobrevivência é muito maior para aquele que sabe vencê-los com os recursos de que dispõe.

Da próxima vez que vir uma gambiarra, pense duas vezes antes de achar que o autor é um relaxado. É bem possível que ele tenha sido apenas criativo, e agora esteja extasiado com a sua criação. :P

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  • http://www.ofimdavarzea.com j. noronha

    Quando trabalhava com eletrônica (técnico, longa história) eu e meu sócio ríamos muito de determinada marca de televisão que vinha com gambiarra, digo, ATEP, de fábrica.

    Quando uma TV começa a ter desgaste no setor que gera alta tensão para o tubo de imagem (no glorioso tempo do tubo de imagem), uma gambiarra comum é fazer uma bobina com fio rígido enrolado em um lápis ou caneta como molde, que aumenta essa tensão.

    A tal TV trazia a bobina já pronta e no lugar certo, resolvendo com isso o uso de componentes de modelos menores em modelos maiores, que requerem tensões mais altas (única explicação possível).

  • http://gordoputoamen.blogspot.com/ Franco

    Meu DNA (Data de Nascimento Antiga) me deixa fora de muitos fatos vinculados a tecnologia, mas achei engraçado aquele jeito que deu para resolver o problema.

    Em Argentina, em lugar do termino “gambiarra”, temos o ditado: “Lo atamos com alambre” (o ajustamos com arame).

    Abrazos argentinos.

  • Pingback: Tweets that mention ATEP: Adequação Técnica Emergencial Permanente -- Topsy.com

  • http://blog.cronicanet.com.br Fernando – Pulga

    Lá na empresa havíamos feito um rack para os servidores (eu e o Becher), utilizando a ATEP. Coisa mais medonha impossível. Na verdade era um armário desses de aço, tipo prateleiras, e para completar tinha no meio um suporte de TV, para segurar o monitor. Uma verdadeira aberração em se tratando de um ambiente de TI.

    Bem, isso funcionou até semana retrasada, quando comecei a ficar com vergonha da gambiarra e resolvi comprar um rack de verdade…

    Você precisava ver eu tentando retirar o suporte de TV da parede. No começo eu tentei retirar os parafusos do modo convencional, com uma chave de fenda (sem sucesso). Acabei me pendurando no maldito e arranquei, além do suporte de TV, um pedaço do reboco da parede.

    Por isso entendo e acho perfeitamente aceitável a sua idéia.

    Abraço!

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