27 Mar 2007

Fazer ou reclamar?

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Meu novo apartamento, devido à idade, está sujeito a eventuais avarias, e há umas duas semanas apareceu um vazamento na pia do banheiro. Um horror, tudo molhado, o tempo todo tendo de secar o piso, não dava para usar a torneira porque o vazamento ficava pingando por horas. A água tinha uma cor amarronada horrorosa, e o cheiro que exalava era de madeira podre. Chamei o encanador pelo menos três vezes nesse período, e sempre o cara não podia, chegava na hora H e ele me dava o cano, e o vazamento cada vez mais irritante, sem contar o desperdício de água, que é algo que realmente me deixa fora de mim.

Aí no sábado resolvi abrir a porta do balcão e com a lanterna do celular tentar identificar onde estava o problema. Deitei no piso molhado e sujo, enfiei a cabeça na escuridão fétida do balcão, foquei a luz que eu tinha no que tinha possibilidade de ser uma causa, e identifiquei com precisão onde estava o problema (de solução era muito simples): uma pequena quantidade de massa epóxi numa junta meio gasta, algumas horas sem usar o sistema e agora o problema está devidamente sanado, e a pia sendo usada da maneira como o cara que a projetou queria que fosse.

Essa estorinha real me fez pensar: quantas vezes nos atolamos nos nossos próprios problemas, quantas vezes esperamos que alguém os resolva por nós, quando seria muito mais simples deixar de lado o medo e o nojo de sujar as mãos, e colocá-las para trabalhar?

Creio que não seja uma particularidade minha não querer sujar as mãos, não querer nem mesmo dar “aquele” olhar sobre o assunto, porque sabemos que uma vez que identifiquemos e reconheçamos o problema só restam duas possiblidades:

  1. ou você constata que não tem nada para fazer sobre o caso e aplica a máxima “o que não tem solução, solucionado está”;
  2. ou você assume que o que precisa ser feito para consertar a situação desagradável está totalmente em suas mãos, e se não agir você estará sendo apenas um grande idiota que nunca faz nada, apenas para poder continuar reclamando mais e mais.

Estou falando isso por causa tanto de problemas existenciais, que só dizem respeito a quem os está vivendo, e a problemas de ordem coletiva, como o já conhecido de todo mundo aquecimento global, ou o esgotamento das reservas de petróleo, principal fonte de energia do planeta, ou das reservas de água potável.

Fico profundamente preocupado quando vejo, por exemplo, o desperdício de papel em ações inúteis como panfletagem (desperdício de papel e de petróleo, na forma da tinta, sem contar a eletricidade usada no processo produtivo). Além do mais, os panfletos vão parar no lixo, ou nas sarjetas, entupindo os esgotos que em dias de chuva transbordam e pioram o caos das cidades.

Certa vez minha noiva e eu caminhávamos pela rua movimentada num sábado à noite, e à nossa frente um casal de mais idade. Ele de mãos no bolso, e ela chupando um picolé. Ao terminar, a beleza simplesmente deu uma desmunhecada típica de peruas, e deixou na calçada o palito e a embalagem do picolé, bem no caminho por onde as pessoas passavam. Não tive dúvida: larguei da mão da guria e corri para juntar o lixo do chão. Cheguei do lado da mulher e disse: “com licença, senhora, a senhora deixou cair isso”. Ela ficou me olhando com cara de idiota, e o marido emendou: “eu te disse que um dia alguém ia te fazer passar vexame na rua, sua porcalhona”.

E você, o que acha que as pessoas poderiam estar fazendo (continuamente, por isso o gerúndio) e não estão? Deixe um comentário e destile sua indignação você também!

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5 Respostas para “Fazer ou reclamar?”

  1. Rafa on 28 Mar 2007 at 12:53 am

    Peço permissão para piadinha sem graça:
    Se o encanador te deu o cano 3 vezes, como ainda continuava vazando? :D

    Ok, agora sério: eu também sou extremamente chato com quem joga lixo no chão. Outro dia, dentro do ônibus, um puto terminou de comer um fandangos, embrulhou o saco e tentou arremessar em direção à lixeira. Errou o alvo e o saco ficou no chão, sem que ele esboçasse nenhuma reação. Eu tinha acabado de passar a roleta e fiquei parado olhando a cena. Quando o ônibus parou, olhei direto pro cara, atravessei o corredor do ônibus inteiro (ele tava sentando no fundo), peguei o pacote, joguei no lixo, vi o porco ficando vermelho feito um tomate maduro, voltei e sentei de volta no lugar livre que pretendia sentar.

    Gente porca me dá nojo. Literalmente.

  2. Paulo on 28 Mar 2007 at 1:14 am

    Caro Jânio, eu reescreveria a máxima como: “o que não tem solução, mal equacionado está”. Acredito que tudo tem sua solução, na verdade, suas várias possibilidades de solução. Não podemos cristalizar as soluções em termos de um saber absoluto na base do tudo ou nada. Por exemplo, seja problema existencial ou coletivo, sempre temos alternativas intermediárias, geralmente negociadas, onde os lados envolvidos (including me, myself and I) podem ceder, mudar, repensar, dialogar, amadurecer, evoluir, etc. E o melhor, o resultado acaba sempre sendo do tipo ganha-ganha.

  3. silici0 on 28 Mar 2007 at 7:43 am

    Paulo, perfeito… :P
    Coletividade não pensa eles agem, eu sempre penso nas possibilidades, geralmente adotanto algo novo e diferente e fora da coletividade para experimentar algo novo e satisfazer a todos.

    So para comentar sobre uma reportagem de uma especialista no rio TIETÊ, no qual estava falando que atualmente existe oxigênio na água, porém ainda não se cria vida no mesmo, para aconteçer agora essa ‘vida’ no Tietê falta a conciêntização da papolução para o lixo ir para o lixo e não acabar chegando ao rio.

    Essa vai ser uma conciêntização dificil. Mas como sempre digo, sejamos positivos, pois colheremos positividade.

    Abraços

  4. Lauro on 01 Apr 2007 at 11:32 am

    Janio, escrevi sobre isso há alguns dias também, isso é uma “coisa” cultural, pois o gari, precisa trabalhar. Sim, essa é uma das mais absurdas respostas que já ouvi, repreendendo alguém sobre a falta de educação de jogar lixo fora dele. Mais…. ->
    http://hotmediacrm.homeip.net:8082/blog/

  5. Renato Elias on 15 Apr 2007 at 2:27 am

    Hi,

    Hoje no trem da CPTM, na volta de uma jornada atrás de contratos de trabalho =), um ambulante ofereçeu uma coca, como tava uma sede danada, comprei, tomei, e lembrei, droga no Trem não tem Lixo, pensei 1 na alternativa Brasileira: Jogar lá mesmo, 2 pedir ao ambulante para ficar com o “resto” mas pela cara do sujeito acho que seria estupido e ainda ele descartaria no chão, resolvi usar o moço bom senso, coloquei ele dentro da minha mochila.

    Chegando na casa da minha tia, me lembro da latinha, e corro tirar ela, mas ela ja tinha melado a moça… tudo bem, aih quando fui jogar no lixo, minha prima vira e fala, joga na janela, eu WTF, se fosse para fazer isso, já teria feito, aih ela explico, não é que la na área de baixo, ta a sacola do reciclavel =)

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