Eu me sinto um analfabeto.

Creio que nessas quase quatro décadas de vida nunca me senti tão inseguro para escrever um texto como agora, após entrarem em vigor as novas regras, fruto deste detestável Acordo Ortográfico.

Muita gente defende o acordo como sendo um grande passo para a Língua Portuguesa. Talvez essa gente toda tenha razão, mas nada disso me faz sentir mais confortável com esse “novo Português”.

De fato, eu sei que sou rabugento na maior parte do tempo, e que como todas as transformações que a Língua escrita e falada sofre naturalmente ela será, por definição, benéfica. Até o tiopês, o miguxês e outras aberrações — e eu quase não acredito que estou escrevendo isso — têm seu valor como indicativos das transformações que a Língua Portuguesa deve sofrer porque o povo já está a modificá-la.

Que venham, então, as dificuldades e os vexames. E principalmente, que venham as novas versões dos dicionários de correção automática de textos no computador, para que eu nunca mais escreva uma palavra com trema devido a condicionamento oriundo do século passado!

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