11 Sep 2007
Erros comuns de Português.

Televisor Semp Toshiba TV-2051 20´´

Extrator de Suco Profissional Eterna ES-10...

O Rafael começou, o Leo deu continuidade e o Bruno Alves enganchou, falando dos erros involuntários de ortografia, que não necessariamente ocorram por ignorância, analfabetismo ou burrice. Simplesmente ocorrem.
Comigo, há um único erro que me persegue há vidas. Não sei se há vidas, mas desde o segundo ano do segundo grau. É a palavra próximo que eu inconscientemente sempre grafo como prócimo. E isto tem uma razão de ser.
Em 1987, quando eu estava no segundo ano do segundo grau, adiantado um ano nos meus estudos, tinha um professor de Eletricidade (que mui provavelmente o Charles conheceu, mesmo sem ter sido aluno dele) que tinha duas peculiaridades: seu apelido era Bobina, porque ele era muito enrolado, e ele nunca, jamais, escrevia prócimo (ó, aconteceu de novo, mas agora pode) da maneira correta.
Uma vez, tenho a cena viva ainda na memória, ele estava explicando um sistema de chaves contactoras encadeadas, que associadas a um dispositivo mecânico faziam com que um motor elétrico se tornasse um robozinho de ir e vir; ao chegar no final do curso uma haste pressionava um botão da contactora invertendo o sentido da corrente e fazendo o robozinho andar na direção contrária, onde havia outra chave, e assim por diante. Professor Bobina havia escrevido no quadro os dizeres “prócima contactora”, legendando o esquema elétrico. Um colega que pelo visto também se incomodava muito com o assunto disse lá do fundo da sala: “tem um erro gritante de ortografia nessa frase”. Coitado do professor, com toda a humildade que só um verdadeiro mestre tem passou a contemplar os escritos, vindo então a acertar a frase, que então ficou “prócima contatora”.
Ou seja, ele não conseguia sequer imaginar que aquilo fosse um erro, para ele era a grafia natural da palavra. E eu, de tanto achar ruim, acabei pegando o vício, e hoje tenho de tomar todo o cuidado ao escrever porque o natural é escrever da forma errada.
Verdade seja dita, este professor pode até ter sido meio enrolado no passado, pode não ter sabido escrever “próximo” (policiei-me para escrever certo) a vida inteira, pode ter usado um corte de cabelo que mesmo nos Anos 80 que permitiam tudo era fora de moda, mas foi um dos caras mais feras que já encontrei na vida. Com pouco, quase nenhum recurso, formou milhares de alunos que aprenderam com ele uma profissão na qual apenas os melhores sobrevivem (eu descambei para outro lado). Além de ensinar a técnica, este professor era amigo de seus alunos, era exemplo, e sabia como ser debochado sem ser desrespeitoso: ele tirava sarro da cara de todo mundo, sem no entanto ofender ninguém. Muitos profissionais, inclusive engenheiros eletricistas, devem seu sucesso às primeiras aulas do Bobina, que soube apresentar um assunto para muitos espinhoso de maneira leve e didática.
E, caro Professor, se o senhor estiver lendo esse texto, fique certo de que 20 anos se passaram, mas eu não esqueci que ainda lhe devo um churrasco.
Textos possivelmente relacionados a este

