06 Aug 2007
E Salomão se revira na tumba
Quando eu comento que peço a Deus para nunca ter nenhuma complicação com a “Justiça” Brasileira, muita gente ri de mim. Tenho amigos advogados, inclusive, que nestes momentos me olham com o mesmo desdém dos zelotes que acham que não entendo nada de Linux porque troquei o Slackware pelo Ubuntu.
Contudo, meu sentimento se reforça ao ler que um excelentíssimo aí mandou arquivar a queixa-crime que o jogador Richarlyson moveu contra o dirigente do Palmeiras, José Ciryllo Júnior, que falou em rede nacional que ele era gay, sem ninguém ter perguntado nada sobre o rapaz, de uma maneira absolutamente torpe e preconceituosa, travestida de aceitação, com o objetivo claro de ridicularizar o atleta perante sua torcida, na maioria composta de salsinhas e outros organismos inferiores (com relação às salsinhas).
De fato, o juiz em questão, Manoel Maximiniano Junqueira Filho (guarde esse nome), demonstrou todo o preconceito que carrega n’alma, ao rechear um documento de 45 páginas com declarações discriminatórias do tipo (fonte):
“Se fosse homossexual, melhor seria admiti-lo, ou omitir. Nesta hipótese, porém, seria melhor que abandonasse os gramados”
“Quem se recorda da Copa de 70? Quem viu o escrete de ouro jogando, (Pelé, Tostão…). Jamais conceberia um ídolo homossexual”
“O que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro, porque prejudicaria a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio, o ideal…”
Ora, senhor juiz, data venia, o senhor pode ser um especialista em retórica, como todo jurista, pode ter tido as melhores notas na faculdade e no concurso que o conduziu ao honroso cargo que ocupa, mas em termos de respeito ao ser humano o senhor é apenas um ignorante recheado de pompa e soberba, uma figura digna de muita pena, muito mais dó do que o asco que causa em seres humanos legítimos.
Espero, do fundo do coração, que o magistrado que vier a julgar o seu caso não seja mais um com “valores” do nível dos seus, ou algum crente empedernido que acha que o mundo começou com Adão e Eva, e que o “Maligno” ronda à solta em qualquer um que não pague o dízimo na sua mesma igreja.
Pois se o senhor não servir de exemplo, provando que as maçãs podres ainda não contaminaram todo o imenso cesto, terei a certeza absoluta de que este País não tem mais jeito.
Eu levo ou deixo?
Diz a lenda que Ruy Barbosa, ao chegar em casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
— Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência do que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
— Cumpanhero, eu levo ou deixo os pato?
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Cara,
O meio do futebol é totalmente machista. Veja a bandeirinha Ana Paula, que foi censurada por todos os lados. Veja que o futebol feminino do Brasil foi campeão panamericano, enquanto o masculino nem nas finais chegou. Alguém ouve falar em futebol feminino?
E isso não vai mudar. Futebol, para a masse, é esporte de homem, de macho! Não é aberto a troca de idéias, não é aceito nada novo, nada diferente. Nem as regras se atualizam.
O futebol ainda vive no passado. E a atitude do tal juiz acima em cima ilustra perfeitamente tudo isso.
Abraços!
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Fábio.
Com isso posso interpretar que salsinhas também podem ser juízes?
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É, Janio, eu diria que as salsinhas estão mais pra ervas-daninha: estão por todo lado e é difícil se livrar delas.
Mas é isso mesmo!
[Reply]
[...] que na verdade foi um verdadeiro ode à homofobia, no que se tornou o popular “caso Richarlyson“. Ora, um juiz deveria ser qualquer coisa menos preconceituoso, pois ao tomar qualquer [...]