16 May 2005
Do Estresse e Outras Mazelas

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Hoje pela manhã no meu trabalho houve uma palestra sobre qualidade de vida. Os temas abordados foram sedentarismo, estresse, qualidade da alimentação, etc. Não foi nada muito demorado, cerca de 20min de duração, mas deu uma mexida muito intensa com uma série de valores meus.
O que mais pegou foi o caso de um sujeito que se aposentou aos 29 anos de idade (hoje ele tem 34), após dez anos de serviços prestados como digitador, daqueles que não deixam trabalho para depois, que se sentem orgulhosos quando alguém diz que seriam necessários três para fazer o trabalho que eles fazem sozinhos. O cara vive enfiado dentro de casa, nem a um restaurante não vai, porque seu braço totalmente inchado e dolorido não lhe permite a autonomia de cortar a carne, além de causar-lhe muita vergonha. Ele ganhou todas as causas contra a empresa, mora em uma puta casa de três andares, tem um carrão importado na garagem, mas disse que trocaria tudo isso para voltar a ter simplesmente uma vida normal outra vez.
Depois a palestrante mostrou os principais sintomas de alguém que caminha para uma situação semelhante à do rapaz aquele: fisgadas, dor no corpo, formigamentos, vermelhidão na pele, dores de cabeça, cansaço já pela manhã, irritabilidade, entre outros. Eu tive todos.
Por fim circulou um teste de nível de estresse, daqueles com algumas perguntas cujas respostas valem pontos. Fiz o teste, e o meu resultado foi 9 pontos de 10 possíveis, o que se interpreta como nível de estresse altíssimo, e a recomendação de procurar ajuda profissional imediatamente.
É claro que uma coisa dessas deixa qualquer um preocupado. Mas a preocupação não é algo muito útil, pois facilmente pode servir como desculpa do ego para não agir. É muito comum as pessoas se paralisarem de preocupação.
Resolvi fazer então um levantamento dos que considero pontos chave em minha vida, no que diz respeito à possibilidade de geração de estresse, pelo menos se comparando à minha experiência pregressa, e não cheguei a uma conclusão. Tanto na vida pessoal quanto na profissional as coisas estão bem: salário decente, ambiente de trabalho agradável, colegas legais, relacionamento bom…
Lembro que há três anos eu ganhava menos de um terço do que ganho hoje. As necessidades também eram bem menores, claro. Mas o fato é que naquela época eu saí de uma empresa muito legal que fez muito por mim, e passei a trabalhar por conta própria. Minha semana se reduziu de cinco dias completamente cheios para dois dias inteiros e duas tardes. Trabalhar na sexta-feira era coisa que eu já nem sabia mais o que era.
O tempo foi passando, e as necessidades aumentando. Então comecei a lecionar numa escola técnica para complementar a renda. O salário mais do que dobrou, e o estresse nem se fala. Não é nada fácil manter-se sadio ao mesmo tempo em que tenta passar lógica de programação e algoritmos para duas centenas de adolescentes desinteressados.
Por fim, acabei, por obra do destino, vindo parar onde estou agora, prestando serviços de programação para uma empresa do mercado financeiro (quem sabe qual é, sabe, pra quem não sabe também não faz diferença). O salário é bom, o ambiente idem, o nível de exigência relativamente baixo (pelo menos se comparado com o que eu tinha antes).
Apesar disso tudo, eu estou estressado.
Meu, digamos, apetite sexual tem se mantido num nível altíssimo, assim como meu apetite gastronômico. O sono tem sido ruim, e logo após o meio-dia eu já não agüento de dores nas costas, fisgadas nos ombros, cefaléias e outras coisas asquerosas.
Não estou aqui posando de vítima, apenas comentando que não sei o que fazer com isso. Talvez meu amigo esteja certo ao dizer que meu lar é estressante, que eu deveria pelo menos diminuir a velocidade do ADSL e a quantidade de canais que assisto ao mesmo tempo na DirecTV.
Talvez eu devesse reservar uma grana e um tempo para viajar. Acampar. Caminhar no mato. Nadar. Pedalar. Rever meus amigos de tempos atrás. Os mais recentes. Tem gente a quem estou devendo uma visita há meses, mas ainda não consegui ter a decência de, simplesmente, ir lá filar um rango.
Bem, agora chega de escrever no blog. Vou para o GMail pôr a correspondência em dia.
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