27 Sep 2008
Dia Mundial da Raiva

Segundo a Veridiana, dia 28 de setembro é o Dia Mundial da Luta Contra a Raiva, e o site oficial da… do… da… — efeméride não! — do evento (melhor assim) está com uma campanha que está premiando a melhor idéia sobre o assunto com um videogame de alta tecnologia (um Wii, se não me engano). Dê uma passadinha lá no blog da Veridiana e confira.
Contudo, e embora eu seja ailurófilo (uma pessoa que gosta de gatos, para os menos versados), a raiva que mais me incentiva a escrever não é a doença que afeta os bichinhos, e que pode matar gente, e sim aquele sentimento que é o intermediário entre a indignação e a ira.
Um bom número de pessoas envergonha-se de sentir raiva, e a todo custo tenta esconder este sentimento, sem nem ao menos tentar entendê-lo, saber de onde vem, para poder escolher se quer ficar com ele ou não.
Outro tanto já parece ter medo da própria raiva, como se acessá-la fosse causar danos irreparáveis a quem esteja por perto ou seja vítima da manifestação desse sentimento.
De fato, não trabalhar a própria raiva (ou qualquer outra emoção) pode levar o corpo a produzir doenças até fatais.
Grossomodo, doenças ligadas ao fígado são causadas pela raiva acumulada, e rancor que não se transforma em perdão acaba virando câncer. Raiva não expressada causa amigdalite, afonia, inflamações; aqueles que se ensurdecem pela raiva não raro acabam desenvolvendo otites, dores de ouvido; e aqueles que nunca se livram de velhos ranços acabam, segundo Paracelsus, produzindo hérnias e até mesmo desenvolvendo corcundas.
No mínimo, a raiva nubla os pensamentos, deixando o sujeito num estado mental propício a acidentes, devido — presumo — à diminuição do nível de atenção que se presta nas coisas.
Não raro a raiva está associada a quadros depressivos, que em última análise são manifestação de um extremado narcisismo: embora seja corrente afirmar que o deprimido precisa de ajuda, que ele é um sofredor (e eu não contrario tal tese), se investigarmos cada caso de depressão mais profundamente descobriremos que o que ocasiona a depressão são motivos que só fazem sentido para o doente. Sou, aliás, favorável à teoria de que depressão é causada por aspectos químicos no cérebro, mas estas reações são deflagradas pela atitude do doente.
Agora, como tudo é relativo, não posso deixar de pensar em quando eu era mais jovem, e por isso mesmo usava mais gíria, ou em algumas coisas que aprendi com meus alunos, quando fui professor.
“Furioso” era um adjetivo extremamente positivo e elogioso, e era aplicado, normalmente, a coisas de alta tecnologia ou — pelo menos — muito impressionantes.
Por exemplo, lembro que uma das coisas mais furiosas do meu passado era uma caminhoneta toda incrementada que certa vez meu pai comprou, e que eu não podia dirigir (possivelmente por ser menor de idade, mas quem se importa?).
Mais recentemente, os jovens trocaram o adjetivo “furioso” por um sinônimo abaitolado: “irado”.
“Irado”? Fala sério, moçada! Não que eu espere muito (hoje em dia — no passado já fui 100% esperança) de uma geração miguxa que acha que escrever feito um retardado analfabeto é sinônimo de ser bacana. Mas se é para parar de usar as nossas gírias, que pelo menos escolham substitutos melhores!
“Irado” é um termo que sempre me remete à imagem de um moleque com carinha de quem está no maior atraso sexual, com uma bosta de um cigarro acesso no queixo. Embora Freud atestasse que às vezes um charuto é apenas um charuto, uma expressão como a do abostado da ilustração me parece ser algo “irado”, mas jamais furioso.
“Irado” soa falso. Artificial. É uma gíria que parece depender da boa vontade do receptor da mensagem para não soar ridícula.
É como se a gíria fosse aquele tio solteirão e sem auto-estima que pira se souber que com o cabelo empapuçado de glostora que ele usa não vai pegar nem gripe, quanto mais gente.
Nunca pensei que um dia eu fosse dizer isso, mas essa gurizada de hoje tem muito o que aprender com os tiozões aqui, a começar pelas suas gírias tão desengonçadas. Aliás, tomara: talvez resida aí o gérmen da vitória contra o miguxismo na Internet (e fora dela).
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Condordo quando se diz que não se deve ter raiva já que ela pode, a longo prazo, criar doenças fatais no noss organismo. ejo apenas duas maneiras de você se livrar dela, quando o sentimento aparece. A primeira é você pensar coisas positivas para que estas possam se sobrepôr aos pensamentos raivosos. A outra é exteriorizar a raiva, para que ela nao fique dentro de você. Em outras palavras: Xingue, grite e bata!
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Pra mim, a raiva só funciona se você externalizá-la. Senão você tem úlcera na certa!
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Oi Jânio, legal esta agora. Falar sobre a raiva desta forma é elegante. Eu não conseguiria… Sou uma pessoa que não fica irada, eu fico é furiosa, cuspindo fogo… uma onça brava.
O bom é que a raiva pra mim é muito produtiva. Me leva a fazer algo… Não consigo ficar com a pedrinha no sapato sem fzer nada.
Acho que não adianta ficar guardando raiva de graça. Já que é pra ficar com raiva e todas as suas conseqüencias, muito bem lembradas, melhor tirar proveito para resolver o problema.
O que me deixa triste é não ter como resolver problemas como o da menina Eloá. Aquilo me deixou com uma puta vontade de dar tiros… na polícia. Me desculpe se você discorda. Mas é verdade…
Só me diz uma coisinha… tiozão, quantos anos você tem? hehe…
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Janio Sarmento reply on October 22nd, 2008 10:04 pm:
@MPolten: o tiozão aqui tem nasceu em agosto de 1972. Faça as contas.
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xiii, se você se acho tiozão com 36, não vou nem dizer quantos anos eu tenho…
Se você começar a se enchergar como velho agora, quando chegar aos 50 vai ficar com muita raiva do que deixou de fazer porque achou que era tiozão…
Sei que não te conheço mas, vejo alguém, pelo que você escreve, que é sério, responsável, mas não exatamento tiozão…
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