26 Feb 2006

Deixe-o ficar

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Quem acompanha o Blogue há mais tempo sabe que não sou muito de entrar em polêmicas (exceto quando se trata da interminável Windows X Linux). E isso tem a ver, principalmente, com um aspecto que de certa forma me envergonha um pouco em minha própria personalidade: o desejo de agradar aliado a uma certa covardia de assumir meus pontos de vista publicamente (justamente para evitar o conflito).

Porém, não estou a fim de continuar assim para sempre. Essa hipocrisia do mundo está me incomodando, me fazendo muito mal, e resolvi inaugurar essa fase falando sobre um caso revoltante que está ocorrendo na “maravilhosa” terra do Tio Sam.

Mesmo eu que não assisto TV (exceto minhas séries favoritas, e olhe lá) nem leio jornais sei que o asno do Bush assumiu oficialmente a perseguição contra os homossexuais, e aqui no Brasil não demora muito para que o mesmo aconteça, haja vista que a massa de evangélicos ignorantes e homofóbicos, que vão espontaneamente para as sessões de lavagem cerebral (ver Técnicas de Lavagem Cerebral e Programação Subliminar), aumenta a cada dia; não tarda para que o gado eleja um presidente (não pensem que o Lula é o de pior que esse país há de enfrentar).

O par (porque casal é de macho e fêmea) Steve e Roger tem um longo relacionamento, ambos são cidadãos responsáveis, pagam seus impostos, trabalham, e fazem tudo aquilo que se espera de um cidadão de bem. Só tem um pequeno detalhe: eles trepam um com o outro, não têm mulheres para procriar.

No decorrer dos anos eles resolveram “adotar” cinco crianças, na sua maioria desde bebês e soropositivos. As crianças foram todas abandonadas no hospital onde Roger trabalhava, e uma delas, Ginger, também seropositiva, cehgou a falecer sob os seus cuidados quando tinha apenas 6 anos. As crianças de fato não estão adotadas, mas permanecem na casa do casal; a lei gringa não permite que se adotem crianças com doenças crônicas (e AIDS é considerada assim, para efeito da lei). O estado da Flórida, contudo, deu autorização para que os dois rapazes acolhessem estas crianças.


Tudo corria bem, até que Bert, aos dez anos de idade, ficou negativo em relação à soropositividade, ou seja, passou a não ter o HIV, tornando-se, à luz da lei, uma criança adotável. E é aqui que tudo se complica, pois o estado da Flórida aprovou uma lei proibindo o casamento homossexual, não tendo por isso aprovado o pedido de adoção que Roger e Steve fizeram. Ou seja, o estado achou que eles podiam criar e tratar da criança enquanto ela estava doente e abandonada, mas ao deixar de estar doente, não lhes confere o direito de continuarem a educar e a dar o amor que a criança recebeu ao longo dos anos e que inclusive terá contribuído para o menino deixar de estar doente!

Em outras palavras: esse estado hipócrita quer retirar a criança dos pais adotivos, mesmo tendo sido eles a única família que esteve com ele desde sempre, quem lhe deu carinho, abrigo, proteção, educação.

Pô, dá licença, mas esta história deixa qualquer ser humano digno de usar este adjetivo (humano) com náuseas!

Let Him Stay, ou “deixem-no ficar”, é um site criado por um grupo de amigos para lutar pela permanência de Bert na família. Siga o link para saber mais detalhes sobre esta família e sobre esta história revoltante, e sinta o gosto amargo de ter nojo da própria raça.

Em tempo: se você discorda do meu pensamento sobre este caso; se é contrário à igualdade de direitos entre todos os seres humanos, independente de com quem eles dormem; se você é um desses crentes insuportáveis que acham que a bíblia é sagrada mesmo, ou que ali está escrito o que o Cristo realmente ensinou, ou pior, que ela foi mesmo ditada (do jeito que é hoje) por Deus, faça-me um favor: não deixe nenhum comentário aqui, pois eu não quero saber quem é você, porque embora possa parecer, eu realmente sofro por sentir nojo da humanidade.

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4 Respostas para “Deixe-o ficar”

  1. Anderson on 26 Feb 2006 at 3:57 am

    Gostei do post sobre lavagem cerebral. Identifiquei várias técnicas utilizadas. Sobre esse caso, só digo que a sociedade americana é primeiro mundo em hipocrisia.

    [Reply]

  2. Sidnei on 26 Feb 2006 at 9:00 pm

    Hipocrisia. Mesmo antes de saber o que essa palavrinha significava, já imaginava que não era boa coisa. Agora que sei (pelo menos acho que sei), só tenho a dizer uma coisa: se uma pessoa ou uma parte da sociedade não têm coragem de viver sua vida mas adora palpitar sobre as crenças e modo de vida e outrem, arrume um cofre e se enfie nele. A vida é muito mais do que simplesmente crescer e multiplicar, acreditar ou não em uma entidade divina.

    Sidnei, o panfletário de m****.

    [Reply]

  3. Sergio Lima on 27 Feb 2006 at 10:24 am

    As vezes a natureza humana nos surpeende positivamente ( Steve e Roger) e negativamente (Leis no estado da Florida). O grande lance é se alimentar dos casos positivos e combater os casos negativos. Não se trata de sentir náuseas de ser Humano.

    Se tudo fosse perfeito, como poderíamos avaliar o que é perfeito?

    [Reply]

  4. Plinio on 01 Mar 2006 at 1:46 pm

    Um exemplo clássico do atraso da lei em relação direta com aquilo que boa parte da sociedade considera digerível. Vide casamentos homossexuais assim como adoção de crianças por casais gays. Acho que no Brasil a situação é ainda pior. Mas existem milhares de casos como esse, revoltantes e baseados em falsidade sobre valores morais (e nos EUA isso é de doer na alma). Até mesmo com relação a casais hetero acontecem coisas semelhantes. Em casos assim lembro de usar uma trilha sonora…I see trees of green…red roses too, I see them bloom… for me and for you, and I think to myself … what a wonderful world.

    [Reply]

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