05 Oct 2005
Comunidade no Orkut
No finzinho do mês passado o pessoal da faculdade criou uma comunidade no Orkut tendo a mim como tema. Algumas pessoas comentaram aqui, outras comentaram pessoalmente, outras mandaram e-mail comentando, e eu reitero que para mim isso está sendo muito divertido.
Considerando que as pessoas não estão sabendo direito o que está havendo, resolvi então trazer os fatos à tona.
Primeiro, pelo menos até a visita que fiz madrugada passada à comunidade, só havia amigos meus inscritos. O criador da comunidade, o Fábio, é o meu colega mais próximo, com quem mais freqüentemente faço trabalhos junto, que me ajuda nas aulas de Lógica Matemática, a quem dou umas dicas eventuais de PHP, que me ensina algumas coisas de .Net. Ou seja, o cara é muito meu amigo. Os demais que entraram lá também são todos meus amigos, e os depoimentos são todos tirando sarro.
A comunidade surgiu, então, como uma piada (pois é, ainda não estou virando ídolo pop). Só que é uma piada baseada em fatos, pois realmente há gente que me odeia na minha turma da faculdade. Ou que pelo menos me considera prejudicial à turma. A razão para isso é que, devido ao fato de eu trabalhar há quase vinte anos com informática, tenho muita facilidade em fazer os exercícios de Lógica de Programação, por exemplo, e não me aperto em nada na parte de Fudamentos (matemática binária, conversão de bases, coisa e tal). Acontece que tem muita gente que está na faculdade e nem nunca viu direito um computador. Gente para quem Lógica de Programação parece a Tiamat, e que ao invés de aproveitarem que tem um cara de boa vontade a fim de partilhar conhecimento preferem sentirem-se diminuídos.
Tem gente que não pode me ouvir abrir a boca em aula que é obrigada a destilar ódio sobre mim, chamando-me de prepotente, de metido, de tudo o que possa ser negativo. Se fossem pessoas que se conhecessem minimamente saberiam que o que a gente vê no outro não passa de a gente mesmo espelhado. Ou seja, quando eu vejo a burrice dos colegas que pensam que eu sou uma ameaça estou na verdade vendo a minha burrice paranóica projetada neles. Da mesma forma, prepotentes e metidos são eles (porque quem pode é potente, e não prepotente), e que ficam vendo isso em mim. Porque é muito mais fácil ver os defeitos nos outros do que na gente mesmo. E quando o outro “esfrega na cara” da gente um aspecto qualquer que a gente abomina em si mesmo, bem, é natural querer quebrar o espelho.
Contudo, não é pelo fato de eu trabalhar há decadas com informática que eu sei tudo. Bem longe disso. Tenho muita prática, mas quase nenhuma teoria. Tanto que na cadeira mais teórica de todas, Lógica Matemática, sou obrigado a fazer algum esforço para manter-me em dia com o conteúdo que a professora está passando.
Lógica Matemática também não é a Tiamat, mas é preciso concentração e vontade de aprender, pois a necessidade de abstrair é alta.
Acontece que assim como eu estou tendo alguma dificuldade, tem um bando de gente, muitos dos que me odeiam (e não entraram na comunidade), alguns até meus amigos do peito, que enquanto a professora está explicando o modo de resolução dos exercícios fica falando de assuntos diversos, como os resultados da rodada, checklists para trepadas inesquecíveis, automóveis, o melhor e mais barato boteco da cidade. Aí no instante em que a professora pergunta se os alunos entenderam, eles param o assunto e dizem um sonoro “nããããããããão”.
No lugar da professora, eu teria pedido demissão. Mandaria os alunos para a ponte de Paris, e deixaria que ficassem entregues à própria sorte. Mas ela não fez isso. Ela está lá toda segunda-feira encarando aquela turma de imbecis que não se deu conta do que é realmente um curso superior, e ficam agindo como se estivessem se sentindo grandes porque passaram para a quinta série. E agora tem uma galera fazendo um movimento para, a essa altura do semestre, mandar a professora embora! Tem cabimento uma coisa dessas?
Na verdade eu deveria era ficar bem faceiro com essa gente desinteressada. Afinal, supondo que eles consigam concluir a faculdade e obterem uma titulação como Analistas de Sistemas, serão tão medíocres que não implicarão concorrência para mim.
Mas as coisas não funcionam assim.
Eu quero que essa gente evolua, que parem de transferir para o professor um problema que é deles, que parem de agir como se tivessem dois anos de idade, e assumam que são adultos fazendo uma faculdade na área das ciências exatas, e que se no primeiro semestre já estão apanhando desse jeito, é bom que se perguntem se realmente é essa a carreira que desejam para si. Porque se apanham para montar um algoritmo que some parcelas, imagino como vai ser quando começarem a lidar com orientação a objetos, e/ou a usarem linguagens de programação de verdade (como C e C++).
E isso tudo eu digo pra eles. Não tenho nada a esconder. Além do mais, não sou nota de cem, para agradar todo mundo. Quem não gostar que coma menos.
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Que negócio mais tosco esse da aula, hein ?
Pior que, para ser “aceito”, tu terias de te fingir de burro (e ignorante total dos assuntos das aulas) para não amedrontar os outros.
Como disseste, é um desperdício de oportunidade de aprendizado.
[]´s
Israel
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Mas não é sempre assim? Não é agradável ver nossas deficiências espelhadas na competência de outrem (bem, sempre disseram que o espelho reflete o antagônico… mas provavelmente, como de costume, falei besteira). Faça o seguinte: estude, treine, concorra… ops, isso é a chamada do Virando Bixo(sic)do site da EPTV (retransmissora da Globo das regiões de Campinas, São Carlos e Ribeirão Preto, além do sul de Minas). Quer saber? A ponte de Paris tá de bom tamanho pra esse povo. (Mas de onde você tira esses trocadalhos do carilho? Tem por quilo?)
Sidnei, o burro que reconhece o valor da sapiência.
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