Espero que o Felipe Diesel não leia este texto. Ele vai morrer de inveja do que é possível fazer com a aceleração gráfica habilitada no Ubuntu, e eu não gosto que meus amigos sofram.

Como falei aqui outro dia, acabei enchendo o saco do Slackware e optando pelas facilidades do Ubuntu. Eu já tinha ouvido falar do Compiz e do Beryl, gerenciadores de janelas capazes de adicionar efeitos incríveis à sua área de trabalho, mas nunca tinha tido a vontade de — sequer — ver como se instalam, por achar que era apenas mais uma viadagem que não me traria real benefício.

Porém, dando uma olhada nos meus feeds de busca do Technorati (uma hora falo mais disso, no Lucrando na Rede) e encontrei esse artigo: Burning Windows, com um passo a passo detalhado para instalação do Beryl, e com vídeos do bicho em funcionamento. E agora vou descrever os passos que eu segui para instalar o Beryl e obter estes efeitos bárbaros no meu GNOME.

Em primeiro lugar, é necessário ter uma placa de vídeo com aceleração gráfica. A minha é uma MX-440 bem comunzinha, e dá conta do recado. E, claro, é necessário habilitar a aceleração no Linux. Eu fiz da maneira mais difícil, que foi baixar o driver mais recente do site da NVidia, os pacotes para compilação (build-essentials), e rodar o NVIDIA-blá-blá-blá.run. Só que isso me causou um outro problema, que é o fato de o módulo para o X ser de uma versão mais nova que o módulo do Kernel. Ainda não tirei tempo para resolver o problema (que poderia ter sido evitado — continue lendo), mas o workaround é repetir a instalação do driver a cada vez que vou iniciar o X. Como isso só acontece em casos extremos (minha máquina não desliga nunca), vai ficando assim mesmo.

A solução mais simples teria sido instalar o Automatix, que além de facilitar a instalação do driver correto da nVidia ainda permite instalar o Wine, fontes trutype comuns que não vêm por padrão na distribuição, programas de compartilhamento de arquivos, e codecs de áudio e vídeo para não ter problema algum para assistir arquivos de mídia.

Feito isso, já dá para começar a seguir o passo-a-passo do Tiago, que reproduzo ligeiramente modificado para tirar vantagem da interface gráfica do Synaptic.

Primeiro, é necessário abrir o Synaptic: System, Administration, Synaptic Package Manager. Informe a senha do administrador, e assim que o programa carregar vá em Settings, Repositories, Third Party, e adicione a linha:

deb http://3v1n0.tuxfamily.org edgy beryl-svn

Feito isso clique no botão reload do Synaptic, para ele atualizar a lista de pacotes. Quando isso estiver feito clique no botão de busca, e mande localizar todos os pacotes com o texto “beryl”. Marque para instalação todos os pacotes (ou marque apenas o beryl, e deixe que o Synaptic identifique as dependências para você), e clique no botão para aplicar as modificações. Ele vai reclamar da autenticidade dos pacotes, mas eu não me preocupei com isso. Se você quiser evitar a mensagem de erro, dê uma lida nos comentários do artigo do Tiago, que lá ele explica como resolver essa questão também.

Quando terminar o download será necessário, muito provavelmente, fazer uma alteração no arquivo xorg.conf; eu faço de VIM, mas se você não se sente confortável com ele use uma das alternativas abaixo:

sudo nano /etc/X11/xorg.conf

ou

sudo gedit /etc/X11/xorg.conf

Será necessário localizar a seção “Screen” do arquivo de configuração, e acrescentar dentro dela a linha abaixo:

Option “AddARGBGLXVisuals” “True”

Atualização: é necessário inserir esta opção também na seção “Device” a linha acima.

Se for copiar e colar, tome cuidado com as aspas inglesas que o WordPress insere. Substitua-as manualmente por aspas comuns. Esta linha é necessária para que quando entrar efetivamente no Beryl suas janelas não percam a “decoração”, ou seja, bordas e barra de títulos. Essa barbada foi retirada desta conversa no Ubuntu Forum.

Reinicie o computador, ou pelo menos faça logoff e reinicie o X (ctrl-alt-backspace), e numa janela de terminal execute o comando abaixo:

beryl-manager

Haverá um ícone de um rubi (uma pedra preciosa vermelha na área de notificação). Duplo clique nele, e você poderá configurar todos os efeitos desejados para o seu Beryl.

No artigo do meu conterrâneo além dos “screenshots” há dois filmezinhos mostrando o efeito de queimar as janelas (certamente o mais legal de todos) ao minimizar. Vou aprender como se fazem screencasts no Ubuntu, e futuramente envio por aqui um vídeo do meu desktop em funcionamento. Creiam-me, é lindo! ;-)

Atualização
Só para ilustrar: ainda não é o meu screencast, mas este vídeo demonstra bem o funcionamento do Beryl.

Atualização
Se após a primeira execução do Beryl seu computador voltar sem as decorações da janela (barra de título) abra uma janela de terminal e execute:

rm ~/.beryl* -rf
rm ~/.emerald* -rf

Suas configurações se perderão, mas o sistema voltará a funcionar perfeitamente.

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