As rifas no Twitter


Ainda ontem escrevi sobre a invasão das celebridades no Twitter, e as atitudes desesperadas destas por mais seguidores.

Entretanto, devido ao fato de o texto já estar além do dobro do tamanho do que normalmente escrevo (beirando as mil palavras, e costumo escrever textos com cerca de quatrocentas, no máximo quinhentas), acabei deixando para um segundo momento dois aspectos do mesmo assunto.

Primeiro, é pasmante de ver celebridades como Luciano Huck e Rubinho Barrichelo (quem quiser que cate na Internet o endereço do Twitter deles) prometendo prêmios para os seus seguidores no momento que atingirem determinadas marcas (5 mil, 10 mil, 50 mil, 100 mil, etc).

Recentemente o Luciano Huck sorteou cinco iPhones entre os seus seguidores, e agora está por sortear — se ainda não o fez — cinco (ou sei lá quantos) televisores LCD. Parafraseando o Cardoso, primeiro ele deu iPhones, agora televisores, daqui a pouco vai estar dando a bunda em troca de seguidores.

O Rubinho, ao contrário, em vez de oferecer bens de consumo está sorteando bugigangas com sua própria marca (talvez porque ele possa fazer isso): bonés, viseiras, capacete, macacão, e sei lá o que mais.

Mas é claro que para participar destes sorteios não basta seguir as criaturas no Twitter. É necessário cumprir tarefas que consistem em tuitar bobagens citando o nome de usuário da celebridade em questão. Claro, isso aumenta a sua “relevância” (ou melhor, a sua “famosidade” mesmo).

E se é de pasmar que essas pessoas sustentem este tipo de ação, mais pasmante ainda é pensar que elas só se utilizam de tais expedientes porque tem gente que se deixa seduzir por tais propostas! Tem gente que passa a seguir um nome qualquer no Twitter e a espalhar esse nome pelo simples motivo de estarem vendidas a uma promessa de um bem de consumo!

E eu pergunto: por acaso engambelar as pessoas com uma promessa de sorteio (que pode ser que exista mesmo, provavelmente existe, não é esse o caso) é melhor, mais ético, do que usar scripts que incham o volume de seguidores? Não creio.

O outro assunto que deixei de abordar ontem diz respeito aos trending topics, cuja tradução não sei ao certo (acho que preciso frequentar algum curso de Inglês), mas que me parece ser “assuntos da moda”: existem no Twitter as hashtags, que são obtidas simplesmente precedendo uma palavra qualquer pelo caractere de sustenido; assim, quando alguém quiser marcar um tweet seu sobre um assunto basta incluir uma hashtag que os sistemas de busca e monitoração do Twitter vão contabilizar a mensagem.

Pois bem, no fim do artigo de ontem incluí um link para o artigo do Mauricio Stycer que explica o mico que os “célebros” autoproclamados dos usuários de Twitter no Brasil pagaram implorando ao Ashton Kushner que incluísse a hashtag num tweet porque isso seria a garantia — dado o número de seguidores do ator americano — de que a tag entraria para os trending topics em primeiro lugar.

O problema é que algumas outras subcelebridades, como a gaúcha Rodaika Fetter, abusam disso e literalmente bombardeiam o microblog com uma determinada hashtag, Por exemplo:

Tem gente que abusa do Hashtag

Tem gente que abusa do Hashtag

Não sei como funciona o cálculo de relevância das trending topics, mas se eu tivesse programado o Twiter não seria tolo a ponto de considerar apenas a quantidade de twits e certamente ignoraria a partir do segundo twit da mesma pessoa com a mesma hashtag. Se eu que não manjo nada de redes sociais penso isso, imagina os analistas que criaram a ferramenta e a conhecem intimamente.

Só que pessoas como a Rodaika não pensam assim, elas vão no oba-oba achando que estão ar-ra-san-do quando na verdade estão apenas enchendo os pacovás de quem as segue por causa das informações que elas possam ter a oferecer.

Blé.