As dez melhores músicas de Cat Stevens


Yusuf (Cat Stevens) Islam em Adelaide

Yusuf (Cat Stevens) Islam em Adelaide

Meus amigos e também os leitores habituais dos meus blogs sabem que tenho um gosto musical bastante eclético (tem gente que diz que sou esquisito, mas como diz a Borla de História sem Fim:

— I don’t care. — Tô nem aí, em bom Português.

Um de meus artistas favoritos de todos os tempos é o artista chamado Yusuf Islam, mas anteriormente conhecido como Cat Stevens. Em homenagem a ele preparei a listinha abaixo, com as minhas dez músicas prediletas do cara.

Breve biografia de Cat Stevens

Recomendo que quem queira saber mais sobre Cat Stevens dê uma olhada na Wikipedia — Cat Stevens na Wikipédia em Português (artigo pobre pra caramba); Cat Stevens na Wikipédia em Inglês (artigo bem completo).

Se tem coisa que o sujeito parece gostar é de trocar de nome: ele foi batizado Steven Demetre Georgiou, e na carreira artística usava o nome de Cat Stevens. Aí em 1977 ele se converteu ao islamismo e no ano seguinte mudou de nome para Yusuf Islam, seu nome islâmico.

Além de ser um musicista talentoso e competente, multi-instrumentista, intérprete e compositor, é também um reconhecido educador e filantropo, que a certa altura da vida (em 1979, dois anos após sua conversão) leiloou suas guitarras em favor de obras de caridade, abandonou a carreira musical e dedicou-se totalmente à filantropia. Ah, sim, quase esqueço de dizer: por influência de um tio ele também desenvolveu seus dotes artísticos como desenhista, embora eu não tenha muito mais informações sobre isso.

Tuberculose

Em 1969 Cat Stevens contraiu tuberculose, e por pouco não esticou as canelas. Estava à beira da morte quando foi hospitalizado, sua recuperação demorou meses, e ele convalesceu por mais um ano. Ele próprio disse que sair do “show biz” direto para um hospital, onde se entupia de injeções, e diariamente alguém próximo a ele morria, fez com que ele mudasse seu ponto de vista sobre si mesmo, sua espiritualidade, seus valores. Tornou-se vegetariano, estudou diversas religiões, metafísica, praticou Yoga e meditação. Segundo a Wikipédia, nesse período ele compôs cerca de quarenta canções que posteriormente foram integradas aos seus novos álbuns.

Fé Islâmica e Abandono da Carreira

Quando Cat Stevens se converteu ao Islamismo disseram a ele (e peço aqui desculpas sinceras pela ignorância sobre o Islamismo) que tudo bem ele continuar sendo músico, contanto que suas letras fossem moralmente aceitáveis. Ou seja, nunca que o Islamismo se opôs ao fato de ele ser um astro pop.

Contudo, o próprio artista percebeu que (ao menos do jeito que as coisas estavam naquele tempo) não daria para conciliar sua fé com a música, não só pelas letras que teriam de ser moralmente aceitáveis, mas também por causa de outros aspectos de bastidores, como vaidades, intrigas, inveja e outros tipos de disputa tão inerentes à natureza humana.

Foi por isso que ele, por livre e espontânea vontade, abandonou a carreira de popstar, vindo a gravar novamente em 2006.

Proibição de entrada nos Estados Unidos

Logo após o famigerado Onze de Setembro Cat Stevens, ou melhor, Yusuf Islam, deu uma declaração dizendo o quanto lamentava o atentado contra tantas vidas inocentes, e que para o Islamismo a morte de um inocente é comparável à morte da humanidade inteira.

Não obstante, em 2004 ele estava em um avião da United Airlines, indo de Londres — onde mora — para Washington, e durante o voo marcaram o cara como indesejado nos Estados Unidos. O voo então foi desviado para Bangor (no Maine), e no dia seguinte mandaram o cara de volta para o Reino Unido.

Se fosse eu que tivesse sido impedido de entrar no país, uma vez que a documentação estava toda correta e nenhuma intenção de imigrar ilegalmente havia, certamente eu teria ficado extremamente indignado com o Tio Sam, e xingaria muito no Twitter. Mas a lição de humildade dele foi creditar o impedimento de entrar nos Estados Unidos como um engano, provavelmente uma confusão com alguém homófono, ou com grafia ligeiramente diferente.

Mas também disse que estava perplexo com a decisão das autoridades estadunidenses de persistirem na sua proibição de ingressar no país (de acordo com o próprio Yusuf, o suposto terrorista que eles deveriam vigiar se chamava Youssef Islam, uma das muitas variações da transliteração do nome que significa “José”). Porém, em 2006 ele tentou ir para os Estados Unidos novamente e conseguiu, ninguém barrou sua entrada nem causou nenhum outro constrangimento a ele.

As dez melhores músicas de Cat Stevens

É claro que esta lista é totalmente subjetiva. Nem poderia ser diferente. Nem que eu fosse o Nelson Motta eu conseguiria fazer uma lista de dez melhores músicas fosse do que fosse a não ser baseado estritamente em meu gosto pessoal.

Além disso, fiz questão de incluir apenas músicas que estão no YouTube e que são incorporáveis a páginas web, o que diminui bastante as possibilidades. Tampouco as músicas estão ordenadas por melhores, piores, mais isso ou menos aquilo, apenas estão aí. E, nunca é demais repetir, lembre-se da Borla.

The First Cut is the Deepest

“O primeiro corte é o mais profundo”, diz o título desta pérola. Fala de alguém apreensivo em amar de novo, devido à dor causada pela decepção em relacionamentos anteriores (em bom gauchês: cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça).

The Peace Train

Um dos maiores sucessos do cantor, “The Peace Train” é considerado por alguns como um dos maiores protestos contra a guerra, ao lado de “Imagine” e “Give Peace a Chance”.

Quando eu a ouvi pela primeira vez a única coisa que entendi da letra foi “sounding loud the Peace Train” (e nem é essa a letra). Mas o arranjo conquistou meu gosto, e é certo que alguma verdade universal há na música, porque a letra pode ser interpretada de acordo com a fé de qualquer um (não é preciso seguir a mesma religião do Yusuf para ver sentido e significado).

Wild World

Talvez seja considerado o melhor trabalho de Cat Stevens em todos os tempos, e com certeza é o mais conhecido (foi regravado por muita gente desde 1970, no primeiro álbum pós tuberculose — doença que, como falamos acima, o levou a pensar e meditar sobre o significado da vida).

Steven desenvolveu um relacionamento de dois anos com uma garota americana, e entre outras esta canção é sobre ela. Fala sobre o fim do relacionamento deles, e da antecipação da tristeza e da dor que viriam da separação.

Entretanto, devo confessar que sempre pensei que a música fosse um pai dizendo à filha que estava saindo de casa que o mundo é cruel, tem gente má em toda parte, mas que ela teria de ir para sua vida mesmo.

Lady D’Arbanville

Já que falamos dessa namorada de Stevens, cabe aqui uma outra canção que ele escreveu para ela, que se chama Patti D’Arbanville.

Reza a lenda que Patti, jovem e ambiciosa, fez uma viagem de um mês para os Estados Unidos, para cuidar da própria vida, da própria carreira, e o namorado ficou tão triste, tão devastado, que escreveu essa letra como se ela estivesse… morta!

I Love My Dog

Por um lado, eu gosto dessa canção porque assim como Cat Stevens eu gosto muito de cães (e gatos, e outros animais domésticos ou não).

Mas o mais interessante nem é a comparação que a música faz entre a lealdade de um cão para com seu dono e a de um ser humano com outro. O que mais me chama atenção é o fato de que essa música se tornou um grande sucesso nas rádios piratas londrinas, dando um grande empurrão na carreira de Cat Stevens.

Father and Son

Esta lindíssima canção fala sobre as trocas entre um pai que não entende o desejo do filho de sair de casa e ter uma nova vida, e o filho que não consegue nem se explicar mas sabe que é hora de ir em busca de seu próprio destino.

Para marcar o diálogo, o cantor alterna os registros vocais, fazendo uma voz mais grave quando interpreta as falas do pai, e uma mais aguda e emotiva para o filho.

Esta canção foi originalmente escrita para um projeto musical desenvolvido durante a Revolução Russa. O filho, no caso, queria unir-se à revolução, contra os desejos do pai. O referido projeto pereceu, mas a canção sobreviveu e refletiu o conflito de gerações que sempre existiu e sempre existirá.

Where do the Children Play

Esta canção, também de 1970, fala do ponto de vista de um homem que reconhece a evolução, mas sente que alguma coisa está errada: “we’re changing day to day, but tell me, where do the children play?” (estamos mudando dia após dia, mas me diga, onde as crianças brincam?). A letra retrata a preocupação com os problemas oriundos da evolução, tais como pobreza, desastres ambientais, e outros problemas que se mostraram motivos para outras músicas de Yusuf.

E já que falo aqui de Yusuf, o vídeo também é de uma versão bem mais recente, depois que ele retomou a carreira como músico.

Boots and Sand

Lembra que em 2004 Yusuf foi impedido de entrar nos Estados Unidos? Pois bem, esse episódio rendeu uma belíssima canção. Mas, afinal, não é isso que os artistas fazem sempre, alquimizar dor e tristeza, extraindo delas a beleza que nem todos veem?

Hard Headed Woman

Na verdade, esta canção não é do Cat Stevens, e sim de um autor afroamericano chamado Claude Demetrius. Foi escrita em 1958, e fez um imenso sucesso quando foi gravada por Elvis Presley. Entretanto, eu gosto tanto da interpretação do Cat Stevens que não resisti a incluí-la nessa lista.

Creio que Demetrius tenha falado por todos os homens inteligentes quando escreveu esta poesia, que com mais de cinquenta anos de idade continua absolutamente atual.

If You Want to Sing Out, Sing Out

Bem, é certo que deixei o melhor para o final.

Esta canção é um verdadeiro hino à liberdade, deve ser escutada e compreendida por todos aqueles que duvidam do direito de serem o que bem entenderem, de fazerem o que quiserem (o que, é claro, implica aceitar pagar os preços por cada escolha, mas isso é papo para outro post imenso).

Bônus: Ensina-me a Viver

O filme Harold and Maude (Ensina-me a Viver, no Brasil), cuja trilha sonora foi composta pelo Cat Stevens (acho que na época ele ainda não era Yusuf — essa confusão de nomes vai acabar me deixando esquizofrênico), é uma das mais belas obras do cinema. Recomendo a todo mundo que tenha sensibilidade suficiente para entender que uma história de amor pode ir, e vai, além de aparência física ou qualquer outra convenção social idiota que se possa inventar.

No clipe abaixo, algumas das canções com legendas em Português, para facilitar a apreciação.