
Duas mulheres podem, né?
Estive pesquisando no Google para ver se descobria por que raios a gauchada chama o pãozinho francês de “cacetinho”, e acabei caindo em uma página do Yahoo! Respostas com uma pergunta de um rapaz de 19 anos, angustiado porque o pai estava prestes a descobrir que ele (o filho) é gay, e por isso o expulsaria de casa.
Querendo ou não, gostando ou não de admitir, fui tomado pelo preconceito desde a primeira linha que li, e em seguida fui brindado com amostras generosas de ignorância e preconceito das pessoas que, cheias de boa intenção (mas esquecidas de que boa intenção é o pavimento do caminho para o inferno), desfiam seus rosários de asneiras na tentativa de orientar o pobre rapaz.
O meu preconceito se manifestou quando vi a maneira como o jovem escreve: não li a palavra “não” uma vez sequer, mas “naum” era mais frequente que a expresão de desespero do rapaz. Depois, um preconceitozinho mais de leve: ele diz que tem 19 anos e é sustentado pelo pai; eu aos 14 saí de casa e aos 19 já tinha mais história de vida que muito tiozão de 40 que mora com a avó.
Mas ao ler o relato do rapaz, que diz ganhar 300 Reais por mês e por isso não ter como se sustentar, fui tomado de verdadeiro dó, chegando ao ponto de desejar que a família inteira passasse por uma sessão de terapia com a Dona Consciência. Ou melhor, só com a bainha.
O conselho mais sensato que deram pro rapaz foi também um dos mais apedrejados — por causa da cultura do coitadismo, imagino, ou então porque as pessoas ainda não entenderam que só a viadagem para superar a homofobia. Disseram pro rapaz ter uma atitude de homem e assumir que tem 19 anos, e não precisa mais de papaizinho pra nada. E eu concordo, não importa se ele é jóquei de jiboia ou não, o que importa é que nasceu com um par de ovos (ao menos, todos os sinais indicam isso) e nesta idade ele já está mais do que maduro para honrá-los.
Nem vou falar dos que disseram que “acham errado o homossexualismo”, pois este tipo de opinião que se sustenta apenas em argumentos tão profundos quanto “é porque sim” não merece nem este parágrafo que ganhou aqui.
Mas atesto que se o sujeito foi homem pra escolher gostar de homem (pausa para o apedrejamento… ok, prossigamos) ele deve ser homem pra escolher cuidar de si também.
O argumento mais comum — e está presente na página de respostas que deram pro rapaz — é que ninguém escolhe ser gay ou hétero; muitas vezes tentam justificar que se pudessem escolher, seria em favor da opção mais fácil, ou seja, ser heterossexual, transar pra procriar e trabalhar para pagar a hipoteca e o financiamento do carro, fingindo uma vida de comercial de margarina.

O coitadismo leva ao suicídio
Entretanto, alimentar esta falácia é alimentar o coitadismo, a falta de responsabilidade sobre si mesmo. Enquanto o indivíduo não assume a autoria das suas escolhas — sejam elas quais forem — ele continua a iludir-se, alimentando o delírio de que alguém fora de si próprio é o responsável pela sua vida, relegando-se ao segundo plano da própria existência. Absurdo!
Notem que não estou aqui atacando ou defendendo as opções sexuais de ninguém; este é apenas o mote que me leva a fazer alguma reflexão acerca da incoerência que as idiossincrasias da nossa sociedade ocidental “moderna” expõe.
O rapaz em questão, assim como qualquer ser vivente tem mais que o direito, tem o dever de ser feliz, e fazer pela própria vida o que mais adequado for para alcançar esta felicidade. Até porque se ele não fizer isso ele não vai nem mesmo ter legitimidade para ser chamado de gay, termo que em sua acepção quer dizer “alegre, feliz”. Que felicidade tem um suicida, Deus do Céu?
Se a pessoa achar que tem que sair por aí travestida, ou amputando o pinto, ou inflando-se de silicone industrial para afirmar sua sexualidade, que faça.
Se ela acha que tem que ocultar-se na hipocrisia, casando, tendo filhos e trepando às escondidas em ambientes escusos, para manter a aparência de comercial de margarina, que faça, e a otária que casar com este hipócrita que pague o preço pelas suas escolhas.
Mas há que se assumir a responsabilidade por cada simples coisinha que acontece na vida.
Mas a felicidade tem preços, e no caso do rapaz em questão o preço consiste em trancar a faculdade e ir morar numa pensão, num quartinho ou com algum amigo — que ele diz não ter — até ter condições de se sustentar e ter um padrão de vida melhor.
Os coitadistas que responderam ao rapaz também alegam que não é fácil para um jovem sem formação arranjar um emprego decente, mimimi e mais mimimi. Tudo conversa fiada, pois quem quer trabalhar acha o que fazer. Nem que seja vender sanduíche e tang aguado no centro da cidade. Tendo saúde e força de vontade, não tem essa de não vai dar.
Mas, sei lá, né? De repente eu sou mesmo muito ogro, e intolerante.
Ah, claro, quase que esqueço: a página do Yahoo! Respostas pode ser encontrada aqui.

Encontrar emprego é fácil, o Bobs por exemplo tem cotas
Há! Brincadeirinha…
O McDonald’s também.
Concordo com você, nunca me convenci dessa parada do povo dizer ” não consigo arrumar emprego em lugar nenhum”. Ta certo que muitos realmente nao arrumam , mas tem uns ai que acham que tudo é vergonha. Tem muitos que querem começar por cima, coisa quase impossivel, você tem que colher migalhas , pra depois achar o caminho certo. E enquanto o rapaz, entendo pelo que ele está passando, é muito ruim quando não entendem a gente . E se o pai ao descobrir que ele é gay iria realmente expulsa-lod e casa é porque nao entende. Mas o primeiro paragrafo, de porque as gurias do sul chamam o paozinho francÊs de “cacetinho” /KAOPKSPKAOPKSPOAKPAS rii muitooo
Cara! Eu fico injuriado porque as pessoas tem tanto medo do que as pessoas pensam, ou de como as vêem? Como se não bastasse porque usam isso como desculpa para não ter de enfrentar a vida e quem sabe vencer.É inacreditavel que ainda haja pessoas que se rotulam simplesmente ao coitadismo,e acabam gostando de se escravisar a esta condição. Quero muito que este individuo possa acordar e se libertar pra vida.