Amigo de Aluguel: profissão emergente ou reedição da mais antiga?


Diz o ditado que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo. Não tenho elementos para atestar a veracidade de tal afirmação. Não consigo imaginar por que a profissão de pastor ou agricultor possam ser menos antigas. Mas pouco importa. O que quero mesmo, nesse momento, é fazer um paralelo entre a profissão mais antiga do mundo e a profissão mais recente (ou uma das mais recentes), a de “amigo de aluguel”.

E aí, gatcheenho, precisando de uma amiga?

Primeiro, falemos das diferenças: enquanto as prostitutas têm como objetivo ganhar dinheiro utilizando as mãos e as mucosas, os “amigos de aluguel” (ou no anglicismo mais estúpido que já vi na vida: “personal friends”) não tiram a roupa, sequer tocam o corpo do cliente. Enquanto prostitutas e michês são objetos de cama e talvez banho, os “amigos de aluguel” são objetos de mesa.

Dizem que para trabalhar na prostituição é necessário saber dar prazer ao cliente, e na maioria das vezes não precisam ser capazes de verbalizar mais do que grunhidos, gemidos e outros sons guturais. Já para ser “amigo de aluguel” dizem que é necessário ser culto, inteligente, articulado.

Entretanto, não é o que tenho visto. Os “profissionais” que tenho tido o desprazer de ver por aí costumam escrever como analfabetos, são ladrões de conteúdo (incapazes de escrever um texto com um mínimo de coerência, montam sites e blogs com textos roubados de pessoas inteligentes, para que os clientes pensem que a inteligência e a erudição vêm do “amigo” que podem contratar) e na maior parte das vezes dizem ter um nível de escolaridade que não condiz com seu vocabulário ou sua expressão pessoal.

Claro que se produtos existem à venda no mercado, isto se dá exclusivamente porque há demanda para eles.

Assim, os clientes de michês e prostitutas são em sua grande maioria pessoas fracassadas no mister de encontrar um parceiro ou parceira sexual pelos seus próprios encantos. Se não for pela feiura ou pela porquice, que seja pela total e absoluta falta de traquejo social, pela incapacidade de manter uma conversa minimamente interessante a ponto de despertar interesse em outrem. Outra parte dos clientes dos profissionais do sexo, presumo que a minoria, é formada por doentes viciados em sexo, ou que — a despeito de terem todas as condições para se relacionarem naturalmente com quem bem entendessem — preferem pagar pelo sexo, só encontram satisfação caso paguem pelo prazer que obtêm com outra pessoa.

Em resumo, posso generalizar dizendo que clientes de prostitutas e michês são fracassados. Mas não necessariamente do pior tipo.

Já os clientes de “amigos de aluguel” não são muito diferentes. Estes são fracassados incapazes de ter amigos de verdade, incapazes de conquistar uma companhia espontânea para conversar, ir ao cinema, ao teatro. Assim, acabam pagando para aproveitadores que usam seu tempo ocioso para extorquir dinheiro de fracassados sociais. Clientes de “amigos de aluguel”, esses sim são os fracassados do pior tipo.

Sou total, radical e decididamente contrário ao suicídio. Mas se um dia eu me vir sem amigos de verdade, e for obrigado a pagar para ter companhia (e ainda por cima nem poder transar com ela, porque o contrato não prevê) eu juro que me mato. Jogo milhares de anos de reencarnações e evolução espiritual no lixo, mas me mato. É preferível a sustentar vagabundo que quer se dar bem explorando fracassados.

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