21 Oct 2006
Ame seus Inimigos
Meu irmão (não consangüíneo, mas ainda assim meu irmão) Fábio publicou um artigo em seu blog chamado, veja que coincidência, Ame seus inimigos. Eu ia responder num comentário lá no blog dele, mas como o assunto começou a espichar, achei melhor continuar a conversa por aqui, num artigo novo.
Na verdade não é bem uma resposta ao Fábio, e sim um leve aprofundamento da reflexão que ele trouxe, com elementos que comumente esquecemos de considerar.
Cabe ressaltar que o aspecto religioso do artigo do Fábio perde um pouco de espaço aqui no Blogue para reflexões de uma lógica um pouco mais — como direi? — mundanas.
Quando o Cristo disse para amar os inimigos, ele não estava dizendo para fazer caridade com os FDPs que que atrapalham a nossa vida. Tampouco ele disse para sermos toleirões que esquecem do que aprontam contra nós.
O que ele disse foi para usarmos os inimigos como ferramenta de autoconhecimento, pois somos todos iguais, somos os únicos responsáveis pelo que nos sucede e os únicos que terão de pagar o preço pelas escolhas que fizermos. Em outras palavras, o que o Cristo disse é que otário é quem desperdiçar o presente que é a chance de aprender que o inimigo representa.
Todo mundo sabe que espelho é aquele aparato que serve para refletir a luz, as imagens, ou como queiram chamar. Assim também são todas as pessoas com relação às outras: espelhos que refletem aquilo que o observador tem em si, admita ele ou não.
Assim sendo, se eu acho o Fábio um cara legal e inteligente, ponto positivo para mim que sou legal e inteligente o suficiente para reconhecer essas qualidades nele; essa é a parte fácil, identificar as virtudes do outro e considerar que essa identificação é mero reflexo das nossas próprias.
Porém, se eu vejo, por exemplo, uma tartaruga sobre um poste, manipulável, prepotente, pernóstica, egoísta, burra, devo ter a mesma boa vontade de reconhecer que eu próprio só posso ser manipulável, prepotente, pernóstico, egoísta e burro também.
Peraí, como assim manipulável, prepotente, pernóstico e blá-blá-blá?
Queira eu ou não, goste ou não, aceite ou não, eu só posso ter essas características que, entre outras, me fazem ter horror a certas pessoas.
Só que o problema não são elas, o problema não é delas, e elas não tem nada a ver com isso. Nem mesmo a cavalgadura tem qualquer responsabilidade quanto ao mal estar que me causa (e, convenhamos, seria ótimo se fosse possível atribuir a ela — à cavalgadura — a culpa pelas minhas frustrações).
Nesse ponto eu chego ao meu momento de Neo: ou tomo a pílula da verdade — admitindo que sou tão pleno de defeitos quanto qualquer pessoa que cruze o meu caminho — ou a da ilusão — acreditando imbecilmente que eu sou perfeito e que meus eventuais desafetos são seres do mal, uma espécie de Mumm-Ra da vida real.
Então, ora essa, “amai os vossos inimigos” foi um conselho iminentemente prático dado pelo Cristo. Livremente traduzo para: “ao invés de culpar seus desafetos e tentar afugentá-los, seja macho e enfrente seus próprios defeitos, assuma a sua responsabilidade, admita que você é tudo aquilo que você nega, mas reconhece nos outros”.
Não é fácil aceitar, nem eu espero que você, caro leitor, aceite o que estou dizendo. Na verdade, pode parecer um verdadeiro absurdo para quem nunca pensou na hipótese de eu esar certou, ou, pior ainda, para quem fica aterrorizado ao cogitar que realmente o que vemos nos outros seja apenas a projeção do que vai em nossas próprias almas.
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Perfeito Janio. Apesar do meu artigo ter uma visão mais espiritual, o teu traz idéias práticas para o dia a dia. Acredito que o caminho seja enxergar os outros como irmãos, sem julgá-los e procurando melhorar em nós o que vemos de ruim neles.
Obrigado pelo comentário e pelo complemento das idéias. Um grande abraço!
No meio de tantos feeds sobre tecnologia e internet, navegar pelos blog que de alguma forma, falam da espiritualidade universalista, é muito legal.
Amor o inimigo, eu sei o que significa. E só sabe, ou melhor, só sent o que é isso quando o faz. Quem tem inimigo e o amo somente na frente de outras pessoas, mas por de trás alimenta os mesmos pensamentos (não bons) sobre a pessoa, não está amando, está atuando.
Sou daqueles que acreditam que todos precisamos aprender amor e caridade.
Atualmente eu tenho sentido um ódio da minha mãe, na verdade eu queria amá-la, mas não consigo!
Ela me disse coisas horríveis, e por mais que eu saiba que ela sofre de algum problema psíquico, às vezes eu penso que ela fez de propósito… Eu não acredito mais nela como ser humano, é isso que está acontecendo… Eu sinto medo que ela faça tudo de novo, por esse motivo eu a deixo de lado. Queria que tudo fosse diferente, não posso dar a ela o que ela não teve, não posso viver a vida por ela. Ela precisa perdoar o meu pai. Ela precisa perdoar a vida, se perdoar…
Naomi.
Não pense que você é a única que sente ódio da mãe (ou do pai, ou de seja lá quem for), nem a única que se sente culpada por isso.
Seria leviano de minha parte querer ajudar por meio de um site na Internet. Seu caso requer um ser humano “de verdade” ao seu lado, talvez um profissional da área de psicologia, que possa ajudar você a sair desse “espaço de culpa” pelo suposto ódio que sente da mãe, conduzindo a um estado de mais racionalidade e amor próprio, para que após amar-se você possa decidir realmente se quer ou não amar a sua mãe, ou quem quer que seja.
Minha sugestão nesse momento é que você tire o foco de sua atenção de sobre ela, e cuide ao máximo de si mesma. E procure um psicólogo. Não sei de que cidade você é, mas se for de Porto Alegre ou arredores eu tenho um profissional excelente para indicar para você.
Qualquer coisa, você sabe como entrar em contato comigo, OK?