Meu amigo e eu fomos ao Carrefour do Ribeirão Shopping para comprar umas postas de cação para fazer uma moqueca. Na peixaria escolhemos os pedaços que nos agradavam, e dirigimo-nos à balança mais próxima para efetuar a pesagem. Ficamos mais de cinco minutos ali, aguardando um funcionário para apertar o botão e imprimir a etiqueta. Quando já estávamos desistindo da compra o rapaz apareceu, e levou os pedaços de peixe para pesar em outra balança. Tudo muito bem, tudo muito bom, se não fosse por um único porém: a segunda balança, que efetivamente estava emitindo a etiqueta pela qual o produto seria cobrado, estava registrando um peso maior que o peso da primeira balança!
Reclamamos na hora, e o funcionário da peixaria disse que não podia fazer nada, porque aquela era a balança que funcionava, enquanto a que tínhamos usado para pesar o peixe antes não. Meu amigo disse que era uma explicação muito simplista, e que queria falar com o gerente; quando virou as costas para o funcionário eu pude ler em seus lábios “vai tomar no cu, palhaço”.
Apesar da diferença, em nosso caso, ser da ordem de 10% (a segunda balança pesou 1.098g, enquanto a primeira apenas 984g, o que dá um pouquinho menos de 12%, para ser exato — veja imagem na continuação do texto), o que implicaria uns poucos centavos no total da compra, ficamos incomodados com o tratamento que nos foi dispensado desde o início: primeiro pela espera excessiva num equipamento que não funcionava, depois pela explicação sem sentido do atendente, e por fim pela (falta de) educação do sujeito, ao ofender um cliente, que ainda por cima calhava de ter razão.
Meu amigo também ouviu o xingamento, e falou que o rapaz deveria ter mais educação. Claro que não estávamos mais falando no tom educado e ameno a que estamos habituados, e eu próprio já tinha tratado de doutrinar todos os clientes que pude para que conferissem a pesagem de suas mercadorias.
Não demorou muito para haver uma imensa fila de pessoas que desejavam a repesagem de suas mercadorias, enquanto nós ficávamos ali, pedindo para todos os funcionários que passavam, para chamar o gerente, que nunca vinha.
Cerca de quarenta minutos depois, de mãos vazias e cabeças cheias, fomos falar com o gerente, que quase surtou ao saber como havíamos sido tratados, embora nos chamasse de mentirosos (muito mais sutilmente do que seu colega nos chamava de palhaços) ao atestar que todas as balanças são de precisão e que erros não ocorrem.
Saímos frustrados, sem saco para argumentar com o gerente, e acima de tudo morrendo de vergonha alheia. Não porque o rapaz faltou com o respeito conosco, mas porque uma empresa do porte do Carrefour bota para trabalhar em contato com o público uma pessoa despreparada, desequilibrada, desmotivada, destreinada, ou tudo isso junto. Ou alguém duvida que muito mais frustrado do que os clientes ofendidos estava o rapaz que chegou ao ponto de arriscar seu emprego para não implodir de estresse?





Já vi esse tipo de situação em outras redes. Uma ex-aluna minha trabalha em um super dos grandes e me disse que é pressão o tempo inteiro. Tem horas que o sujeito explode mesmo. Eu mesmo já vi um “supervisor” ou coisa parecida dando esporro nos funcionários em pleno corredor.
Claro que isso não justifica a atitude de nenhum deles, e mostra como somos lesados de centavo em centavo.
Se ninguém reclamar, como tu fizeste, no final do dia os caras terão embolsado um monte de grana, e no final do mês mais ainda!
Realmente um abuso. Até parece que a gente está fazendo um favor.
Pelo menos conseguiu fazer a muqueca?
Não, fio, acabamos por fazer uma picanha na chapa.
Eles fazem isto porque todo mundo aceita, mas se pelo menos a metade dos lesados fizesse o que vocês fizeram, já, já acabaria com esta tunga
[...] tanto de criticar quando somos mal atendidos, quando nos desrespeitam como consumidores, quando até nos faltam com a educação, mas quando aparece um serviço [...]
[...] Outro dia a tentativa de fazer uma moqueca de peixe foi frustrada pelo Carrefour. Mas ontem vi na tevê um comercial de um supermercado (o CompreBem) com uma oferta [...]