07 Nov 2007
Abundância não combina com avareza
Os amigos mais próximos sabem que nos últimos dias (os meses de setembro e outubro inteiros, para ser mais exato) passei por uma crise bastante severa: terminei um relacionamento de cinco anos da maneira mais dolorosa possível (como se fosse possível separar-se de quem se ama sem dor, muita dor), saí do “emprego” (uma consultoria que pagava o uisquinho importado das crianças), a PortoFácil perdeu alguns assinantes que pagavam bem, teve alguns acidentes de percurso, o faturamento com meus blogs dminuiu justamente quando eu mais precisava dele.
De nada valeria esse sofrimento todo se não fosse para eu aprender alguma coisa. E por estes misteriosos caminhos da alma (às vezes nem tão misteriosos assim) acabei chegando a uma compreensão que gostaria de partilhar com o maior número de pessoas possível, e essa compreensão é a de que você só tem aquilo que você dá.
Para mim está sendo um exercício e tanto de comunicação traduzir em palavras uma compreensão que se deu totalmente no coração. Mas não posso me furtar ao dever de fazer a minha parte: oferecer a sementinha, que se acontecer de cair em solo fértil germinará.
O grande problema da Humanidade com relação à fartura e à abundância, ou à riqueza, é que as pessoas confundem acumular e reter com ser rico. Não têm nada a ver uma coisa e outra. As pessoas têm tanto medo de perder (seja lá o que for: dinheiro, bens, posição social, afeto — principalmente — ou qualquer outra coisa) que tentam acumular todas estas coisas sem dar nada disso aos outros. É a mesma situação da pessoa que morre por falta de ar: de fato ela fica inspirando, inspirando, inspirando, insistentemente, sem se dar conta que precisa expirar, para que o gás carbônico desocupe os pulmões, liberando espaço para o oxigênio.
Em meu caso específico, dei-me conta de algumas barbaridades: meu roupeiro está entupido de roupas, mas creio que apenas uma quarta parte delas realmente devesse estar ali, pois o resto são coisas de anos passados, que já não cabem mais em meu corpo, ou então roupas horríveis e desconfortáveis que eu nunca entendi por que comprei, se não gostava; a prateleira dos sapatos está repleta de calçados furados, rasgados, ou simplesmente fora do meu gosto, sendo que apenas um par de tênis e dois de sapatos — um mais casual e um mais social — realmente são úteis; no HD dos computadores então eu nem falo: a quantidade de arquivos, filmes, músicas, downloads em geral, que eu tenho pena de deletar porque um dia serão úteis, é algo! Tenho um HD inteiro de 160GB ocupado por lixo! Ah, claro, as gavetas são um capítulo à parte: parafusos, cartões de visita de gente que não faço a menor idéia de quem seja, flyers de festas que passaram e a que nunca fui, recibos de compras com cartão de crédito, tickets de estacionamento, entradas de cinema, tudo quanto é tipo de lixo!
Segundo Hermes Trismegistus, na famosa Tábua de Esmeralda, “o que está embaixo é como o que está em cima”, ou seja o microcosmo é semelhante ao macrocosmo, e disso depreende-se que o que está fora é como o que está dentro (da alma). Da mesma forma, o corpo, o espaço em que uma pessoa vive, etc, podem dizer como é a vida emocional desta. No meu caso, dei-me conta que estou bem acima do meu peso ideal — embora tenha emagrecido 12kg nestes dois meses —, o que é também sinal de que assim como eu junto tralhas nas gavetas, junto tralhas emocionais, migalhas de afeto; tanto que meu abdômen não agüentou, e acabou produzindo uma hérnia, para dar mais espaço para as tranqueiras se acomodarem dentro de mim.
Acontece que quando uma pessoa está nesse estado de espírito, sentindo-se na necessidade de acumular restos — de afeto, em última análise — ela passa a se ressentir do passado e/ou a preocupar-se com o futuro; ora o passado já passou, e o máximo que se pode fazer com ele é entendê-lo, enquanto houver necessidade, e usá-lo como referencial para aprender a viver melhor no presente; e o futuro é algo incerto, que não existe, assim como o passado. Só o que existe é o momento presente. Assim, quem fica retendo, represando a energia (não importam em que formas isso se manifeste) acaba ausentando-se do único momento real que existe, o momento presente; ou ela escapa para o futuro, na forma de preocupações ou devaneios, ou dispara para o passado, na forma de ressentimentos ou de outros pensamentos igualmente fantasiosos. Ao ausentar-se do momento presente, a mente da pessoa fica disponível a qualquer outra forma de energia que queira dela tomar posse, iniciando-se um processo de vampirização.
Aliás, quem está nesse espaço emocional nem se dá conta disso, e pode até achar absurda essa idéia, pois o próprio sujeito naturalmente começa a direcionar seu pensamento para outras pessoas, com inveja, rancor, raiva, etc, indo assim ele próprio vampirizar o outro, o que o faz achar plenamente natural ser ele próprio vampirizado. O “corpo emocional” da pessoa, nesse caso, vira um pandemônio, com agregados psíquicos os mais diverso, também ausentes de seu momento presente, alimentando uma teia de vampiros mortos-vivos sem tamanho.
Assim, a primeira chave para sair desse círculo de horrores é para de desperdiçar energia no passado ou no futuro, focando-se no presente. Ao estar numa festa, que se esteja numa festa; estando com um amigo, que se esteja com esse amigo; saboreando um café, que se saboreie esse café; escrevendo um post para o blog, que se escreva o post. Focar-se no presente ajuda a estancar os drenos energéticos, bem como suscita a descoberta de prazeres simples e dos quais se pode desfrutar graciosamente: quem está presente numa refeição percebe que os alimentos passam a ser mais saborosos; quem está presente diante de um filme a que assiste percebe melhor a fotografia, a música, a atuação dos artistas; quem está presente ao fazer exercícios físicos percebe e aproveita muito melhor as descargas hormonais que causam bem estar e prazer.
A segunda chave para sair disso é também óbvia e simples, mas muito difícil de ser empregada: o perdão. É claro que ajuda um bocado livrar-se das roupas velhas, que podem ser doadas a quem delas vá fazer bom uso, assim como limpar as gavetas e arrumar o armário. Contudo, o físico é a manifestação do emocional, e é nesse nível que as transformações precisam começar para serem efetivas. Logo, perdoar quem tenha sido causador de mágoa ou sofrimento é mister para quebrar o círculo vicioso dos zumbis vampiros.
Perdoar quem traiu ou magoou, como perdoar a si mesmo, é primeiro e importantíssimo passo para atrair a abundância para a vida. Mas não falo aqui de desprezar o outro (punição) ou virar vítima profissional (autocomiseração), falo de perdoar mesmo. Perdoar é como expirar ao invés de ficar ocupando os pulmões com gás carbônico: libera as emoções e energias que já não servem mais para que a energia da cura, da abundância, da felicidade, ocupem aquele espaço.
Assim como as trevas na verdade não existem, são apenas a ausência de luz, também a miséria é uma ilusão: ela apenas é a ausência de abundância. E a abundância é uma das manifestações do Amor divino, assim como a saúde (cujo antônimo, a doença, também é uma ilusão — doença é apenas falta de saúde) e a alegria (tristeza é apenas a ausência de alegria). No momento que acende-se um palito de fósforo na escuridão, ou uma vela, aquela pequena chama ilumina e aquece, não importa a extensão ilusória das trevas.
Acredite, a Criação Divina foi toda pensada para ser abundante e próspera; ninguém nasceu para viver na miséria, material ou afetiva. Qualquer um pode ter riquezas infinitas, o que é diferente de ter dinheiro guardado no banco, basta não atrapalhar o movimento natural do Universo.
Uma das maneiras de não atrapalhar o movimento natural do Universo é — reiterando o que eu disse antes — parando de sentir peninha de si mesmo. Assim como meu armário estava cheio de camisas da década de oitenta, onde não caberia uma camisa nova a não ser à custa de muito sacrifício, assim a abundância não consegue chegar em quem está entupido de sentimentos negativos de dó de si mesmo, o que em última análise é ter raiva de Deus; impedir a abundância de chegar a si é vingar-se da Divindade, como seu Sua Criação pudesse ser algo imperfeito.
Autocomiseração, embora a um olhar desatento não pareça, é a maior manifestação de falta de amor próprio. Ora, comecei este texto dizendo que entendi que as pessoas só têm o que elas dão. O que eu mais quero ter é amor, que acaba também manifestando-se na fartura material. Então, por este raciocínio, se eu quero ter amor, eu devo dar amor antes de tudo! Quanto mais amor eu distribuir, mais amor eu vou receber de volta do Universo. Sim, isso é o mais puro egoísmo, mas não há nada de errado nisso. Quando o Cristo ensinou “ama teu próximo como a ti mesmo” ele não estava ensinando isso pelo próximo, mas pelo bem do próprio sujeito!
Só que tem um detalhe, que vai muito além em significado do que um mero jogo de verbetes: ninguém pode dar o que não tem. Assim, antes de tentar amar o próximo como a si mesmo, é necessário ver que no ensinamento crístico há uma implicação lógica: para amar o próximo é necessário amar a si mesmo antes! Só quem se ama primeiro é que pode dar amor ao outro; a fonte do amor que se vai distribuir não pode ser externa, pois isso é vampirização, isso é o círculo de zumbis vampiros.
O livro “O Segredo” tem feito muito sucesso no mundo todo, ensinando a usar as leis da atração para atrair aquilo que se deseja. Funciona assim mesmo, mas não lembro de ter visto no filme (não li o livro) acerca da necessidade de primeiro dar ao Universo aquilo que se quer obter.
Àqueles que leram este longo texto, muito mais longo do que o habitual aqui neste blog, preciso agora agradecer de coração pela oportunidade de permitirem que minhas palavras sejam sementes boas jogadas no solo de seu coração. Esta é a minha parte: ensinar o que eu tenha aprendido a todos aqueles que também desejem aprender. Obrigado por me ajudar a cumprir com o meu dever de retribuir ao Universo todos os milagres e bênçãos que Ele me tem concedido.
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Coração semeado por aqui. Ah, e quem tem que agradecer sou eu, afinal, seu post foi tocante.
Abraço.
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Estou muito feliz em ler que a tempestade está passando e que a sua vida está entrando nos eixos… Sempre torci por você e achei muito legal você compartilhar essas palavras conosco…
Só tenho a lhe dar parabéns e dizer que em orgulho de ser seu amigo!!!
(ok, ficou brega, mas dessa vez passa, ok?)
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Belíssimo texto, fazia tempos que não lia algo assim.
E obrigado a você por plantar um pouco de conhecimento em nosso dia.
Forte abraço.
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Bah… Por aqui também foi de grande valia. Há tempos não lia algo tão bom.
Não sei ao certo pela situação a qual você está passando mas, acho que agregou algo de bom a você.
Espero, do fundo do coração, que fiques melhor.
Fica com Deus - Grande beijo no coração!
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Janio, amigo da alma
Impresionante a clareza de sua compreenção, e a forma como escreveu a para que todos possamos usufruir de sua esxperiência, e nos beneficiar dela.
Estou certa de que esta “sementinha” vai cair em muito “solo fertil” e dar muitos e variados bons frutos.
Celebro a Vida com você, e desejo para você e para nós todos, que tivemos o previlégio de ler seu post, o renascimento na abundancia, de que falam as suas palavras, e que está implícito nas entrelinhas.
Beijos!
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Os políticos conspucraram a máxima “é dando que se recebe” Jânio, mas vc acaba de reabilitá-la aqui e agora.
E se nos dás o teu coração, já tens o nosso contigo!
Grande, irmão!
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Excelente, EXCELENTE artigo, Jânio.
Puxa vida, cara… Infelizmente, vi que tenho sido bastante egoísta, apesar de já ter conseguido me desligar de muita coisa negativa.
Seu texto foi muito esclarecedor… Bom saber, meu amigo, que você está evoluindo, e enxergando a verdadeira luz onde, às vezes, as trevas não deixam espaço para a visão.
Mas como você mesmo disse, basta uma centelha, uma simples fagulha, para que tudo se ilumine. Mas, para que isso aconteça, o principal: Precisamos estar de olhos abertos.
Que bom que você abriu os olhos. E que bom que ajudou a abrir os olhos de muita gente.
Agora, é só acender a centelha!
Grande abraço, meu amigo!
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Janio!
Realmente está fantástico teu texto! Esplica muito bem conceitos que as pessoas tês muita dificuldade de entender. Explica o por que elas passam por momento dificies e que se quiserem podem sair e voltar a ser felizes.
Teu texto me ajudou a esclarecer algumas coisas em minha própria cabeça; Mas coisas que eu já sabia e que precisava apenas enchergar.
Obrigado meu amigo!
Abraços! Rodrigo Schmidt
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