A tentação do dinheiro fácil
A cena é típica, e qualquer um que tenha o crédito “bom” no banco já passou por ela dezenas de vezes. E se não passou ainda vai passar: você vai ao caixa eletrônico para fazer uma operação qualquer, como sacar dinheiro ou pagar uma conta, e antes de oferecer o menu de opções a máquina oferece um crédito pré aprovado no valor de sabe-se lá quanto.

Vou contar um histórico podre de uma vida passada minha, cujo karma ficou marcado em minha alma de forma indelével até hoje. E vou gastar apenas uma frase para isso.
Eu já me ferrei muito por causa desses crédito pré aprovado!
Se o sujeito tem o crédito bom, mas está passando por um aperto, a tentação de livrar-se do problema com um empréstimo simples e descomplicado parece irresistível. Mas é uma armadilha para pegar trouxa.
Crédito pré aprovado: o lado bom
O lado bom do crédito pré aprovado direto na máquina do banco é quase que meramente psicológico: você não tem que pedir dinheiro emprestado para nenhum cunhado ou pra sobgra, nem pedir adiantamento de salário, nem ao menos humilhar-se para nenhum gerente de agência que você pensa que vai ficar te julgando, mas na verdade ele só quer é que a agência dele cumpra as metas de vendas de produtos, entre eles os empréstimos, para que ninguém seja demitido e as promoções e aumentos de salário sejam garantidos.
Você vai lá na máquina, escolhe o valor que quer tomar emprestado, o valor que quer pagar nas prestações, digita a senha, e pronto, a grana está na conta, vestida com o falso manto da facilidade, implorando para ser gasta.
Crédito pré aprovado: o lado ruim
O lado ruim do crédito pré aprovado está nas letras miúdas: taxa de juros absurdamente altas (ainda assim, provavelmente mais atraentes do que a do cheque especial), associadas ao fato de que se você está na lama financeira é porque seus redimentos estão sendo insuficientes para cobrir as despesas, e para tentar solucionar este problema você vai lá e o piora, criando ainda mais despesas.
Como livrar-se das dívidas sem precisar de empréstimos

Na verdade, você só se livra das dívidas se não fizer empréstimos, caso contrário você estará apenas trocando de credor, mas as dívidas permanecerão.
Como um excelente ponto de partida eu gostaria de indicar a leitura de um post de autoria de meu amigo Conrado Navarro, do blog Dinheirama: Livrar-se das dívidas e limpar seu nome com dignidade é possível!
Felizmente eu consegui fazer o caminho de livrar-me das dívidas (adquiridas por absoluta necessidade, verdade seja dita, mas ainda assim dívidas) e hoje enxergo toda a maldade por trás dos empréstimos milagrosos que o banco oferece.
Em linhas gerais, fiz um caminho que pode ser seguido por qualquer um, e se deu certo comigo pode dar certo com outros também.
Mas não é um caminho fácil, até porque encarar uma situação financeira ruim e reconhecer que se está financeiramente doente e precisando de tratamento, como um gordo precisando de dieta ou um alcoólatra precisando de abstinência, é algo que pode suscitar medos e neuroses.
Saiba para onde vai seu dinheiro
Esta é a parte mais fácil, importante e ao mesmo tempo a mais boicotada do “tratamento” para saúde financeira.
É comum que os mais endividados sejam também aqueles que têm melhores rendimentos, maiores salários, mas que misteriosamente não sabem para onde vai seu dinheiro.
De tempos em tempos eu faço esse acompanhamento, para reforçar a disciplina de não “torrar” grana.
Consiste em tomar nota de cada despesa (e cada receita, principalmente para quem tem “frilas” ou outras formas de receita extra, além do salário), centavo por centavo, e no final da semana, do mês, ou como for, contabilizar o que foi gasto realmente necessário e o que foi gasto supérfluo.
Esteja preparado para revelações surpreendentes.
Saiba o quanto deve, para quem e pelo quê
Este costuma ser o passo mais amedrontador de todos. Consiste em fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas, para saber o quanto se deve para cada credor, relativo ao quê.
No começo pode parecer assustador porque a pessoa descobre, por exemplo, que as dívidas montam muito mais do que ela queria crer.
Mas ao mesmo tempo é o passo mais libertador, pois a partir deste os próximos poderão ser dados, e mensalmente a recompensa de ver as dívidas diminuindo dará ânimo para fazer os sacrifícios necessários — como um gordo em dieta que se estimula a passar pelas privações mais contentes ao passar pela balança e constatar que já emagreceu alguns quilos.
Negocie e programe-se
Uma vez desenhado o quadro geral de suas dívidas, apresse-se a procurar cada um dos credores, e trace um plano de pagamento com cada um deles. Você sabe o quanto ganha e sabe o quando dessa receita pode comprometer no pagamento de dívidas, e o quanto precisa preservar para cumprir seus compromissos diários (como supermercado, por exemplo).
Seus credores querem receber, e não são muitos os devedores interessados em pagar. Por isso é fundamental negociar reduções nos juros praticados, negociar prazos, e fazer com que a necessidade de pagar o que deve encaixe no seu orçamento.
Siga o orçamento à risca

É muito fácil para quem está viciado em gastar além da conta dar “escapadinhas” e fazer gastos imprevistos desnecessários, como o gordo que sabe que não pode comer doce mas “só hoje” se entope com 6.000 calorias em chocolates, leite condensado e refrigerantes.
É fundamental seguir à risca o orçamento para o tratamento dar certo, principalmente quando este orçamento é apertado.
Se necessário, diminua seu “padrão de vida”
Acho muito fresca essa expressão “padrão de vida” para designar quanta grana a pessoa está acostumada a esbanjar.
Se for preciso diminuir os gastos, diminua. Sim, eu sei que pode parecer apavorante abrir mão de certas conquistas, mas livrar-se das dívidas é uma conquista muito maior.
“Vai e não peques mais”
De nada adianta a pessoa passar por perrengues e dificuldades se não for para aprender com a dor. Uma vez que ela passe por todo o calvário de livrar-se das dívidas, o mínimo que se espera é que não caia mais na tentação do dinheiro fácil no caixa eletrônico (propositalmente não falei em quem se “sustenta” com empréstimos escusos com agiotas)
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Crédito das imagens:
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